Os recentes ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã abalaram os mercados globais nesta segunda-feira. O reflexo foi imediato: os contratos futuros em Wall Street recuaram mais de 1%, enquanto os preços do petróleo registraram forte alta. No mercado asiático, as perdas só não foram maiores devido ao desempenho positivo de empresas do setor de defesa e petrolíferas.
Os índices futuros do S&P 500 e do Dow Jones registraram queda de 1,7%. Já o petróleo bruto nos EUA (WTI) saltou 9%, atingindo $73 por barril, enquanto o tipo Brent subiu quase 10%, chegando à marca de $80.
Impacto na Europa e Ásia
As bolsas europeias abriram em forte baixa. O índice DAX, da Alemanha, caiu 2,2%, enquanto o CAC 40, em Paris, recuou 1,9%. Em Londres, o FTSE 100 operou em queda de 1%.
Na Ásia, o cenário foi majoritariamente negativo, com exceção de Xangai. Por lá, a valorização do petróleo impulsionou empresas como CNOOC e PetroChina, que atingiram o limite de alta de 10%. Em contrapartida, o índice Hang Seng, de Hong Kong, caiu 2,1% e o Nikkei, do Japão, fechou em queda de 1,4%, apesar do avanço de gigantes da defesa como a Mitsubishi Heavy Industries.
Outros mercados também sentiram o golpe: a bolsa da Índia caiu 2,1%, temendo interrupções no fornecimento de energia, e Bangcoc — destino turístico central para o Oriente Médio — viu seu índice SET recuar 3,1%.
Ouro e Dólar: A busca por segurança
Em tempos de incerteza, investidores buscam portos seguros. O preço do ouro subiu 3,4%, cotado a aproximadamente $5.426 por onça. O dólar americano também se fortaleceu frente ao iene japonês, enquanto o euro apresentou leve desvalorização.
O gargalo do Estreito de Ormuz
O temor do mercado é que o conflito interrompa o fluxo de combustível vindo do Irã e de países vizinhos. Ataques na região, incluindo o Estreito de Ormuz, já dificultam as exportações.
"Cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) passa por Ormuz. Não é um canal qualquer; é a aorta do sistema energético mundial", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Analistas alertam que uma guerra prolongada pode encarecer todos os custos de produção global, já que a energia é a base de toda a cadeia econômica.
Inflação e Juros nos EUA
O conflito mudou o foco do mercado, que antes estava concentrado nos avanços da Inteligência Artificial. Para piorar o cenário, dados recentes mostram que a inflação no atacado nos EUA ficou em 2,9% no mês passado — bem acima dos 1,6% esperados. Esse dado pode pressionar o Federal Reserve (o Banco Central americano) a manter as taxas de juros elevadas por mais tempo, o que tende a frear o crescimento econômico.
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