Os viajantes no Canadá enfrentarão um aumento considerável no preço das passagens aéreas nas próximas semanas e meses. O motivo é o acirramento do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que já reflete nos custos operacionais das companhias.
Nesta quinta-feira, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu manter fechado o Estreito de Ormuz. O local é uma passagem vital por onde circula um quinto do suprimento mundial de petróleo. O bloqueio causou um salto imediato nos preços do barril e, consequentemente, no custo do combustível de aviação (querosene).
"Como o combustível é uma das maiores despesas operacionais das companhias aéreas, aumentos repentinos pressionam diretamente os preços das passagens", explicou Amra Durakovic, chefe de comunicações da Flight Centre Canada. Com a tensão entre Irã e EUA sem sinais de trégua, os canadenses sentirão o impacto da guerra em suas contas bancárias ao planejar as férias.
A Air Transat foi a primeira a se manifestar. O diretor financeiro da empresa, Jean-François Pruneau, confirmou que a companhia aumentará as sobretaxas de combustível para voos rumo à Europa. Ele acrescentou que esses custos serão diluídos no preço final dos bilhetes e que as tarifas subirão principalmente em datas de pico e rotas com menor concorrência.
Outras gigantes do setor também se posicionaram sobre a crise:
WestJet: A porta-voz Julia Kaiser afirmou que as tarifas refletem os custos operacionais atuais e que os preços já foram ajustados nos últimos dias devido à alta do combustível.
Air Canada: Christophe Hennebelle, porta-voz da empresa, seguiu a mesma linha, classificando a situação como "volátil e imprevisível", confirmando reajustes para cobrir os custos extras.
Flair Airlines: A companhia de baixo custo evitou especular sobre preços futuros, mas afirmou estar monitorando a eficiência operacional para mitigar a volatilidade.
Porter Airlines: Declarou que ainda não pode prever os preços exatos, mas acompanha a situação de perto.
Embora as empresas não divulguem uma porcentagem exata do aumento, o monitoramento do Google Flights já mostra o impacto. Uma passagem só de ida de Vancouver para Toronto em maio, que custava cerca de $340 há duas semanas, saltou para a faixa de $400 a $450 nesta semana.
Apesar da alta, a procura por viagens continua resiliente. Segundo Durakovic, os viajantes não estão desistindo de voar, mas estão mudando a forma como planejam: "As pessoas passam a reservar com mais antecedência, escolhem viajar em temporadas intermediárias (shoulder seasons) ou buscam destinos onde o dólar canadense tenha mais poder de compra".
Para quem vive no Canadá e pretende viajar em breve, a recomendação dos especialistas é clara:
Antecipação é fundamental: Reserve seu voo o quanto antes para garantir tarifas pré-reajuste.
Flexibilidade: Se possível, altere as datas de ida e volta para dias de menor procura.
Monitore: Use ferramentas de rastreio de preços para agir assim que surgir uma oportunidade.
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