Crise Energética: Ataques do Irã fazem petróleo disparar e bolsas desabarem pelo mundo

Preço do petróleo Brent encosta em US$ 115 após ataques do Irã a instalações no Catar e Kuwait. Entenda o impacto na inflação e nos mercados globais.

Por Júnior Mendonça, da Redação North News-
3 Min

Crise Energética: Ataques do Irã fazem petróleo disparar e bolsas desabarem pelo mundo
Ahn Young-joon

Os preços globais de petróleo e gás natural dispararam nesta quinta-feira, após o Irã atacar uma instalação estratégica de gás natural no Catar — responsável por suprir um quinto do consumo mundial — além de duas refinarias de petróleo no Kuwait.

A ofensiva aumentou o temor de que a crise energética, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz para o tráfego de navios-tanque, seja mais longa e profunda do que o previsto, causando danos permanentes à produção global.

O petróleo Brent, referência internacional, saltou para US$ 116,38 por barril, um aumento drástico considerando que custava menos de US$ 73 às vésperas do conflito. Na Europa, o índice TTF para gás natural operou com alta de 24% nesta quinta-feira.

Paralisação no Catar e Impacto Logístico

O ataque iraniano atingiu o terminal de Ras Laffan, no Catar, ponto crucial para o escoamento de gás natural liquefeito (GNL). O terminal foi fechado após um ataque de drones. Com o Estreito de Ormuz bloqueado para a maioria dos petroleiros, o gás produzido ficou sem rotas de saída, ameaçando o abastecimento global.

Especialistas alertam que, se a interrupção da infraestrutura energética no Golfo persistir, uma onda inflacionária devastadora poderá atingir a economia mundial. Nos EUA, o petróleo de referência subiu 1,1%, atingindo US$ 96,45, enquanto os contratos de gás natural no Henry Hub avançaram 5,1%.

Reação dos Mercados e Bolsas

Com o choque nos preços de energia, as bolsas mundiais recuaram. Na Europa, o índice alemão DAX caiu 2,1%, o CAC 40 de Paris recuou 1,5% e o FTSE 100 de Londres perdeu 1,7%.

Na Ásia, o tombo foi ainda maior. Em Tóquio, o Nikkei 225 despencou 3,4%. O Banco do Japão optou por manter a taxa de juros em 0,75%, citando a guerra com o Irã como um fator de instabilidade. "Diante das tensões no Oriente Médio, os mercados financeiros globais tornaram-se voláteis e os preços do petróleo subiram significativamente; os desdobramentos futuros exigem atenção", afirmou a instituição.

Para países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan, que dependem da importação de matérias-primas, a alta do petróleo é um fardo pesado para a indústria.

Cenário nos Estados Unidos

Em Wall Street, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq registraram quedas superiores a 1,4%. As perdas se acentuaram após o Federal Reserve (Fed) decidir manter as taxas de juros estáveis, interrompendo os cortes que visavam impulsionar a economia.

"Simplesmente não sabemos", declarou Jerome Powell, presidente do Fed, sobre o futuro dos preços do petróleo e o tempo necessário para que as tarifas do governo Trump sejam totalmente absorvidas pelo sistema. Relatórios indicam que a pressão inflacionária já vinha crescendo antes da guerra, com a inflação no setor atacadista dos EUA acelerando inesperadamente para 3,4% no último mês.

No mercado de câmbio, o dólar americano apresentou leve queda frente ao iene japonês, enquanto o euro registrou uma pequena valorização, sendo cotado a US$ 1,1463.


FONTE: Júnior Mendonça, da Redação North News

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