Enquanto as pequenas empresas canadenses enfrentam uma severa escassez de mão de obra, diversos setores afirmam que as restrições e limites impostos à contratação de trabalhadores estrangeiros temporários estão sufocando os negócios.
Nos últimos anos, Cristina Bohn contou com o Programa de Trabalhadores Estrangeiros Temporários (TFW) para manter sua empresa de limpeza em Estevan, Saskatchewan. No entanto, ela corre o risco de perder seus dois funcionários estrangeiros em novembro, quando os vistos de trabalho expiram. Embora já tenha solicitado a contratação de um novo profissional pelo programa, Cristina relata que o processo pode levar até um ano.
De acordo com a Federação Canadense de Empresas Independentes (CFIB), mais de 1,3 milhão de vistos TFW devem expirar até o final deste ano. "Para os empresários, isso significa ter que substituir esses funcionários e treinar novas pessoas do zero", explica Brianna Solberg, diretora da CFIB para as Pradarias. "O impacto na produtividade será enorme."
Mesmo com os desafios de contratação que surgiram após a pandemia, a empresa de Cristina conseguiu crescer 22% ao ano desde sua fundação em 2017. Ela tem planos de expandir e abrir uma lavanderia, o que exigiria a contratação de mais 10 funcionários para atender à demanda.
A empresária afirma que tenta priorizar a contratação de canadenses, mas o setor de serviços tem dificuldade em atrair e manter talentos locais. "Para crescer no setor de serviços, você precisa de gente. Não é apenas vender um produto; é necessário alguém disposto a colocar a mão na massa. O único caminho para a expansão é aumentar a equipe", desabafa.
Regras e Limitações
Em 2024, o governo federal estabeleceu um teto de 10% para o número de trabalhadores estrangeiros de baixos salários que uma empresa pode contratar, visando garantir que canadenses e residentes permanentes tenham prioridade nas vagas. Atualmente, os trabalhadores do programa TFW representam cerca de 1% da força de trabalho total do Canadá.
Em abril, esse limite subirá para 15% apenas para empregadores em áreas rurais elegíveis, uma medida temporária válida até março de 2027. Contudo, a CFIB defende que essa flexibilização também deveria ser estendida aos empregadores urbanos. "Seja no varejo, hotelaria, transporte, agricultura ou saúde, o fato é que não temos gente suficiente no mercado interno para preencher todas as vagas necessárias", afirma Solberg.
Dificuldade redobrada no interior
Para Christine White, ex-proprietária do Crossroads Inn em Stoughton, a situação é ainda mais crítica. O limite atual permite que a pousada contrate apenas um estrangeiro pelo TFW. Com o aumento previsto para áreas rurais, o estabelecimento poderia chegar a dois. "Não sei como esperam que a gente sobreviva com apenas isso", diz ela.
Christine ressalta que o setor de hospitalidade sempre sofreu com a falta de pessoal, e em cidades pequenas do interior, atrair candidatos é quase impossível. Ela conta que, mesmo após vender o negócio para o filho, precisa voltar constantemente para ajudar na operação por falta de funcionários.
O mito da "mão de obra barata"
Solberg destaca que existe um equívoco comum de que o programa TFW serve para contratar "mão de obra barata". Na realidade, as empresas gastam mais: "Elas precisam pagar taxas de recrutamento e arcar com o custo do LMIA (Avaliação de Impacto no Mercado de Trabalho), que é um processo caro e burocrático", finaliza.
• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp