Petróleo a US$ 150: Crise no Estreito de Ormuz dispara preços e ameaça falta de combustível e voos

Preço do barril atinge recorde histórico com bloqueio naval. Europa alerta para risco de desabastecimento de diesel e combustível de aviação em apenas três semanas.

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Petróleo a US$ 150: Crise no Estreito de Ormuz dispara preços e ameaça falta de combustível e voos
Rafiq Maqbool

O preço do petróleo bruto para entrega imediata na Europa atingiu o recorde histórico de quase US$ 150 por barril nesta segunda-feira. De acordo com dados da LSEG e de operadores do mercado, cargas da África também alcançaram novos picos de preço. O movimento reflete o temor de uma interrupção prolongada no abastecimento global, após os planos dos Estados Unidos de bloquearem o Estreito de Ormuz.

No mercado financeiro, os contratos futuros do petróleo tipo Brent para entrega em junho subiram 6%, ultrapassando a barreira dos US$ 100. A alta ocorre enquanto a Marinha dos EUA se prepara para impedir a circulação de navios de e para o Irã, após o fracasso nas negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito. Embora os contratos futuros ainda não tenham batido o recorde de US$ 147 de 2008, o preço do petróleo "físico" (aquele comprado para uso agora) já superou essa marca.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, compradores na Europa e na Ásia iniciaram uma corrida para garantir estoques. O petróleo North Sea Forties, por exemplo, chegou a ser negociado a US$ 148,87 por barril nesta segunda-feira.

Preços dos combustíveis disparam e aviação entra em alerta

O impacto chegou com força aos produtos refinados. O combustível de aviação (querosene) está sendo negociado próximo de US$ 200 o barril — quase o dobro do valor registrado antes da guerra. O diesel segue um caminho semelhante, chegando a US$ 170 o barril na Europa, contra os US$ 102 praticados antes do conflito.

A situação é crítica porque a Europa consome mais do que produz desses dois combustíveis, dependendo fortemente de importações. Dados da consultoria Kpler mostram que, em 2025, o Oriente Médio foi responsável por 62% das importações de combustível de aviação e 42% do diesel para a União Europeia e o Reino Unido.

O Conselho Internacional de Aeroportos (ACI) já emitiu um aviso contundente: o continente pode enfrentar uma escassez sistêmica de combustível de aviação em apenas três semanas, caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado.

Recordes em diversas regiões

A disparada de preços não se limita à Europa. Na África Ocidental, os tipos de petróleo nigeriano Bonny Light e Qua Iboe também atingiram valores recordes. Nos Estados Unidos, o petróleo WTI Midland entregue na Europa atingiu seu maior ágio da história, confirmando que a crise de abastecimento é global e a demanda por barris que não dependam do Oriente Médio está no nível mais alto de todos os tempos.


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