Preços de Gasolina e diesel disparam no Canadá e impactam na vida de quem mora no país

Guerra no Irã encareceu combustível ao redor do globo

Por Larissa Valença
4 Min

Preços de Gasolina e diesel disparam no Canadá e impactam na vida de quem mora no país
Posto Esso em Toronto, no Canada (Foto: Larissa Valença)

O preço do combustível subiu ao redor do mundo — e, é claro, no Canadá também — após o conflito entre EUA/Israel e Irã, iniciado no último dia 28 de fevereiro de 2026. O bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz desencadeou, entre outras consequências, a alta nos preços do petróleo. Um mês após o começo da guerra, o cotidiano e o bolso de quem possui um veículo ou atua no setor de transportes e logística foram totalmente afetados, o que repercute na economia como um todo.

De acordo com Carol Montreuil, vice-presidente da Canadian Fuels Association (CFA) — associação que representa produtores, distribuidores e comerciantes de combustíveis para transporte no Canadá —, em entrevista à CP24, até o fechamento desta matéria em 27 de março de 2026, a gasolina aumentou 30% e o diesel, 40%. Ele também citou que esse aumento provavelmente fará com que as pessoas mudem hábitos associados ao uso de combustíveis.

Panorama geral
Durante tempos de paz, cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo transitava pelo Estreito de Ormuz, o que equivalia a uma produção diária de quase 4,5 milhões de barris de petróleo cru e condensados.

O aumento vertiginoso do preço dos combustíveis está impactando o orçamento das famílias, das empresas e dos autônomos, causando consequências diretas e indiretas para a economia global. Segundo previsão de economistas norte-americanos, isso pode restringir o consumo e o crescimento econômico. O aumento dessas despesas obriga os consumidores a realizarem ajustes no orçamento, afetando a capacidade de gastos opcionais ou supérfluos.

Na prática
Vitaly Skorikov é o CEO da empresa de mudanças Moving Quest, localizada em Toronto. O empreendedor atua no ramo desde 2014 e, em julho de 2024, abriu a Moving Quest. Ele conta ao North News que, antes da guerra, os gastos diários (incluindo o abastecimento do caminhão com diesel e as taxas de aluguel do veículo) totalizavam cerca de CAD$ 224. Após o início do conflito, esses custos subiram para cerca de CAD$ 320 por dia. “Isso equivale a um aumento em torno de 25%, ocasionado pela subida dos preços do combustível”, afirma.

Um motorista de Uber, que preferiu não se identificar, conta ao North News que gastou cerca de CAD$ 97 para encher o tanque de gasolina de seu carro no dia 24 de março, em Whitby, Ontário. Antes da guerra, o custo era de aproximadamente CAD$ 65. “O Uber não alterou nada até agora. Espero que na próxima semana haja modificações, porque não tem valendo a pena para mim. Tenho até tentado procurar o posto de gasolina mais em conta, mas, mesmo assim, está muito desvantajoso”, destaca.

Camila Andrade também tem sofrido com os impactos no bolso e na vida profissional. Ela dirige 120 km diariamente, pois reside na região da Eglinton/Yonge, em Toronto, e trabalha em Burlington. “Eu sempre abasteço no mesmo posto, o que facilita o comparativo. Estou querendo chorar. Antes de a guerra começar, eu pagava CAD$ 75 por tanque; em 24 de março, paguei CAD$ 96. Levo cinco dias para gastar o tanque todo indo e voltando do trabalho”, detalha.

Camila vive na maior cidade do Canadá desde abril de 2022. Ela estudou Economia e Direito no Brasil; no Canadá, validou seu diploma de advogada e fez mestrado em Direito na Osgoode Professional Development, parte da renomada Osgoode Hall Law School, da York University.

Revelando que não consegue visualizar onde mais poderia cortar gastos, Camila tomou a decisão de abrir mão do emprego em sua área de atuação no momento. “Estou fazendo um estágio em Direito em um escritório em Burlington que termina no final de abril. Por conta desse aumento enorme dos custos, decidi que não vou continuar lá. Eu teria a possibilidade de ser efetivada, mas decidi sair. É melhor não trabalhar na minha área e estar perto de casa do que continuar onde estou. Ganho um pouco mais que o salário mínimo, mas está saindo tão caro que não vale a pena. Fiz as contas e é melhor trabalhar em uma Dollarama ou Starbucks ao lado de casa”, enfatiza.


• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp

  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »