Aprender francês beneficia quem quer imigrar para o Canadá

Proficiência no idioma tem contado pontos significativos no sistema de imigração canadense

Por Larissa Valença @larissavalencapf | Especial para o North News
5 Min

Aprender francês beneficia quem quer imigrar para o Canadá
Vista aérea da Cidade de Quebec, na parte francesa do Canadá, com destaque para o icônico hotel Château Frontenac (Foto: Jean-François Bergeron)

A língua francesa, que é uma das oficiais do Canadá, está em voga, sendo muitas vezes a chave para imigrar para o país que está focando fortemente na imigração francófona fora do Quebec.

A ministra de imigração, Lena Metlege Diab, no início de 2026 anunciou pelo quarto ano seguido que o governo canadense superou sua meta de imigração francófona para 2025 saindo de 8.5% para 8.9% de admissões de residentes permanentes proficientes na língua francesa, fora do Quebec.

Até 2029, a meta do governo é que esse número permaneça crescendo e atinja cerca de 12% de residentes permanentes francófonos fora do Quebec até 2029. E a tendência segue, claramente neste ano de 2026, visando auxiliar na diminuição da escassez de trabalhadores francófonos e bilíngues.

De acordo com os pronunciamentos da ministra, o francês deve continuar sendo uma das categorias com maior representatividade dentro do Express Entry, sistema federal de imigração canadense.

O Express Entry possui uma categoria específica para quem tem proficiência em língua francesa, fora do Quebec, que foi introduzida no ano de 2026, para ser elegível, a pessoa deve ter resultados em testes de proficiências como TCF, ou TEF, que atinjam pontuação mínima de 7 nos níveis de competência canadense, em todas as 4 habilidades linguísticas (compreensão oral, escrita, leitura, expressão oral). Até agora em agora em maio deste ano, já foram enviados mais de 30 mil convites para quem tem proficiência no idioma por meio de sorteios exclusivos dessa categoria.

Com isso, a demanda com interesse em estudar o francês tem aumentado drasticamente. Escolas de Idiomas de Toronto, que atraem inúmeros intercambistas, tem aberto turmas de francês. Nomes, como ILAC, RCIIS, Hansa, ILSC, são algumas das escolas que oferecem cursos, muitas vezes, intensivos da língua.

Linda Maura Soares, é professora particular de francês há 8 anos, no instagram @francaisaveclinda, ela imigrou para o Canadá aos 9 anos de idade, quando a mãe dela foi realizar um curso de doutorado em ciências humanas aplicadas em Montreal.

 

“O previsto era ficarmos 4 anos, mas acabamos ficando mais do que isso. Eu morei em Montreal por 11 anos e cresci por lá, fui alfabetizada lá e frequentei a escola por todo o período escolar no Canadá. Quando eu voltei para o Brasil em 2014, eu trabalhei no ramo da hotelaria e depois comecei a dar aula em 2018. Desde 2020, eu passei a me concentrar na preparação de provas TCF, TEF, DELF, DALF para imigração para o Canadá e também para a França. Já dei aula em cursos de idiomas no Brasil e desde 2024, estou trabalhando de forma completamente autônoma’’, relata sobre a sua jornada profissional.

“A importância de quem quer aprender francês para imigrar para o Canadá agora tem crescido e tem ficado maior, pois o processo seletivo federal, O Express Entry, tem o pool diferente para os falantes de francês, distinto do pool geral, sendo a pontuação mais baixa, isso se torna interessante para quem está um pouco mais velho, ou se está faltando alguma pontuação”, comenta Linda.

Linda pontua que em sua opinião as maiores dificuldades em aprender o francês para brasileiros, podem vir quando o aluno já fala o inglês e também os falsos amigos (que são palavras que na nossa língua tem um significado e no outro idioma tem um totalmente diferente).

“Vão ter uns vícios pré-existentes de linguagem de quem já domina o inglês, eu por exemplo, aprendi o francês primeiro e depois que vim a falar o inglês e isso não aconteceu nem comigo e nem com os alunos meus que por exemplo não falam o inglês”, explica a professora de francês.

Olhando para a língua francesa, um exemplo disso é o o verbo Avoir, ter no francês, que assim como no português, ele é o utilizado para falar sobre a idade. “Porém já vi alunos, que falam inglês, usando o verbo êtreser no francês para falar da idade, igual funciona na língua inglesa. E se nos pautarmos no português, não tem motivo para cometer esse erro’’, alerta a professora.

Linda considera que o fato do português e o francês serem derivados do latim como uma boa vantagem para os brasileiros que visam aprender o francês.

‘’Já que o português e o francês são línguas derivadas da mesma família, elas têm muito mais proximidade, daí considero uma grande facilidade. O Brasileiro conseguiria por exemplo no dia a dia  chutar uma palavra próxima e a pessoa com que ele estiver falando, conseguiria ao menos entender, já que o importante da língua é a comunicação. Por exemplo a palavra cardiologue em francês, se a Pessoa Falar cardiologista, o receptor vai provavelmente  conseguir entender do que se trata e a Mensagem vai passar. Ou seja é muito possível chutar uma palavra em francês próxima do que ela seria no português,  fazendo uma espécie  de tradução ao pé da letra, e muito provavelmente isso dará certo e funcionará bem. Essa é uma grande facilidade, poder improvisar e em 80% das vezes vai dar certo durante o processo de aprendizado ”, finaliza.


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