Noah Reitman costuma alugar o andar superior de sua casa em Vancouver pelo Airbnb e, assim como muitos moradores da cidade, imaginou que a busca por acomodações durante a Copa do Mundo da FIFA bateria recordes.
"Pensamos: 'Nossa, com certeza vai ser uma excelente oportunidade para faturar uma grana extra'", relembrou Reitman.
No entanto, após inflacionar consideravelmente o preço inicial de suas diárias, ele precisou voltar atrás e reduzir os valores. Segundo o anfitrião, a maioria das reservas feitas para o mês de junho não tem qualquer relação com o futebol.
"Muitos dos hóspedes que fecharam o aluguel nem sabiam que a Copa do Mundo aconteceria aqui em Vancouver", disse ele. "Eles vieram apenas para o turismo convencional." Apesar disso, Reitman reconhece que ainda está faturando de 20% a 30% a mais do que o normal com o seu espaço.
A poucos dias do início dos jogos da Copa do Mundo masculina no Canadá, novos dados confirmam a experiência vivida por Reitman e levantam dúvidas se as expectativas de alta demanda por hospedagem nas cidades-sede foram exageradas.
De acordo com dados enviados pela CoStar, empresa de análise do setor hoteleiro, até o dia 1º de junho os hotéis de Vancouver e Toronto operavam com menos da metade de sua capacidade nos dias de jogos. O cenário surpreende, dado que as previsões há meses apontavam para uma explosão na procura, com a expectativa de centenas de milhares de torcedores desembarcando em cada cidade para acompanhar as 13 partidas divididas entre as duas sedes canadianas.
Ainda assim, conforme a CoStar, as duas cidades-sede do Canadá estão se saindo muito melhor do que a maioria das outras localizações que dividem o torneio entre Canadá, Estados Unidos e México.
Vancouver e Guadalajara (México) lideram as taxas de ocupação hoteleira nos dias de jogos, operando com pouco menos de 48%. Toronto aparece logo atrás, com pouco mais de 47%. No lado americano, San Francisco é a única cidade que ultrapassou a marca de 40% das acomodações reservadas.
Por outro lado, as estatísticas revelam que a ocupação em Vancouver despencou em comparação com o mês de junho do ano passado, quando a cidade registrou 64,5% de leitos reservados — uma queda superior a 25%. O economista esportivo Moshe Lander, da Universidade Concordia, classifica o fenômeno como uma "destruição econômica" ignorada pela maioria das projeções de faturamento da FIFA.
"Para cada turista que chega dizendo 'vou gastar meu dinheiro aqui', provavelmente há outro turista que planejava vir para Vancouver em junho, mas mudou de ideia pensando: 'Não vou mais porque a Copa do Mundo vai acontecer lá e eu não quero enfrentar aquele caos'", explicou Lander.
Os números de Toronto seguem a mesma tendência. Os hotéis da maior cidade do país registraram quase 60% de ocupação nos mesmos dias analisados em junho de 2025. Agora, durante o torneio, a taxa atual gira em torno de 46%, representando um recuo de quase 21%.
Apesar do balanço morno, o setor de hotelaria em Vancouver aposta que as reservas de última hora ainda salvarão o cenário.
"É exatamente o que prevíamos que aconteceria", afirmou Royce Chwin, presidente e CEO da Destination Vancouver. "As reservas vêm crescendo em ritmo de duplo dígito semana após semana. Ainda estamos atrás do esperado, mas recuperamos um terreno enorme."
Chwin acredita que muitos torcedores que já garantiram os ingressos para os jogos estão esperando um pouco mais para fechar o hotel, na expectativa de que os preços caiam ainda mais. O Airbnb informou que não compartilha dados específicos sobre o total de imóveis ainda disponíveis, mas confirmou que entre 70% e 80% das acomodações restantes listadas em Vancouver e Toronto para o mês de junho estão com diárias abaixo dos 500 dólares.
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