Banco Central do Canadá congela juros de novo e desafia bolso dos moradores

Bank of Canada mantém taxa básica de juros em 2,25% pelo quinto mês seguido, tenta equilibrar inflação global e afasta temores de recessão no país.

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Banco Central do Canadá congela juros de novo e desafia bolso dos moradores
Adrian Wyld

O Banco Central do Canadá (Bank of Canada) decidiu manter a sua taxa básica de juros congelada pela quinta vez consecutiva nesta quarta-feira. A medida faz parte de um malabarismo econômico para apoiar a atividade financeira do país, que anda instável, sem permitir que os preços voltem a disparar sem controle.

Com a manutenção — que já era amplamente esperada por analistas do mercado —, a taxa básica de juros do país continua fixada em 2,25%.

Em pronunciamento, o presidente do Banco Central canadense, Tiff Macklem, explicou que a economia do país se mostrou mais fraca do que o previsto no primeiro trimestre do ano. Entre os principais culpados estão as incertezas geopolíticas causadas pela política comercial dos Estados Unidos e pelos desdobramentos da guerra no Irã. Além disso, o preço internacional do petróleo — impulsionado pelo conflito no Oriente Médio — segue operando em patamares bem mais altos do que o banco havia projetado em suas previsões de abril.

"Diante desse cenário, a economia canadense continuou desaquecida e a inflação registrou alta", apontou Macklem.

A inflação anualizada no país subiu para 2,8% em abril, reflexo direto do choque energético global. Agora, a expectativa do Bank of Canada é que o índice flutue em torno de 3% nos próximos meses, antes de começar a ceder em direção à meta oficial, que é de 2%.

Macklem ponderou que, até o momento, há "poucas evidências" de que a alta dos combustíveis esteja se espalhando para outros setores a ponto de gerar uma pressão inflacionária generalizada. Ele reforçou que a instituição vai relevar esse salto temporário nos preços ligado ao petróleo, mas garantiu que o banco agirá firmemente caso perceba que a alta de preços está se consolidando na rotina dos consumidores.

A grande missão do Banco Central é controlar a inflação, mas a instituição também tenta blindar a economia local contra ventos contrários, como as posturas comerciais mais agressivas vindas dos EUA. Essa balança coloca o banco em um verdadeiro dilema, segundo o próprio presidente.

"Aumentar os juros para frear a inflação poderia desacelerar ainda mais a nossa economia. Por outro lado, reduzir as taxas para estimular o crescimento aumenta o risco de fazer a inflação alta virar regra", explicou Macklem. "No momento, manter a taxa exatamente onde está é a melhor forma de equilibrar esses dois riscos."

Dados recentes do órgão oficial de estatísticas (Statistics Canada) mostraram uma leve contração no Produto Interno Bruto (PIB) real do país nos três primeiros meses do ano: uma queda anualizada de 0,1%, que vem logo após um recuo de 1,0% no último trimestre de 2025.

Essas duas quedas seguidas reacenderam o debate sobre se o Canadá estaria entrando em recessão. No entanto, muitos economistas contestam essa ideia, argumentando que o recuo foi tão sutil que não chega a configurar um cenário recessivo real.

Macklem destacou que indicadores recentes, como os números robustos do mercado de trabalho em maio, sinalizam que a economia deve se recuperar já no segundo trimestre deste ano. Ele reconheceu que o nível de empregos tem oscilado bastante ultimamente, mas ressaltou que, ao olhar além dessa instabilidade temporária, o nível de emprego no país se mostra praticamente estável neste ano de 2026.

Para Ali Jaffery, economista-chefe da KPMG, o fato de Macklem focar na recente fraqueza econômica deu ao discurso um tom mais suave e moderado (dovish), o que sugere uma tendência futura de afrouxamento na política monetária em vez de novos apertos. Jaffery argumenta que o risco de uma inflação persistente é baixo diante de uma economia tão desaquecida. "Mesmo que a economia reaja no segundo trimestre — o que é provável —, há muito espaço para crescer sem gerar inflação quando um país está saindo de um momento difícil como este", afirmou.

Já o economista sênior do banco CIBC, Andrew Grantham, avaliou em nota enviada a clientes que a decisão desta quarta-feira mostra um Banco Central "bastante paciente" e confortável em esperar para ver como os riscos vão se desenhar. Segundo Grantham, o CIBC mantém a previsão de que a taxa de juros não sofrerá alterações ao longo de 2026, patamar que deve ajudar a sustentar uma recuperação econômica moderada a partir do fim deste ano.


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