Governo Carney anuncia plano bilionário para reduzir o preço dos alimentos no Canadá

Nova estratégia investirá mais de $3 bilhões para ampliar a produção local e tornar frutas, verduras e alimentos mais acessíveis.

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Governo Carney anuncia plano bilionário para reduzir o preço dos alimentos no Canadá
Divulgação

O governo liberal do primeiro-ministro Mark Carney anunciou uma nova estratégia nacional de segurança alimentar com o objetivo de ampliar o acesso dos canadenses a frutas, verduras e outros alimentos frescos produzidos no país a preços mais acessíveis.

Apresentado nesta quinta-feira, o plano pretende transformar a forma como os alimentos são comprados, vendidos, transportados e distribuídos no Canadá, fortalecendo agricultores, pequenos negócios independentes e consumidores.

Segundo o governo federal, a estratégia contará com investimentos superiores a $3 bilhões ao longo dos próximos 10 anos.

Entre as principais medidas está a destinação de $1 bilhão para infraestrutura, incluindo terminais e centros de distribuição de alimentos. O objetivo é ajudar supermercados independentes a competir com grandes redes varejistas, facilitando a compra direta de produtos de agricultores e processadores de alimentos.

O governo também promete lançar iniciativas para apoiar pequenas e médias empresas do setor de processamento de alimentos na modernização de suas operações e no aumento da produtividade, permitindo que disputem espaço no mercado global e atraiam investimentos de grandes fabricantes.

Além disso, Ottawa reservou $750 milhões para projetos de estufas e sistemas hidropônicos, com o objetivo de ampliar a produção canadense de frutas e hortaliças durante todo o ano, incluindo comunidades rurais e regiões do Norte do país.

Outra medida prevista é a aceleração dos processos de aprovação de sementes, rações, fertilizantes e produtos veterinários, além da redução da burocracia que atualmente gera atrasos no sistema.

Durante o anúncio realizado em um terminal de alimentos em Etobicoke, na região metropolitana de Toronto, Mark Carney destacou a força do setor agrícola canadense.

“O Canadá é uma superpotência agrícola. No entanto, para a maioria dos canadenses, isso não se reflete nos preços pagos no caixa do supermercado”, afirmou o primeiro-ministro.

Segundo Carney, os preços dos alimentos aumentaram quase 35% desde 2019.

“Atualmente, uma família canadense média gasta cerca de $10 mil por ano com compras de supermercado, o que representa mais de $800 por mês. Existem várias razões para isso”, explicou.

Ele destacou que, embora agricultores e produtores canadenses gerem grandes volumes de alimentos, o país ainda depende de outras nações para processar boa parte dessa produção.

“Ao mesmo tempo, todos sabemos que nossas temporadas de cultivo são curtas demais para atender à demanda durante o ano inteiro”, acrescentou.

Carney também ressaltou que o Canadá continua dependente da importação de alimentos essenciais. Atualmente, o país importa quase 90% das frutas frescas e castanhas consumidas pela população, além de mais de 70% dos vegetais.

O governo afirma ainda que cinco grandes redes varejistas controlam cerca de 75% do mercado de supermercados canadense, além de boa parte da estrutura de distribuição de alimentos.

Segundo o documento da estratégia, os mercados independentes enfrentam dificuldades para competir porque muitas vezes dependem dos próprios concorrentes para obter produtos e, em alguns casos, encontram restrições para expandir suas operações.

A proposta defende que agricultores precisam de mais canais para comercializar seus produtos, enquanto pequenos supermercados necessitam de mais opções de fornecedores para competir em igualdade com as grandes redes.

“Os consumidores precisam de mais opções acessíveis na hora das compras, e as pessoas que vivem em comunidades rurais, remotas e do Norte do país precisam ter melhor acesso a produtos frescos por preços razoáveis”, afirma o documento.

A estratégia também destaca a necessidade de reduzir a dependência do Canadá em relação a outros países, ampliando o processamento interno dos alimentos produzidos nacionalmente e investindo em novas tecnologias para cultivar, em larga escala e durante todo o ano, produtos que atualmente não podem ser produzidos de forma suficiente no país.


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