15/07/2026 às 18h49min - Atualizada em 15/07/2026 às 19h48min

Parabéns, a seleção da Argentina!

Paulo Galvão Júnior

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Paulo Galvão Júnior - jornalnorthnews.com
Parabéns, a seleção da Argentina!

Estimados leitores lusófonos do Portal North News, hoje, 15 de julho de 2026, Argentina e Inglaterra protagonizaram um dos jogos mais simbólicos da Copa do Mundo. Eu escrevo este artigo poucos minutos depois do apito final de um confronto que reuniu história, rivalidade, e, acima de tudo, paixão pelo futebol e pela Copa do Mundo, este ano com sede compartilhada pelos Estados Unidos da América (EUA), México e Canadá.

Eu liguei para meus amigos argentinos pelo WhatsApp bem antes de começar o jogo nos EUA. Hector Oliva apostava no placar de Argentina 2 a 1 contra a Inglaterra, com uma grande festa no Obelisco. Já Roberto Troster apostava em Argentina 1 a 0 contra a Inglaterra, com uma grande festa em casa.

Hector acertou o placar no jogo muito disputado! Parabéns, a seleção da Argentina! Parabéns, aos "hermanos". Hoje, a Argentina venceu por 2 a 1 a Inglaterra e de virada novamente, nos estádios de futebol dos EUA. A seleção argentina entrou em campo vestindo sua camisa azul, “o uniforme da sorte” contra os inventores do futebol. Que jogo!

A Argentina é o país vizinho do Brasil e membro do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). Brasileiros e argentinos compartilham uma convivência que vai muito além das disputas esportivas. Muitos brasileiros cultivam sólidas amizades com argentinos. Eu próprio tenho a honra de contar entre meus amigos o economista argentino Roberto Troster, membro do Instituto de Inteligência Econômica (IIE) em São Paulo e parceiro de artigo sobre o Grupo dos Vinte (G20) e, o guia de turismo argentino Hector Oliva, parceiro nos passeios de buggy pelo Litoral Sul ou pelo Litoral Norte da linda Paraíba, durante as comemorações das equipes campeãs das Olimpíadas de Economia UNIESP, e ex-colega de trabalho na SETUR de João Pessoa. Ambos residentes no quinto maior país do planeta e único pentacampeão mundial de futebol: o Brasil.

Confesso que não é fácil para um brasileiro torcer pela Argentina na Copa do Mundo. Nossa paixão pelo futebol foi construída admirando Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Djalma Santos, Rivellino, Tostão, Jairzinho, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Cafu e tantos outros craques que escreveram capítulos inesquecíveis da história da seleção brasileira.

Não crescemos idolatrando Mario Kempes, Diego Armando Maradona ou Lionel Messi, embora seja impossível negar a genialidade e a importância de cada um deles para a história do futebol argentino e mundial. Eu cresci torcendo por Zico e pelo Clube de Regatas do Flamengo, campeão mundial de clubes de 1981, em Tóquio, no Japão.

Por outro lado, a Inglaterra é um dos quatro países que integram o Reino Unido (RU), uma nação europeia que exerceu extraordinária influência sobre a civilização contemporânea. Sua literatura, sua ciência, sua economia, sua música e, principalmente, a língua inglesa transformaram-se em referências universais. Também somos admiradores dos inesquecíveis Beatles, os quatro jovens de Liverpool que revolucionaram a música mundial e continuam emocionando sucessivas gerações em todos os continentes.

Brasil e Argentina protagonizam a maior rivalidade do futebol sul-americano e uma das maiores do esporte mundial. Entretanto, rivalidade não significa ausência de respeito. A humanidade sabe que o Rei do Futebol é Edson Arantes do Nascimento, Pelé, único jogador tricampeão mundial (1958, 1962 e 1970) e eleito Atleta do Século XX pelo Comitê Olímpico Internacional, em 1999. O Rei Pelé marcou 1.281 gols em 1.363 partidas, números que ajudaram a construir uma das carreiras mais extraordinárias da história do futebol mundial.

Argentina e Inglaterra, por sua vez, carregam uma rivalidade que transcende o futebol. Em 1982, os dois países enfrentaram-se na Guerra das Malvinas. Enquanto os argentinos chamam o arquipélago de Islas Malvinas, os britânicos utilizam a denominação Falkland Islands. A memória desse conflito militar permanece viva e confere a cada encontro entre suas seleções um simbolismo que ultrapassa as quatro linhas do campo.

Os argentinos venceram os inventores do futebol e disputarão a grande final diante da Espanha, campeã mundial de 2010, buscando conquistar seu quarto título da Copa do Mundo e consolidar mais um capítulo memorável de sua história futebolística.

Nos últimos dias, uma canção ecoou intensamente entre os torcedores argentinos, tornando-se um dos símbolos da campanha da seleção nacional rumo à decisão da Copa do Mundo de 2026: "Por Malvinas, por Diego, por la última de Leo, Argentina quiero verte bicampeón".

O refrão sintetiza três dos maiores símbolos da identidade da Argentina: a memória dos 694 argentinos que morreram na Guerra das Malvinas em 1982, o legado eterno de Diego Armando Maradona, campeão mundial em 1986, no México, e a conquista do terceiro título mundial sob a liderança de Lionel Messi, em 2022, no Catar.

É impossível recordar um duelo entre argentinos e ingleses sem revisitar a inesquecível tarde de 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Nas quartas de final da Copa do Mundo, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2 a 1, com os dois gols mais famosos da história do futebol, ambos marcados por Diego Armando Maradona, camisa azul de número 10.

O primeiro gol entrou para a eternidade como "La Mano de Dios". Maradona saltou juntamente com o goleiro inglês Peter Shilton e desviou deliberadamente a bola com a mão esquerda antes de ela entrar no gol. O árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não percebeu a irregularidade, nem o bandeirinha, hoje, árbitro assistente, o búlgaro Bogdan Dochev, e ambos confirmaram o lance, provocando protestos imediatos dos jogadores ingleses, além da torcida inglesa.

Poucos minutos depois, porém, o próprio Maradona protagonizou uma das maiores obras-primas da história do futebol. Recebeu a bola ainda em seu campo de defesa, percorreu cerca de sessenta metros, driblou cinco jogadores ingleses e o goleiro Peter Shilton antes de marcar um gol antológico. Em 2002, esse lance foi escolhido pela FIFA como o "Gol do Século", em votação mundial realizada pela internet.

Caso a tecnologia do árbitro de vídeo (VAR) existisse em 1986, o primeiro gol certamente seria anulado. A Regra 12 das Regras do Jogo, elaboradas pela International Football Association Board (IFAB), determina que um jogador de linha comete infração ao tocar deliberadamente na bola com a mão ou o braço. A mesma regra estabelece que também é irregular marcar um gol diretamente com a mão ou imediatamente após a bola tocar na mão ou no braço do atacante, ainda que de forma involuntária.

Os goleiros constituem a única exceção, podendo utilizar as mãos apenas dentro de sua própria área penal e respeitando as demais limitações previstas nas Regras do Jogo.

É interessante observar uma curiosa ironia histórica. O futebol moderno foi codificado justamente na Inglaterra, em 1863, pela Football Association, instituição que estabeleceu as bases das regras conhecidas atualmente. Desde então, o uso deliberado das mãos pelos jogadores de linha sempre foi proibido. Em outras palavras, o gol que ficou conhecido mundialmente como "La Mano de Dios" contrariou uma das regras mais fundamentais do esporte criado pelos próprios ingleses.

Inglaterra e Argentina já se enfrentaram seis vezes em Copas do Mundo. No histórico desse clássico mundial, a Inglaterra soma três vitórias, a Argentina duas vitórias, e houve ainda um empate, decidido nos pênaltis, em 1998, mas, que a Argentina avançou de fase na decisão por pênaltis.

É preciso ressaltar que, na visão da Argentina, o jogador Antonio Rattín, camisa 10 e capitão, foi expulso injustamente pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1966 contra a Inglaterra. A decisão é considerada, até hoje, um dos lances mais controversos da história das Copas do Mundo desde 1930.

A Inglaterra conquistou sua única Copa do Mundo em 1966, jogando diante de sua torcida, no Estádio de Wembley, em Londres. Na decisão contra a então Alemanha Ocidental, Geoffrey Hurst marcou um dos gols mais controversos da história das Copas do Mundo. A bola bateu no travessão, quicou próxima à linha do gol e voltou ao campo. Após consultar o árbitro assistente soviético Tofiq Bahramov, o árbitro suíço Gottfried Dienst validou o gol.

Décadas depois, o episódio continua dividindo opiniões entre historiadores, árbitros e apaixonados pelo futebol. Se a tecnologia da linha do gol e o VAR existissem naquela época, a decisão provavelmente seria tomada com muito mais precisão, reduzindo uma das maiores controvérsias da história do futebol mundial.

O ano de 1966 também marcou um dos momentos mais brilhantes da cultura britânica. Era o auge da extraordinária trajetória dos Beatles, quatro jovens de Liverpool: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, que transformaram definitivamente a música popular do século XX. Canções como YesterdayHelp!Eleanor Rigby, e Yellow Submarine continuam emocionando milhões de pessoas ao redor do mundo.

Duas canções ocuparam lugar especial entre os fanáticos torcedores ingleses: "Hey Jude", clássico dos Beatles, que ganhou ainda mais popularidade entre os torcedores ingleses durante os jogos com Jude Bellingham, o camisa 10 da Inglaterra, com seis gols na Copa do Mundo 2026, dividindo a artilharia da Inglaterra com Harry Kane, o camisa 9 da seleção inglesa. E “Wonderwall", hit da banda Oasis que marcou os anos 1990. Os ingleses buscaram uma histórica vitória, uma dupla revanche, após a desclassificação em 1986, no México, e em 1998, nos penâltis, na França.

Hoje, a Inglaterra saiu na frente com um gol do atacante Gordon no segundo tempo, mas, ele foi substituído e recuou de mais após o primeiro gol. Agora, a Inglaterra irá disputar o terceiro lugar com a França, bicampeã mundial.

Como economista sul-americano, eu sei que o povo da República Argentina já enfrentou grandes desafios ao longo de sua história, como a dolorosa experiência da ditadura militar, os períodos de hiperinflação, as recessões econômicas e as sucessivas trocas de moedas, que causaram impactos profundos na vida de milhões de argentinos. Atualmente, a Argentina, enfrenta elevados índices de pobreza e desemprego em 23 províncias e pela Cidade Autônoma de Buenos Aires, resultado de longos períodos de instabilidade econômica.

Como economista sul-americano aprendi que o desenvolvimento das nações depende da cooperação, da confiança e da integração entre os povos. Brasil e Argentina são parceiros estratégicos no MERCOSUL, compartilham milhares de quilômetros de fronteiras, intensas relações econômicas, culturais e humanas. Empresas brasileiras investem na Argentina; empresas argentinas investem no Brasil. Milhões de turistas internacionais atravessam anualmente as fronteiras dos dois países sul-americanos. Universidades, centros de pesquisa, artistas, empresários, economistas e trabalhadores constroem diariamente uma relação de amizade que supera a rivalidade dos gramados.

Lembro-me, com carinho, de minha saudosa mãe, que teve a oportunidade de conhecer a Argentina em dezembro de 1982 e passear pelas belas avenidas de Buenos Aires ao lado de meu querido pai, hoje com 79 anos. Ela voltou encantada com a hospitalidade do povo argentino, sua cultura, sua dança, sua gastronomia e sua arquitetura.

Se ela ainda estivesse entre nós, tenho certeza de que, neste jogo muito faltoso e muito disputado, estaria torcendo pela seleção argentina e por Messi, artilheiro da Copa do Mundo de 2026 ao lado de Mbappé, ambos com oito gols. Acredite, eu sou um dos brasileiros, como a minha filha Pamella que está em Valença estudando espanhol, no Dia da Revolução Francesa, que comemoraram a vitória da Espanha por 2 a 0 sobre a França, seleção que derrotou o Brasil nas Copas do Mundo de 1986 (nas quartas de final e nos pênaltis), 1998 (na final) e 2006 (quartas de final).

Com certeza, foi uma grande partida de futebol, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos EUA, digna da rica história das duas seleções campeãs mundiais. Nesta inesquecível semifinal, como brasileiro, economista sul-americano, defensor também da integração sul-americana e do Acordo de Livre Comércio entre o MERCOSUL e o Canadá, e admirador da amizade entre Brasil e Argentina, minha torcida foi pela seleção argentina, que joga com garra, com determinação, com amor ao país. Hoje, novamente, a seleção da Argentina venceu de virada nos EUA.

Parabéns, Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1! E novamente na final da Copa do Mundo, agora, no dia 19 de julho de 2026 contra a Espanha! ¡Vamos, Argentina!

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