24/07/2026 às 11h34min - Atualizada em 23/07/2026 às 23h31min

A bença, Vô! A bença, Vó!

Por Paulo Galvão Júnior

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Paulo Galvão Júnior - jornalnorthnews.com
Fonte: "Netos Senhora & Augusto".

 

Há palavras que nunca envelhecem. Permanecem guardadas na memória afetiva como um afetuoso abraço que atravessa o tempo. Em Pilar, terra do imortal José Lins do Rego e da minha saudosa mãe, Maria Verônica Paiva da Silva, havia uma saudação que fazia parte da vida cotidiana entre as décadas de 1970 e 1980 e que, ainda hoje, desperta em mim uma profunda saudade: "A bença, Vô! A bença, Vó!".

Durante minha infância e boa parte da adolescência, essas palavras carregavam respeito, carinho, proteção e pertencimento. Eram muito mais do que uma tradição familiar; representavam um elo entre gerações, um gesto de amor que unia avós e netos.

Hoje, a convite do meu estimado primo Marcos Torquato, o Marquinho, passei a integrar o grupo de WhatsApp "Netos Senhora & Augusto", criado em 30 de dezembro de 2017 e atualmente composto por 37 membros. Ao ingressar, oito anos e quase sete meses depois, nesse espaço virtual de convivência familiar, fui imediatamente tomado por uma intensa onda de lembranças: a casa e o sítio “Baquara” dos meus saudosos avós maternos, Senhora e Augusto, em Pilar; as conversas ao redor da mesa; os cafés da manhã, os almoços (sobretudo, o feijão verde) e os jantares em família; e as festas (sobretudo, o forró pé de serra).

A coincidência não poderia ser mais simbólica. Apenas três meses antes de me tornar avô pela primeira vez, fui acolhido em um grupo dedicado justamente à preservação da memória dos nossos saudosos avós em Pilar. Parecia que a vida fechava um ciclo e, ao mesmo tempo, abria outro.

Em outubro nascerá meu primeiro neto, Pedro Novais, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Será um menino fluminense, um menino de Niterói, banhada pela Baía de Guanabara e pelo Oceano Atlântico, além de beleza singular. Eu e minha esposa, Núbia Rodrigues Galvão, teremos o privilégio de permanecer cerca de cinquenta dias ao seu lado, acompanhando seus primeiros momentos de vida e vivendo intensamente essa nova etapa de nossa história familiar, colaborando ao máximo com nossa filha primogênita e pernambucana, Priscilla, e com nosso genro paraibano, Gabriel Novais.

Pedro Novais será filho primogênito de uma brasileira casada com um brasileiro e com nacionalidade portuguesa, neto de descendentes de portugueses e bisneto de um casal de portugueses que imigrou para o Brasil, estabelecendo-se inicialmente na cidade do Rio de Janeiro e, posteriormente, na cidade de Niterói.

Hoje, escrevendo sobre uma ponte familiar que une Pilar e Niterói. De um lado, as lembranças dos meus saudosos avós maternos, Augusto Francisco da Silva, o inesquecível vovô Augusto, com suas histórias de agricultor, de conhecedor de animais e seus cachimbos, e Antônia Paiva da Silva, a querida vovó Senhora, com seus terços, suas rezas e seus inesquecíveis cabelos brancos, cujos ensinamentos permanecem vivos em cada gesto de nossa família. Do outro, a esperança representada pelo pequeno Pedro Novais, que iniciará sua caminhada em um novo tempo, mas levará consigo a história, os valores e o amor herdados de seus avós, bisavós e, sobretudo, de seus tataravós.

Talvez Pedro Novais, um dia, venha a conhecer pessoalmente Pilar durante suas férias escolares. De toda forma, certamente lerá as obras do grande romancista paraibano José Lins do Rego (1901-1957), entre elas Menino de Engenho (1932). Conhecerá as histórias de sua bisavó materna e paraibana, Dona Vera, e de seus tataravós paraibanos, Senhora & Augusto. Saberá que existiram homens e mulheres simples, trabalhadores, generosos e profundamente dedicados à família, que ajudaram a construir o legado do qual ele fará parte. Descobrirá que a maior herança que uma família pode transmitir não está nos bens materiais, mas na memória e no afeto.

Ainda morando na capital paraibana, na mesma casa do bairro dos Expedicionários onde vivi nas décadas de 1970 e 1980, compreendo em 23 de julho de 2026 que ser avô significa dar continuidade a essa ponte de amor que atravessa o tempo. Assim como um dia pedi a bênção aos meus avós em Pilar, espero receber, no futuro, o abraço carinhoso do meu primeiro neto em Niterói. E, quem sabe, ouvi-lo pronunciar, ainda que em outros tempos e talvez com outras palavras, o mesmo sentimento de respeito, carinho e ternura que marcou minha infância e minha adolescência na pequena, histórica e inesquecível Pilar.

Enquanto esse dia não chega, continuo lembrando com emoção e gratidão: "A bença, Vô! A bença, Vó!".

Com certeza, mainha foi o grande elo que me conduziu, ao lado do meu irmão caçula, Eduardo Augusto Paiva Galvão, o Dudu, de tantas brincadeiras e também de tantas brigas de irmãos, às inesquecíveis férias escolares e às memoráveis festas em Pilar. Minha saudosa mãe, Verônica Paiva, nutria um carinho especial por seu saudoso irmão caçula, Pedro Paiva. Da mesma forma, meu querido pai, Paulo Francisco Monteiro Galvão, tinha profunda estima por seu saudoso tio materno, Pedro Monteiro. Agora, outro querido Pedro chegará à nossa família: Pedro Novais.

Saudades de vovô, de vovó e, sobretudo, de mainha! Até hoje, guardo uma fotografia da minha amada mãe com uma mensagem escrita por ela em tinta azul: "Para você, Paulinho... Vou te deixar. Mas um dia. Te amo. Te adoro. I love you. Maria Verônica". No centro da parte em branco da linda fotografia, sobre a mais bela mensagem que recebi em toda a minha vida, permanece a marca de um batom vermelho, como um beijo eternizado no tempo e na memória.

Em breve, da belíssima Praia de Itacoatiara, enviarei fotografias e notícias do pequeno Pedro Novais aos meus estimados primos e às minhas estimadas primas, bem como às minhas tias Duca, Bel, Gena, Edite, Socorro e Fátima Paiva, e ao meu tio João Paiva, por meio do WhatsApp. Tenho absoluta certeza de que todos celebrarão a chegada de mais uma geração, reconhecendo que a história de nossa família continua sendo escrita em diferentes regiões do Brasil.

"A bença, Vô! A bença, Vó!" continuam ecoando em meu coração, unindo para sempre a saudade de Pilar à esperança que floresce em Niterói. Afinal, enquanto houver memória, a bênção dos nossos avós continuará nos acompanhando, atravessando gerações e iluminando o caminho daqueles que virão depois de nós, seja em Niterói, com Pedro, o meu primeiro neto, ou, quem sabe, provavelmente, em Montreal, o meu segundo neto (rsrsrs). Afinal, as famílias mudam de endereço, atravessam estados, países e continentes, mas jamais deixam para trás suas raízes, sua memória e o amor que une as gerações.

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