Quando o assunto é viajar entre países sem restrições e aproveitar filas menores no controle de fronteira, existe um grupo de elite de passaportes com muito mais prestígio que outros.
De acordo com o relatório mais recente do Henley Passport Index, o topo do ranking é dominado por nações asiáticas: Cingapura ocupa o 1º lugar, enquanto Japão e Coreia do Sul aparecem empatados na 2ª posição. Cingapurianos desfrutam de isenção de visto para 192 dos 227 destinos monitorados pelo índice, que utiliza dados exclusivos da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA).
O domínio europeu e o avanço dos Emirados
Logo atrás, Japão e Coreia do Sul dão acesso a 188 destinos. Como o sistema da Henley agrupa países com a mesma pontuação na mesma colocação, o 3º lugar é compartilhado por cinco nações europeias: Dinamarca, Luxemburgo, Espanha, Suécia e Suíça, todos com acesso a 186 destinos.
O 4º lugar também é exclusivamente europeu, com Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Holanda e Noruega somando 185 destinos. Já na 5ª posição, figuram Hungria, Portugal, Eslováquia, Eslovênia e os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Os EAU, inclusive, são o maior destaque na história de 20 anos do índice: o país adicionou 149 destinos desde 2006, subindo 57 posições graças a um engajamento diplomático contínuo.
A queda das potências: Reino Unido e EUA
O Reino Unido registrou a queda anual mais acentuada do índice, perdendo acesso a oito destinos nos últimos 12 meses (agora com 182). O Canadá, ao lado de Islândia e Lituânia, ocupa a 8ª posição, com acesso a 181 países.
Os Estados Unidos retornaram ao 10º lugar (179 destinos) após uma breve saída do "Top 10" no fim de 2025. No entanto, a recuperação é apenas aparente: devido aos empates, existem na verdade 37 países à frente dos EUA no ranking. O país também enfrenta seu pior declínio em duas décadas, sinalizando o que especialistas chamam de "recalibragem geopolítica" e volatilidade política interna.
Estabilidade e desigualdade
No extremo oposto, o Afeganistão permanece na última posição (101º), com acesso a apenas 24 destinos. A diferença de mobilidade entre o topo e a base da lista é de impressionantes 168 destinos.
Para Christian H. Kaelin, criador do índice, o "privilégio do passaporte" desempenha hoje um papel decisivo na segurança e participação econômica global, concentrando vantagens nas nações mais estáveis e poderosas.
Dupla cidadania em alta
A busca por segurança levou um número recorde de americanos a procurar programas de dupla cidadania em 2025. No entanto, o cenário está mudando: vários países europeus endureceram as regras para os chamados "passaportes dourados" (cidadania por investimento), enquanto nos EUA surgem propostas legislativas para proibir que cidadãos americanos possuam outras nacionalidades.
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