Uma decisão estratégica do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitiu que a Polícia Federal acessasse dados bancários, fiscais e telemáticos de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", muito antes da movimentação no Congresso Nacional.
A autorização foi concedida ainda em janeiro de 2026, atendendo a um pedido da PF que corre sob sigilo. A revelação surge no mesmo momento em que a CPMI do INSS, em uma sessão turbulenta nesta quinta-feira (26), aprovou por conta própria o acesso aos dados financeiros do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O que diz a decisão de Mendonça
No documento, o ministro ressalta a necessidade de cautela para evitar conclusões precipitadas em meio à polarização política. Contudo, ele pontua que as provas colhidas indicam que Lulinha poderia estar envolvido em movimentações financeiras destinadas a financiar projetos empresariais de Antônio Camilo, figura central nas investigações.
Mendonça destacou que o papel da Polícia Federal é entregar a "verdade dos fatos" de forma técnica e livre de interferências externas ou narrativas políticas, garantindo que o processo ocorra sem injustiças.
A comissão parlamentar, marcada por discussões acaloradas entre governistas e oposição, decidiu pela quebra de sigilo por considerar que os indícios reunidos pela PF tornam a medida "tecnicamente imperativa".
A investigação aponta para uma suposta organização criminosa liderada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o "Careca do INSS". Segundo o requerimento da comissão, Roberta Luchsinger seria a peça-chave do braço político desse grupo, atuando na lavagem de dinheiro e ocultação de bens.
Documentos indicam que a RL Consultoria, empresa de Roberta, recebeu repasses de R$ 1,5 milhão de uma empresa de fachada do grupo sob a justificativa de serviços que nunca teriam ocorrido.
Viagens de luxo e "mesada"
O ponto central para a CPI é descobrir se Lulinha atua como sócio oculto do "Careca do INSS". Para sustentar a suspeita, os investigadores citam evidências materiais, como passagens aéreas de alto valor:
Voo Internacional: Em novembro de 2024, Lulinha e o lobista viajaram juntos na primeira classe de um voo da Latam de Guarulhos para Lisboa.
Assentos Próximos: Enquanto o "Careca" ocupava o assento 3A, Lulinha estava na poltrona 6J.
Valores: Cada bilhete custou entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.
Além das viagens, a comissão apura depoimentos que mencionam o pagamento de uma "mesada" de R$ 300 mil paga pelo lobista ao filho do presidente. O rastreamento do fluxo financeiro agora busca confirmar se houve, de fato, integração de capitais ilícitos.
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