19/07/2025 às 06h54min - Atualizada em 19/07/2025 às 06h37min

Dias de Horror Econômico no Mundo

Por Paulo Galvão Júnior (1)

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Vivemos hoje sob os efeitos devastadores de uma guerra comercial global que ameaça a estabilidade econômica internacional. Milhares de empresas estão à beira do colapso, milhões de empregos correm risco de extinção, e bilhões de consumidores já enfrentam uma inflação em alta.

Não há mais dúvidas, o principal responsável por essa turbulência econômica é o presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald John Trump. Desde 1º de fevereiro de 2025, quando instaurou uma política agressiva de tarifas de importação, iniciou-se uma guerra comercial sem precedentes.

O problema não se limita ao aumento das tarifas protecionistas, mas ao sofrimento econômico que essa medida impõe a economia mundial. Os desempregados tornaram-se as maiores vítimas dessa insensata guerra comercial. O desemprego está aumentando no mundo, especialmente entre os jovens recém-formados que estão saindo das universidades e faculdades e não estão conseguindo encontrar seu primeiro emprego no mercado de trabalho.

O protecionismo dos EUA atinge países vizinhos, como Canadá e México, além de nações distantes, como Brasil, China e Japão. Pela primeira vez na História da economia global, os EUA, a maior economia do mundo em termos de PIB nominal e a maior potência militar do planeta, ameaçaram mais de 180 países com tarifas de importação.

Em pronunciamento nos jardins da Casa Branca, o presidente Trump celebrou o chamado “Dia da Libertação”. Para mim, o dia 2 de abril de 2025 será lembrado como o dia do horror econômico no mundo. Sua política tributária revelou-se feroz e destrutiva.

Essa guerra comercial representa os interesses de empresários bilionários aliados ao presidente Trump nos EUA, além de refletir a influência de correntes ideológicas de extrema-direita em diversos países. Eles minam os princípios que sustentam o livre comércio entre as nações, ignorando a ideia defendida por Adam Smith (1723-1790) de que a liberdade de mercado é um dos motores da prosperidade global.

A destruição dessa prosperidade econômica global não se reflete apenas em números, mas no cotidiano de populações que enfrentam a escassez de produtos básicos, queda no poder de compra e o aumento da pobreza. O livre comércio perde lugar ao protecionismo e ao nacionalismo econômico desenfreado.

É urgente defender o livre comércio entre as nações dos cinco continentes. Países desenvolvidos, emergentes e pobres precisam exportar e importar bens com liberdade. O livre comércio é o caminho mais sensato para superar os efeitos dessa devastadora guerra comercial.

Ontem, em entrevista à CNN Brasil, diretamente de Washington, o deputado federal Eduardo Bolsonaro alertou que o Brasil pode ser expulso do sistema SWIFT por determinação de Donald Trump. A medida, se concretizada, representaria um ataque direto à soberania financeira brasileira.

Desde 1973, o sistema Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (SWIFT) é essencial para operações bancárias internacionais, como exportações, importações e transferências globais. Sem acesso a uma rede de comunicação segura que permite que instituições financeiras troquem mensagens padronizadas sobre transações internacionais, o Brasil ficaria praticamente isolado do sistema financeiro mundial. Os impactos seriam devastadores para o comércio exterior e para os bancos nacionais.

A exclusão do sistema Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (SWIFT, em inglês) já foi usada pelos EUA e seus aliados como forma de sanção econômica contra países como Irã, Rússia e Coreia do Norte. No caso do Brasil, as justificativas estariam relacionadas ao crescimento do grupo BRICS e a sua defesa da desalorização da economia no Sul Global, como também, a reação negativa do Brasil as tarifas de 50% dos produtos importados pelos EUA, a partir de 1 de agosto de 2025, anunciado por carta pelo presidente Trump na Casa Branca.

A retaliação dos EUA apoiada pela família Bolsonaro mostra uma escalada nas tensões entre Brasília e Washington, com forte componente político, ideológico e econômico. Trata-se de uma medida extrema e unilateral, com implicações graves a economia brasileira. O risco é de aprofundamento da guerra comercial entre os dois países.

As consequências práticas seriam severas para a economia brasileira, como a fuga de capitais, desvalorização do real em relação ao dólar americano, inflação em alta, aumento da taxa de juros, elevação do risco-país e dificuldade para o Banco Central do Brasil gerenciar reservas cambiais. Empresas exportadoras e bancos brasileiros com atuação internacional seriam diretamente prejudicados.

Com a saída do Brasil do SWIFT, o país mais rico e mais populoso da América Latina, precisaria buscar alternativas, como o sistema CIPS da China ou novas parcerias estratégicas. A diversificação de canais financeiros seria essencial para reduzir a dependência do SWIFT. O momento é muito tenso e preocupante, poderá gerar falências e elevado desemprego nas cinco regiões do país.

Diante dessa nova ameaça, o Brasil deve fortalecer sua posição internacional, denunciar qualquer sanção econômica abusiva e reforçar sua diplomacia multilateral. A retirada do SWIFT seria um ataque sem precedentes a um país democrático desde 1985.

É fundamental preservar a estabilidade financeira e proteger os interesses brasileiros. A soberania do Brasil não pode ser refém de decisões políticas e ideológicas de líderes estrangeiros. Cabe ao governo brasileiro, o Congresso Nacional, as empresas, os banqueiros e a sociedade civil reagir com firmeza, estratégia e união contra a guerra comercial.

A guerra comercial afeta negativamente o comércio justo e livre na economia mundial, pois o comércio justo foca na justiça social e econômica. Já o comércio livre foca na liberalização das trocas comerciais. Estamos numa guerra comercial (war trade) iniciada pelo presidente americano Donald Trump, em 1 de fevereiro de 2025, logo, suas ações, suas tarifas protecionistas, e suas cartas, são no sentido do fim do livre comércio (free trade) na economia global. 

Portanto, prepare-se, pois os próximos cinco meses prometem uma turbulência econômica sem precedentes, e o custo de vida poderá aumentar exorbitantemente, com sérias dificuldades de pagar as contas de água, luz, telefone, celular, internet e realizar compras no supermercado, na padaria e na farmácia.

Finalizando, entramos na era da incerteza econômica, sem previsão de término. Dias de horror econômico no mundo. Logo, não haverá vencedores nem vencidos nessa guerra comercial, apenas perdedores.

(1) Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro. Eleito Economista do Ano 2019 e Professor de Economia do Ano 2023 na Paraíba pelo CORECON-PB. Autor de 18 e-books de Economia e de autor e co-autor de mais de 360 artigos de Economia. Chave PIX para doações em reais: 738.451.244-15 (CPF).

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