24/07/2025 às 07h33min - Atualizada em 24/07/2025 às 07h30min

O agronegócio brasileiro apoia o Acordo de Livre Comércio entre Canadá e MERCOSUL

Por Paulo Galvão Júnior (1)

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Estimados leitores lusófonos do Portal North News, em tempos de guerra comercial com os EUA, torna-se essencial buscar novos acordos de livre comércio que respondam aos desafios do cenário internacional e ampliem as oportunidades comerciais para o Brasil, como também, para o Canadá.

Recentemente, durante visita à reitora Terezinha Domiciano, da UFPB, presenteei a biblioteca central do Campus I com o livro “Investimentos no Agronegócio: Como investir em ativos financeiros do agro brasileiro?” (2024), publicado pela Editora Ciência Capital, reforçando a importância estratégica do setor como motor do crescimento econômico do Brasil. Também compartilhei, via WhatsApp, mais de 15 e-books de Economia, entre os quais destaco “O Canadá” (2022), da Editora UNIESP, com treze artigos sobre desenvolvimento humano, imigração e relações bilaterais Brasil e Canadá; e “A Importância do Canadá no G7 e G20” (2024), disponível na plataforma Doppus, com treze artigos que analisam o papel canadense nos principais fóruns econômicos internacionais.

A possível celebração de um Acordo de Livre Comércio entre Canadá e MERCOSUL surge como resposta concreta às tarifas impostas pelos EUA, que têm prejudicado a competitividade canadense e sul-americana, especialmente a brasileira. Fortalecer laços comerciais com o Canadá significa ampliar horizontes e consolidar a economia brasileira no cenário global.

A partir de 1º de agosto de 2025, o Brasil será alvo de uma tarifa de importação de 50% sobre todos os produtos exportados para os EUA, a maior alíquota entre os 24 países e a UE notificados pelo presidente Donald Trump. Simultaneamente, o Canadá enfrentará uma tarifa de 35% sobre os bens exportados para seu vizinho, como parte da mesma política de retaliação comercial. As novas alíquotas foram comunicadas por meio de cartas oficiais enviadas aos respectivos chefes de governo e de Estado, com justificativas político-ideológicas e alegações de práticas comerciais desleais.

Essas tarifas sendo elevadas têm potencial para afetar profundamente setores estratégicos como o agronegócio, a indústria de transformação, o comércio eletrônico e as empresas exportadoras de todos os portes no Brasil e no Canadá. Além disso, repercutem diretamente na cadeia produtiva norte-americana, encarecendo peças, componentes e insumos antes importados com isenção ou baixa tributação, o que pressiona a indústria local e eleva os preços ao consumidor nos 50 estados americanos.

Os efeitos da guerra comercial já são perceptíveis no cotidiano dos americanos, como alta nos preços de alimentos, bebidas, carros, smartphones e eletrônicos; queda na confiança do consumidor; e recuo nas vendas do varejo. A guerra comercial não apenas tensiona as relações internacionais, mas também impacta negativamente o poder de compra das famílias e o crescimento econômico dos EUA, a maior economia do mundo, com um PIB nominal de US$ 29,167 trilhões em 2024, segundo o FMI.

O MERCOSUL é composto atualmente por cinco países-membros, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Em 2024, o bloco econômico realizou rodadas de negociação com o Canadá visando a celebração de um acordo de livre comércio. Essas tratativas refletem o interesse mútuo em fortalecer os laços comerciais entre o bloco sul-americano e um país membro do G7 e do G20, com foco na redução de tarifas, facilitação de investimentos e promoção de práticas sustentáveis.

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, representando cerca de 24% do PIB, mais da metade das exportações e empregando diretamente quase 19 milhões de trabalhadores. Com uma produção diversificada, como soja, milho, café, açúcar, algodão, carnes, frutas tropicais, suco de laranja, etanol, peixes, papel e celulose, o setor se destaca pela adoção de tecnologia e práticas sustentáveis.

Para o Brasil, o interesse canadense em negociar com o MERCOSUL representa uma oportunidade altamente promissora. Ao buscar reduzir sua dependência econômica dos EUA e ampliar parcerias comerciais estratégicas, o Canadá enxerga no bloco sul-americano um parceiro confiável, dinâmico e alinhado com os princípios do livre comércio.

As tratativas confirmadas pelo ministro canadense Maninder Sidhu, do Ministério do Comércio Internacional, reforçam esse caminho de cooperação bilateral. Como economista paraibano formado pela UFPB e autor de mais de 200 artigos publicados no Portal North News, em Toronto, venho defendendo publicamente e internacionalmente a celebração do Acordo de Livre Comércio Canadá–MERCOSUL. A proposta prevê a redução de tarifas de importação sobre produtos, como café, açúcar, frutas tropicais, carne bovina e soja, ampliando o acesso a um mercado com alto poder aquisitivo.

Os EUA são atualmente o segundo principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Com a elevação da tarifa de importação de 10% para 50%, os impactos econômicos serão severos. Segundo estudo da FIEMG, essa medida poderá provocar uma queda de R$ 259 bilhões no PIB brasileiro (-2,21%) a longo prazo e a eliminação de 1,9 milhão de empregos, com retaliação do Brasil de 50%, afetando diretamente setores como agronegócio, siderurgia, aeronáutica, sucos, pescado e bens manufaturados.

Já um estudo elaborado por representantes do agronegócio brasileiro aponta um impacto de quase US$ 6 bilhões com as tarifas protecionistas de Trump, caso a alíquota de 50% seja aplicada a partir de 1º de agosto. É preciso revelar também que em 2024, as empresas dos EUA foram o maior investidor estrangeiro na economia brasileira, com um estoque de IED superior a US$ 300 bilhões. Esse volume representa um terço de todo IED no país, segundo a AMCHAM Brasil.

Outros estudos indicam que o Brasil poderá aumentar suas exportações agropecuárias e gerar cerca de 18 mil novos empregos com o futuro acordo Canadá–MERCOSUL. Segundo a CNA, o acordo poderá gerar um acréscimo de até US$ 7,8 bilhões nas exportações do agronegócio brasileiro.

Canadá e Brasil são duas economias relevantes na América e no mundo. O Canadá ocupa a 9ª posição entre as maiores economias do planeta, com PIB nominal de US$ 2,214 trilhões em 2024. O Brasil figura como a 10ª maior economia global, com US$ 2,179 trilhões, segundo o FMI. A proximidade entre os dois países no ranking econômico reforça o potencial de cooperação bilateral em áreas como agronegócio, energia limpa, tecnologia, mineração, turismo e educação. Estudar essas relações permite identificar oportunidades estratégicas de comércio, P&D, inovação e investimentos.

Apesar de ocupar a 87ª posição no ranking global de renda per capita, com US$ 14.615, de acordo com o FMI, o Brasil poderá avançar no PIB per capita mundial, com medidas voltadas à competitividade, produtividade, inovação tecnológica, qualificação da mão de obra, inclusão social e comércio exterior. No contexto paraibano, as exportações do agronegócio têm ganhado destaque, especialmente açúcar, suco de frutas, pescados e móveis de madeira. Segundo o Comex Stat do MDIC, a Paraíba exportou US$ 35 milhões FOB em 2024 para os EUA e US$ 15 milhões FOB para o Canadá.

Apesar dos sucessivos déficits comerciais registrados desde 2019, o estado da Paraíba possui potencial para mudar esse cenário por meio do fortalecimento de empresas agroexportadoras estrategicamente localizadas no Nordeste, com capacidade crescente de acesso ao mercado canadense. Para que essa transformação ocorra, é essencial que famílias, empreendedores e investidores privados intensifiquem os aportes no agronegócio brasileiro.

O acordo MERCOSUL–Canadá representará uma oportunidade concreta para ampliar o acesso dos produtos paraibanos ao mercado canadense, valorizando práticas sustentáveis, agregando valor à produção e estimulando a diversificação da pauta exportadora estadual. O futuro acordo poderá favorecer a atração de investimentos e consolidar a Paraíba como plataforma agroindustrial estratégica no Nordeste.

Concluindo, a 8 dias do prazo estipulado por Donald Trump, o cenário é extremamente desafiador. Diante da escalada tarifária imposta pelos EUA, torna-se indispensável promover um diálogo transparente e estratégico entre os setores público e privado, visando negociações bilaterais. Essa conversa precisa ser pautada por dados, cooperação e visão de curto, médio e longo prazo, para enfrentar os impactos da guerra comercial com responsabilidade até o fim do segundo mandato de Trump. E, sobretudo, celebrar novos acordos de livre comércio com o Canadá, o México e a ASEAN, o mais breve possível.

(1) Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência, e autor de 18 e-books de Economia, entre eles, O CANADÁ! (2022) e A IMPORTÂNCIA DO CANADÁ NO G7 E G20 (2024). Acesse o link para comprar o e-book de 2024: https://paulogalvaojunior.com.br/canada/. WhatsApp +55 (83) 98122-7221.

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