26/07/2025 às 21h54min - Atualizada em 26/07/2025 às 20h45min

105 anos de Celso Furtado: Em defesa do Brasil diante do tarifaço de Trump

Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Hoje, Celso Monteiro Furtado completaria 105 anos. Numa noite chuvosa, escrevo direto da Paraíba, em defesa do Brasil diante do tarifaço de Trump.

Neste 26 de julho de 2025, celebramos os 105 anos de nascimento do economista paraibano Celso Monteiro Furtado (1920-2004), nascido em Pombal, na mesorregião do Sertão Paraibano. Seu legado é marcado por um pensamento nacionalista que permanece atual e urgente. 

Celso Furtado afirmou: “Não há desenvolvimento verdadeiro sem soberania nacional”.

À luz dessa lição, manifesto meu veemente repúdio ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald John Trump, que prevê a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025.

Essa medida é unilateral, protecionista e hostil. Fere os princípios do livre-comércio, agride diretamente a economia brasileira e penaliza empresas, trabalhadores, consumidores, e acima de tudo, a soberania nacional.

A decisão rompe laços históricos de 201 anos entre Brasil e EUA, revelando um projeto de dominação comercial que busca manter os países em desenvolvimento, economias emergentes, em posição subalterna. É uma postura que despreza a cooperação internacional e ignora o esforço coletivo de integração produtiva construído com trabalho, inovação, inteligência e responsabilidade por brasileiros das cinco regiões do país.

Neste contexto desafiador, torna-se essencial revisitar o pensamento nacionalista de Celso Furtado, que sempre defendeu um projeto de desenvolvimento autônomo, pautado na valorização da produção nacional, na redução das desigualdades regionais e sociais, e no enfrentamento das estruturas de dependência externa.

Furtado soube denunciar, com clareza e coragem, os mecanismos de dominação econômica impostos pelas nações centrais às periféricas em sua época. Defendeu políticas públicas comprometidas com os interesses do povo brasileiro e com a construção de uma economia soberana.

Faltam seis dias para o tarifaço de Trump. O Brasil não pode aceitar em silêncio essa guerra comercial. É hora de unidade nacional em defesa do nosso agronegócio, da nossa indústria, dos nossos exportadores, dos nossos trabalhadores, dos nossos consumidores e, sobretudo, na construção de um modelo de desenvolvimento soberano, justo, próspero e sustentável.

Conclamamos as autoridades brasileiras, os setores produtivos, as cooperativas e a sociedade civil a se posicionarem com firmeza contra o tarifaço de Trump. Que ecoe, com urgência renovada, a lição do Professor Celso Furtado: “Não há desenvolvimento verdadeiro sem soberania nacional”.

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