06/08/2025 às 14h36min - Atualizada em 06/08/2025 às 14h34min

O menor patamar da taxa de desemprego no Brasil desde 2012

Paulo Galvão Júnior (1)

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Fonte: IBGE, PNAD Contínua.

Estimados leitores lusófonos do Portal North News, a taxa de desemprego é um dos principais termômetros da situação socioeconômica de um país. No Brasil, esse indicador é mensurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este artigo analisa a evolução da taxa de desocupação entre os trimestres móveis de janeiro-fevereiro-março de 2012 até abril-maio-junho de 2025, destacando os principais movimentos do mercado de trabalho brasileiro, os impactos de crises econômicas e sanitárias, e as projeções para os próximos trimestres de 2025, com atenção especial à região Nordeste.

Segundo a metodologia da PNAD Contínua, "o desemprego se refere às pessoas com idade para trabalhar que não estão trabalhando, mas estão disponíveis e tentam encontrar trabalho". Portanto, é calculado pela PNAD Contínua, o contingente de pessoas consideradas desempregadas, ou seja, as pessoas que não estavam trabalhando na semana de pesquisa do IBGE, elas estavam disponíveis para trabalhar e tomaram alguma ação efetiva para conseguir emprego nos 30 dias anteriores.

A taxa de desemprego é calculada como a proporção de pessoas desocupadas em relação à população economicamente ativa (PEA) do país.

A breve análise dos dados históricos do IBGE mostra uma trajetória marcada por oscilações. Revelam que entre o final de 2012 (6,9%) e o término de 2014 (6,6%), o Brasil manteve relativa estabilidade, com taxa média de 6,5% ao ano, refletindo um período de crescimento econômico moderado e políticas de estímulo ao emprego formal.

A partir de fevereiro de 2015 (7,5%), inicia-se uma trajetória de alta, impulsionada por crises políticas e recessões econômicas, encerrando em março de 2017 (13,9%).

Ocorreu uma leve recuperação em fev-mar-abr de 2017 (13,7%) até o final de 2017 (11,7%). A recuperação gradual começa no final de 2022 (7,9%), com quedas graduais e sustentadas, até atingir 5,8% em abr-mai-jun de 2025, o menor patamar desde 2012.

Essa trajetória não foi linear, com avanços e retrocessos na desocupação, que evidenciam a vulnerabilidade do mercado de trabalho nas cinco regiões do Brasil a choques externos e instabilidades internas.

No primeiro trimestre de 2023, a taxa de desocupação era de 8,8%. Caiu no primeiro trimestre de 2024 para 7,9%, outra queda para 7,0% no primeiro trimestre de 2025, o menor índice do primeiro trimestre dos últimos 14 anos.

O Quadro 1 apresenta os principais indicadores-chave do mercado de trabalho brasileiro entre 2012 e 2025:

Quadro 1. Indicadores-chave do mercado de trabalho no Brasil (2012-2025)

Indicador

Brasil

Menor taxa de desemprego

5,8%

Maior taxa de desemprego

14,9%

Média do período 2012-2024

9,4% ao ano

Número de desempregados

6,3 milhões

Número de ocupados

102,3 milhões

Número de desalentados

2,8 milhões

Número de informais

38,7 milhões

Trabalhadores por conta própria

25,8 milhões

Fonte: IBGE, PNAD Contínua.

Esse resultado de menor taxa de desemprego de 5,8% representa um marco histórico. A queda da taxa de desocupação está associada à retomada econômica, à expansão do consumo e à geração de empregos em setores como agropecuária, indústria e serviços. Essa é a terceira queda consecutiva no ano de 2025.

O pico da maior taxa de desemprego no Brasil ocorre no primeiro trimestre de 2021, com 14,9%, durante a pandemia da COVID-19.

A média de 9,4% ao ano ao longo do período 2012-2024 revela um mercado de trabalho instável e desigual. Essa taxa reflete a oscilação do mercado de trabalho ao longo do período, marcado por momentos de estabilidade (como entre 2012 e 2014), crises econômicas (2015-2017), o impacto da pandemia da COVID-19 (2020-2021), e a recuperação gradual observada a partir de 2022.

As regiões Nordeste e Norte apresentam taxas de desocupação mais elevadas, refletindo desigualdades estruturais em acesso à educação, infraestrutura e oportunidades econômicas. Em contraste, Sul e Centro-Oeste registram índices mais baixos, especialmente em momentos de recuperação econômica.

Segundo a PNAD Contínua, o Brasil registrou 6,3 milhões de pessoas desempregadas no segundo trimestre de 2025. Esse número representa uma queda de 1,2 ponto percentual em relação a taxa de desocupação de 7,0% do trimestre passado.

Jovens entre 14 e 17 anos enfrentam taxas de desemprego superiores a 25%, dificultando sua inserção no mercado formal. As mulheres também são mais afetadas, com maior informalidade e menor remuneração salarial média, situação agravada durante a pandemia da COVID-19, sobretudo entre mães solo e trabalhadoras do setor de serviços.

Setores econômicos tiveram impactos distintos ao longo dos últimos treze anos. A indústria sofreu retração entre 2015 e 2016, com fechamento de fábricas e demissões em massa. O setor de serviços, embora resiliente, foi duramente atingido pela pandemia da COVI-19, sobretudo, o turismo. Já a agropecuária manteve relativa estabilidade, com menor impacto sobre o emprego formal.

O cenário ainda apresenta desafios estruturais. A informalidade permanece elevada, com 38,7 milhões de trabalhadores atuam sem carteira de trabalho assinada, sem proteção previdenciária ou garantias legais.

Contudo, uma nova ameaça paira sobre o mercado de trabalho brasileiro, a entrada em vigor, hoje, das tarifas de importação de 50% impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) sobre produtos brasileiros.

O tarifaço de Trump afeta diretamente setores estratégicos da exportação nacional, como café, açúcar, frutas tropicais, suco de abacaxi, carne bovina, peixes, calçados, máquinas agrícolas e plásticos.

O impacto dessas medidas protecionistas poderá ser especialmente severo na região Nordeste, onde uma parte significativa da produção agrícola e de bens manufaturados depende das exportações para os EUA. Os nove estados nordestinos concentram empresas exportadoras que podem sofrer queda na demanda externa, redução de receita e, diminuição dos lucros, consequentemente, cortes de postos de trabalho.

As projeções para o trimestre maio-junho-julho até outubro-novembro-dezembro de 2025 indicam uma taxa de desemprego superior a 8,0% no final de 2025.

A maior preocupação é que o avanço recente na redução do desemprego no Brasil seja comprometido por essa guerra comercial, iniciada pelo presidente americano Donald Trump, agravando ainda mais a situação de trabalhadores informais e, principalmente, dos desempregados a retornarem ao mercado de trabalho cada vez mais competitivo, cada vez mais globalizado.

Provavelmente a taxa de desemprego subirá com o tarifaço de Trump, sobretudo nos estados nordestinos, que lideram o ranking nacional, como Pernambuco, Bahia, Piauí e Rio Grande do Norte. Com certeza, região Nordeste continua sendo a mais vulnerável a choques econômicos, como o recente tarifaço dos EUA, que pode agravar ainda mais esses elevados índices de desocupação.

O agronegócio nordestino, que vinha sustentando parte da recuperação econômica regional, corre o risco de desaceleração abrupta, agravando ainda mais a situação de trabalhadores formais e informais.

A redução da taxa de desemprego para 5,8% é um avanço relevante, mas não suficiente para garantir um mercado de trabalho justo e sustentável. A alta informalidade, com 38,7 milhões de pessoas; o elevado número de desalentados, com 2,8 milhões de pessoas; como também, a elevada dependência de programas sociais, cerca de 60 milhões de brasileiros dependem do programa Bolsa Família mensalmente, o que revela a persistência de altos níveis de pobreza. Esses dados são preocupantes para os rumos da economia brasileira.

Concluindo, transformar essa recuperação quantitativa em melhoria qualitativa exige políticas públicas eficazes, valorização profissional, acesso à educação de qualidade e redução das desigualdades regionais e sociais.

A queda do desemprego no Brasil é um sinal positivo, mas o verdadeiro progresso será medido pela inclusão produtiva e pela dignidade no trabalho, sobretudo com mais brasileiros ocupados, protegidos e com renda adequada.

(1) Economista brasileiro em busca de oportunidade de trabalho online na capital paraibana. WhatsApp: +55 (83) 98122-7221.

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