10/08/2025 às 16h28min - Atualizada em 10/08/2025 às 16h11min

Um Pai, Um Mestre, Um Verdadeiro Cidadão do Mundo

Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Fonte: SENAR-PB.

Neste Dia dos Pais, no Brasil, escrevo com emoção, gratidão e profundo orgulho para homenagear um homem cuja história de vida é, por si só, uma verdadeira aula: Paulo Francisco Monteiro Galvão, meu pai. Aos 78 anos, ele continua sendo um exemplo de sabedoria.

Hoje visitei painho, que mora na Avenida Dom Pedro I, no Centro Histórico de João Pessoa, ao lado da sua esposa Socorro e do meu irmão caçula, Eduardo Galvão. Cercado por livros, sua casa abriga mais de mil volumes, acumulados ao longo de décadas de leitura, estudo, trabalho e paixão pelo conhecimento. 

Sociólogo por formação, poliglota por essência, educador por vocação. Fala fluentemente inglês e francês, com domínio avançado de alemão, espanhol e italiano. Não apenas aprendeu idiomas, ele mergulhou nas culturas que os moldam como um intelectual incansável. Sua trajetória acadêmica impressiona: quatro graduações, três mestrados e um doutorado. Ele sempre movido pela fome de saber e pela humildade de quem reconhece que o aprendizado é infinito.

Professor universitário aposentado da UFPB, é grande amigo da atual reitora, professora Terezinha Domiciano, com quem trabalhou no Campus III, em Bananeiras. Atuou como docente em diversas instituições de ensino superior, públicas e privadas, orientando dezenas de alunos com dedicação exemplar em suas monografias. Seu impacto, no entanto, transcende a sala de aula, sempre incentivou a leitura como instrumento de liberdade e pensamento crítico.

Viajou por 23 países em quatro continentes: Suíça, Kuwait, Líbano, Grécia, Países Baixos, Alemanha, Itália, Vaticano, Inglaterra, Israel, Zaire, África do Sul, Chile, Egito, EUA, México, Nigéria, Senegal, Espanha, Portugal, França, Paraguai e Argentina. Em sua vasta carreira, teve oportunidades de realizar diversas viagens profissionais, como segundo superintendente do Promexport da Paraíba ou representante da Paraíba na exportação de abacaxi.

Sua primeira viagem internacional foi à Suíça, onde morou em Genebra como estudante e se encantou com a organização e as belezas naturais do país. Também viveu em Nova York e Tel-Aviv, onde teve experiências profissionais marcantes.

Na maior metrópole dos EUA, foi aluno do Curso de Promoção de Exportação no World Trade Center (WTC) e estagiário no Terminal da América Latina, no Porto de Nova York e de New Haven, na época o maior porto do mundo. No alto das emblemáticas torres gêmeas do WTC, muito antes de sua destruição nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, ele conheceu a Big Apple. Ter estado na Torre 1, não como turista, mas como parte daquele ambiente, confere à sua trajetória um peso histórico. Ele testemunhou o crescimento do comércio internacional em plena Guerra Fria, como também, participou sempre defendendo o livre comércio entre as nações.

Na Terra Santa, papai conheceu Belém, Nazaré, Jerusalém, Tiberíades e outras cidades sagradas onde Jesus deixou seus ensinamentos cristãos. Além da vivência espiritual, teve a oportunidade de estudar sobre cooperativismo na renomada Universidade de Tel-Aviv, enriquecendo ainda mais sua trajetória intelectual.

Teve ainda o privilégio de ver a Rainha Elizabeth II em Londres, montada a cavalo e vestida com uniforme do Exército durante uma parada militar. Além de conhecer pessoalmente a Grande Esfinge de Gizé e as Pirâmides de Gizé no Egito. Sua última viagem internacional foi à Argentina, com a minha saudosa mãe, e um casal de amigos do então Balcão da Economia, no qual foi o seu primeiro diretor-presidente, encerrando fisicamente um ciclo de deslocamentos e descobertas por quatro continentes.

Apesar de ter explorado mais de 20 países, um sonho permaneceu guardado, conhecer a linda e histórica Áustria, terra de Mozart, Beethoven, Strauss e Freud. Sonhava em caminhar pelas ruas de Viena, onde a História pulsa em cada esquina. Respirar o ar dos Alpes austríacos. Queria conversar em alemão sobre o antigo Império Austro-Húngaro e a Princesa Leopoldina, a primeira Imperatriz do Brasil. Se deliciar nos cafés vienenses. Ouvir valsas ao entardecer e beber da rica cultura que moldou gênios da música e da psicanálise.

Embora tenha morado no país vizinho, a Suíça, e visitado dois países vizinhos, a Itália e a Alemanha, faltou esse encontro com a Áustria, um país europeu que representa a profundidade intelectual e a beleza natural em perfeita harmonia.

Hoje, enfrenta uma fase de saúde muito complicada, que exige cuidados diários, sem condições de viajar para Áustria nem para Bananeiras, nas comemorações dos 30 anos do Curso de Administração, no Campus III, no qual foi o primeiro coordenador do curso. Esses cuidados são oferecidos com amor e atenção por sua companheira de vida, Socorro, enfermeira por profissão, cuidadora por amor. Ela permanece firme ao seu lado, com ternura, generosidade e presença nos momentos mais delicados.

Apesar das sérias limitações físicas, seu espírito permanece vibrante e cheio de vida. Emociona-se ao assistir na televisão às notícias do SINE-PB, instituição da qual foi o primeiro superintendente na Paraíba, desde sua fundação em 1 de maio de 1975. Relembra com orgulho esse marco em sua trajetória pública. Também se comove ao ouvir Frank Sinatra, sua trilha sonora favorita e vibra com seus times do coração, o Auto Esporte Clube, da Paraíba, e o Fluminense, do Rio de Janeiro. Mantém-se atento aos rumos do Brasil e do mundo pela TV a cabo, alternando entre canais estrangeiros e brasileiros.

Além de pai de dois filhos, é avô de duas netas lindas e inteligentes, que hoje vivem com seus esposos em países desenvolvidos, representando a continuidade de seu legado. Pamella vive há mais de dois anos em Montreal, no Canadá, ao lado do marido Humberto. Priscilla iniciou há quatro semanas uma nova fase em Matosinhos, Portugal, ao lado do marido Gabriel.

Pai, neste Dia dos Pais, peço perdão pelos erros que cometi ao longo da vida, vários deles te fizeram sofrer e chorar. Peço também paciência pelas escolhas que talvez não tenham lhe agradado. Não foi fácil lidar com a separação dos pais, ausência diária desde 1986, em Manaíra, ainda adolescente, quase 40 anos sem o seu convívio cotidiano, sem café da manhã, sem almoço, sem jantar, sem aulas particulares, sem festas de aniversário, sem Natal, sem Réveillon. Foram decisões tomadas por outros, em momentos nos quais eu não tive voz nem escolha.

Hoje, carrego comigo a dor da ausência e a tristeza pelo falecimento de mainha, cujo velório coincidiu com o dia do seu aniversário, 28 de junho, uma data que deveria ser de celebração, mas que se tornou o mais difícil da minha vida. As lágrimas ainda não cessaram, a dor da perda de um ente querido é eterna.

Todavia, a vida continua, ao lado de Núbia, nos Expedicionários. E a luta é intensa diante dos desafios do mundo na atualidade, como a guerra comercial iniciada por Trump e as mudanças climáticas que impactam os seis continentes. A Oceania e a Antártida, os dois continentes que papai não teve a oportunidade de conhecer em suas viagens a trabalho, estão entre os mais afetados pelo aquecimento global, enfrentando mudanças do clima intensas e transformações ambientais profundas.

Com certeza, um pai é uma pessoa especial, é alguém para se orgulhar. O Professor Paulo Francisco Monteiro Galvão é meu Pai, é meu Mestre, um Verdadeiro Cidadão do Mundo. Feliz Dia dos Pais. Obrigado por tudo, painho. Te amo com todo o meu coração. Desejo a você muita saúde! Health! Gesundheit! Salud! Santé! Salute! Com carinho e admiração, seu filho primogênito, Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior.

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