12/08/2025 às 06h13min - Atualizada em 12/08/2025 às 06h10min

O cooperativismo segue crescendo no estado da Paraíba entre 2019 e 2024

Por Paulo Galvão Júnior (1)

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

O cooperativismo é uma forma de organização econômica voltada para a geração de benefícios aos seus cooperados. Embora não tenha fins lucrativos no sentido empresarial tradicional, busca resultados econômicos sustentáveis para seus associados, promovendo a distribuição das sobras de maneira proporcional entre os membros da cooperativa.

O cooperativismo promove inclusão social, geração de emprego e renda, além de fomentar o desenvolvimento sustentável. Na Paraíba, esse modelo organizacional tem demonstrado notável resiliência e capacidade de adaptação, mesmo diante de cenários adversos, como a pandemia da COVID-19 e os efeitos das mudanças climáticas.

Ao longo do período de 2019 a 2024, os dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras (Sistema OCB), revelam uma trajetória de consolidação e expansão, com impactos positivos sobre a economia paraibana.

Quadro 1. A evolução do cooperativismo na Paraíba entre 2019 e 2024

Ano

Cooperativas

Cooperados

Empregados

Ingressos

2019

115

49.134

926

R$ 2,085 bilhões

2020

101

64.684

3.130

R$ 1,927 bilhão

2021

88

67.949

2.822

R$ 2,123 bilhões

2022

91

77.346

2.850

R$ 2,772 bilhões

2023

92

99.961

3.690

R$ 2,712 bilhões

2024

78

114.602

4.302

R$ 3,536 bilhões

Fonte: Sistema OCB, Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025.

Entre 2019 e 2024, o número de cooperativas no estado da Paraíba caiu de 115 para 78, uma redução de 32,17%. Embora à primeira vista esse dado possa revelar retração de 37 cooperativas, a realidade é mais complexa. Essa diminuição pode estar relacionada a processos de fusão, encerramento de atividades econômicas ou maior rigor regulatório.

O que se observa, no entanto, é que as cooperativas remanescentes se tornaram mais estruturadas, eficientes e resilientes, indicando uma tendência de concentração e fortalecimento institucional. A redução quantitativa não comprometeu o avanço do cooperativismo, pelo contrário, sinaliza uma maturação do setor cooperativista no estado.

O número de cooperados saltou de 49.134 em 2019 para 114.602 em 2024, representando um crescimento de 133,24%. Esse acréscimo de 65.468 novos cooperados revela a crescente atratividade do modelo cooperativista, especialmente em tempos de instabilidade econômica.

A ampliação da base de cooperados sugere maior capacidade de atendimento, inclusão produtiva e confiança nas cooperativas como agentes de transformação social. O cooperativismo paraibano, portanto, está mais presente na vida das pessoas e mais conectado às demandas locais.

O número de empregados vinculados às cooperativas aumentou de 926 em 2019 para 4.302 em 2024, ou seja, um crescimento relativo de 364,58%. Esse salto de 3.376 novos empregos diretos evidencia a consolidação do cooperativismo como um relevante gerador de empregos formais na Paraíba.

Os ingressos das cooperativas paraibanas evoluíram de R$ 2,085 bilhões em 2019 para R$ 3,536 bilhões em 2024, um aumento de 69,59%. Apesar de oscilações pontuais, como a queda em 2020 (R$ 1,927 bi) em decorrência da pandemia da COVID-19, e em 2023 (R$ 2,712 bi) possivelmente influenciada por fatores climáticos e econômicos, o cenário geral é de expansão de R$ 1,451 bilhão no período analisado.

O pico registrado em 2024 demonstra a capacidade de recuperação e crescimento do sistema cooperativista, com maior eficiência operacional, diversificação de receitas e geração de sobras. O cooperativismo paraibano está financeiramente mais robusto.

A profissionalização das cooperativas, a diversificação das atividades econômicas e a expansão nos sete ramos do cooperativismo (agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, transporte e trabalho, produção de bens e serviços - TPBS) contribuíram para esse avanço no território paraibano.

O setor cooperativista passou a oferecer oportunidades mais qualificadas, com impacto direto na economia paraibana. A diversidade dos ramos cooperativistas reflete a amplitude e a capilaridade do modelo no estado. Em 2024, a Paraíba contava com 24 cooperativas agropecuárias, 16 cooperativas de saúde, 12 cooperativas de crédito, 9 cooperativas do ramo TPBS, 8 cooperativas de transporte, 7 cooperativas de consumo e 2 cooperativas de infraestrutura.

Essa distribuição evidencia a predominância do setor agropecuário, seguido pela saúde e crédito, que juntos concentram mais da metade das cooperativas ativas no estado, ou seja, 66,66% do total. Em 2024, na Paraíba, o cooperativismo soma 114.602 cooperados em 78 cooperativas, gerando 4.302 empregos diretos e R$ 3,5 bilhões em ingressos, conforme o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025.

Os avanços registrados entre 2019 e 2024 apontam para um modelo econômico mais sustentável, competitivo e com elevado potencial de impacto social. Mesmo não estando presente nos 223 municípios do estado, as cooperativas paraibanas se consolidam como vetores estratégicos de desenvolvimento local, promovendo inclusão social, inovação tecnológica e sustentabilidade.

No contexto atual do  Ano Internacional do Cooperativismo, cujo lema é “Cooperativas constroem um mundo melhor”, a tendência para os próximos cinco anos aponta para a continuidade do crescimento do setor, com maior integração entre os diversos ramos cooperativistas, o fortalecimento das redes de cooperação nas zonas urbana e rural, e o surgimento de um novo ramo: o de seguros.

Nesse cenário promissor, torna-se urgente a ampliação do número de cooperativas do ramo TPBS na Paraíba. Essas cooperativas representam uma excelente alternativa para pessoas desempregadas ou em busca de novas oportunidades de trabalho formal, com carteira assinada, promovendo inclusão produtiva e geração de renda.

Concluindo, o cooperativismo paraibano, portanto, não apenas resiste às adversidades, como se reinventa e se fortalece, consolidando-se como um setor estratégico de desenvolvimento sustentável no estado da Paraíba.

(1) Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência, e autor de 18 e-books de Economia, entre eles, A IMPORTÂNCIA DO CANADÁ NO G7 E G20 (2024). Acesse o link para comprar o e-book: https://paulogalvaojunior.com.br/canada/. WhatsApp +55 (83) 98122-7221.

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