Estimado leitor lusófono do Portal North News, em 2024, o Canadá consolidou-se como o terceiro maior destino das exportações da Paraíba, movimentando US$ 18,3 milhões, o que correspondeu a 11,1% do total exportado pelo estado ao resto do mundo, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Esse desempenho expressivo chama atenção não apenas pelo valor absoluto, mas principalmente pela taxa de crescimento acumulada desde 2020, são impressionantes 293,1%. Poucos mercados apresentaram uma expansão tão acelerada no comércio exterior paraibano, revelando novas oportunidades e desafios estratégicos.
Tradicionalmente, os Estados Unidos da América (EUA) lideram as exportações da Paraíba, com US$ 35,8 bilhões no ano de 2024, quase o dobro do Canadá. Países europeus como Espanha e Portugal também figuram entre os cinco principais destinos dos produtos paraibanos. A ascensão do Canadá a um posto de destaque sinaliza uma diversificação geográfica das exportações estaduais, um movimento essencial para reduzir riscos e ampliar a competitividade.
Enquanto os EUA concentraram 21,6% das exportações paraibanas e a Espanha 11,5%, o Canadá posicionou-se logo em seguida, com 11,1%, quase equiparado aos espanhóis e à frente de Portugal (8,8%) e China (6,4%). Esses números evidenciam a crescente relevância do Canadá na balança comercial da Paraíba.
Embora os dados da ApexBrasil sejam claros, compreender a pauta exportadora é fundamental. O Canadá tem ampliado sua demanda por produtos agroindustriais, têxteis, calçadistas e minerais brasileiros, segmentos nos quais a Paraíba possui presença significativa no mercado canadense.
Entre os principais produtos paraibanos exportados para o Canadá destacam-se os açúcares de cana, calçados de borracha e plástico, sucos de abacaxi e granito. Esses itens refletem a vocação produtiva do estado e atendem diretamente às demandas canadenses por produtos tropicais, manufaturados e de alto valor agregado.
O potencial de complementariedade econômica é notável. O Canadá, país continental, bilíngue, com clima de rigoroso inverno, alto poder de consumo e abertura para produtos tropicais e manufaturados, encontra na Paraíba uma produtora de itens que se encaixam perfeitamente nesse perfil de mercado.
O crescimento exponencial das exportações para o Canadá não é apenas uma estatística favorável, ele traz implicações diretas para a economia paraibana. Novas parcerias comerciais significam diversificação da base exportadora, atração de investimentos canadenses e a possibilidade de acordos bilaterais que ultrapassam o comércio exterior, alcançando áreas como tecnologia, educação e turismo.
Além disso, a expansão no mercado canadense pode funcionar como uma porta estratégica de entrada para outros destinos na América do Norte, aproveitando a infraestrutura logística integrada e os acordos comerciais multilaterais firmados pelo Canadá, como o Acordo Canadá-Estados Unidos-México (CUSMA). Destaca-se, nesse contexto, o México como um parceiro especialmente relevante, sobretudo diante das tensões comerciais provocadas pela política tarifária protecionista adotada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra países como o Canadá, o México e o Brasil.
Os produtos paraibanos destinados à exportação para os EUA apresentam ampla diversidade e elevado valor agregado, com destaque para os sucos de frutas e vegetais, calçados, açúcares e melaços, materiais de construção (como cal, cimento, pedra, areia e cascalho), além do pescado inteiro (seja vivo, morto ou refrigerado). No entanto, esses itens enfrentam barreiras comerciais no mercado norte-americano. A imposição de uma alíquota de importação de 50% sobre esses produtos compromete a competitividade das empresas paraibanas. Diante desse cenário desafiador, torna-se imprescindível que exportadores e autoridades estaduais adotem estratégias para mitigar os impactos dessas restrições e promover a inserção dos produtos paraibanos em novos mercados.
Portanto, a consolidação do Canadá como terceiro maior parceiro comercial da Paraíba deve ser entendida como um convite à estratégia empresarial. É essencial que empresários, governos federal, estadual e municipal, fóruns de desenvolvimento e instituições de comércio exterior atuem em conjunto para aprofundar essa relação bilateral.
A promoção de rodadas de negócios, feiras internacionais, missões empresariais e entrevistas com empresários e economistas podem ampliar ainda mais a presença dos produtos paraibanos no mercado canadense. Logo, a sua contribuição será determinante para impulsionar, de forma ágil e estratégica, o aprofundamento do conhecimento sobre os dois mercados que compõem o continente americano.
O Canadá deixou de ser um destino secundário para as exportações da Paraíba e tornou-se um parceiro central. Seu crescimento de quase 300% em quatro anos demonstra a vitalidade dessa relação bilateral e aponta para um futuro promissor. Em um cenário global de incertezas, marcado pelas tarifas absurdas e protecionistas de importação dos EUA, a ampliação da presença paraibana no mercado canadense representa ganhos econômicos, como também, uma estratégia sólida e sustentável de inserção no comércio internacional.
(1) Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência, e autor de 18 e-books de Economia, entre eles, O CANADÁ! (2022) e A IMPORTÂNCIA DO CANADÁ NO G7 E G20 (2024). Acesse o link para comprar o e-book do ano de 2024: https://paulogalvaojunior.com.br/canada/. WhatsApp para entrevistas: +55 (83) 98122-7221.