09/10/2025 às 16h16min - Atualizada em 09/10/2025 às 17h15min

O retrato socioeconômico de um país populoso, emergente e desigual

Paulo Galvão Júnior

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Paulo Galvão Júnior - jornalnorthnews.com

Boa tarde, estimados leitores lusófonos do Portal North News, o Brasil ocupa a sétima posição entre os dez países mais populosos do mundo, com mais de 215 milhões de habitantes, segundo os dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

A República Federativa do Brasil é atualmente a décima maior economia do planeta, com um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de US$ 2,31 trilhões, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Brasil é uma nação emergente com papel relevante na geopolítica global nos dias atuais. Membro de agrupamentos internacionais estratégicos como o BRICS (Brazil, Russia, India, China and South Africa), o Grupo dos Vinte (G20) e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), o país sul-americano possui vastos recursos naturais, diversidade econômica e influência regional, todavia, enfrenta desafios estruturais que limitam seu crescimento econômico com inclusão social e sustentabilidade ambiental.

O Brasil desempenha um papel central no MERCOSUL, sendo o principal motor econômico do bloco. Com a maior economia entre os países membros, que incluem Argentina, Paraguai e Uruguai, em breve, a Bolívia, o Brasil responde por uma parcela significativa do PIB regional e exerce influência decisiva nas diretrizes de integração econômica, comercial e institucional do bloco sul-americano.

Além de sua relevância econômica, o Brasil ocupa atualmente a presidência rotativa do MERCOSUL, posição que lhe confere a responsabilidade de coordenar agendas estratégicas, propor iniciativas de cooperação econômica e liderar negociações externas em nome do bloco.

Entre os avanços recentes, destaca-se a possibilidade de um acordo de livre comércio com o Canadá, que está em fase de tratativas. Esse acordo comercial, se concretizado, poderá ampliar o acesso a um mercado de alta renda per capita, diversificar as exportações sul-americanas e fortalecer os laços comerciais entre o MERCOSUL e um dos países desenvolvidos do Grupo dos Sete (G7). A parceria com o Canadá também representa uma oportunidade de alinhar padrões regulatórios, promover investimentos bilaterais e estimular setores estratégicos como tecnologia, energia limpa, agronegócio e mineração.

No entanto, o Brasil ainda enfrenta obstáculos internos como elevada desigualdade social, baixa produtividade por trabalhador e desafios educacionais (9,1 milhões de pessoas analfabetas). Para consolidar sua posição internacional, é essencial investir em educação de qualidade, inovação tecnológica, infraestrutura logística sustentável, redução da desigualdade social e inclusão produtiva nos três setores da economia brasileira.

O perfil populacional brasileiro revela um cenário de profundas desigualdades sociais e econômicas, característico de uma economia emergente marcada por contrastes estruturais. A seguir, a Tabela 1 apresenta a decomposição da população brasileira segundo a categoria socioeconômica, em ordem decrescente, no ano de 2024:

Tabela 1. Decomposição da População do Brasil (2024)

   Categorias

    Quantidade (Nº de hab.)

Participação (%)

PBF

54.800.635

25,42

Formal

48.019.558

22,27

Informal*

28.005.939

12,99

Aposentados*

22.210.078

10,30

Crianças*

21.755.237

10,09

Funcionários Públicos

12.238.034

5,68

Demais pessoas**

13.517.280

6,27

Desocupados*

7.023.629

3,26

BPC*

5.289.181

2,45

Desalentados*

2.742.746

1,27

Total

215.602.317

100

Fonte: Elaboração a partir de dados da apresentação do Diretor-Executivo do Instituto Mauro Borges (IMB), Erik Figueiredo, sobre o Panorama Econômico no XXVI Congresso Brasileiro de Economia em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Notas: (*) Fora do PBF; (**) Fora da força de trabalho, indivíduos que não estão nos benefícios sociais.

A Tabela 1 apresenta a distribuição da população por categorias socioeconômicas. O dado mais expressivo é o contingente de 54,8 milhões de pessoas (25,42%) que dependem do Programa Bolsa Família (PBF) em 5.570 municípios brasileiros, evidenciando que um em cada quatro brasileiros sobrevive graças à transferência mensal e direta de renda federal. Esse número revela a amplitude da vulnerabilidade social e a insuficiência de políticas públicas capazes de gerar emprego formal e renda de forma sustentável.

O setor formal, com 48,0 milhões de pessoas (22,27%), representa uma parcela menor que a dos beneficiários do PBF, o que reforça a dualidade social: menos da metade da população brasileira está inserida em empregos com carteira assinada, enquanto a outra metade depende de assistência social ou atua em condições precárias.

O trabalho informal, que abrange 28,0 milhões de pessoas (12,99%), continua sendo uma válvula de escape para milhões de brasileiros excluídos do mercado formal. Essa massa de trabalhadores informais, geralmente sem acesso à previdência social ou proteção trabalhista, reflete a precarização estrutural do emprego no país.

A soma de aposentados (10,30%), beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) com 2,45%, desocupados (3,26%) e desalentados (1,27%) totaliza 37,2 milhões de pessoas (17,28% da população brasileira). Esse grupo depende direta ou indiretamente do Estado, seja por benefícios previdenciários, assistenciais ou pela ausência de ocupação produtiva, o que reforça o peso da proteção social na estrutura econômica do populoso Brasil.

O contingente infantil, com 21,7 milhões de crianças (10,09%), impõe desafios demográficos relevantes. Apesar da queda na taxa de fecundidade (atualmente, 1,53 filhos por mulher), o Brasil ainda possui uma população jovem significativa, que demanda políticas públicas eficazes em educação, saúde, nutrição e esporte.

Os funcionários públicos somam 12,2 milhões de pessoas (5,68%), com destaque para as esferas municipal e estadual. Embora essenciais para a prestação de serviços públicos, seu peso orçamentário exige constante equilíbrio diante das restrições fiscais.

Por fim, o grupo classificado como demais pessoas (6,27%) inclui indivíduos fora da força de trabalho e não beneficiários de programas sociais, representando uma parcela invisível nas estatísticas tradicionais, sem oportunidades, mas relevante para o entendimento da exclusão produtiva nas cinco regiões do Brasil, em especial, no Nordeste.

A decomposição da população brasileira revela um país onde a assistência social rivaliza com o emprego formal, e onde a informalidade e o desemprego coexistem com uma burocracia pública numerosa e uma previdência social sobrecarregada. Revela também que o Brasil é uma das sociedades mais desiguais do planeta. Em pleno século XXI, o maior desafio da economia brasileira é incluir produtivamente a população mais vulnerável socialmente.

Segundo estudos recentes da Oxfam Brasil, o Brasil figura simultaneamente entre as 10 maiores economias do mundo e entre as 10 nações mais desiguais do planeta, uma contradição estrutural que compromete seu potencial de desenvolvimento sustentável. Viver, estudar e trabalhar no sétimo país mais desigual do mundo, como apontam os indicadores mais recentes da Oxfam Brasil, significa conviver com barreiras sistêmicas que limitam oportunidades, perpetuam ciclos de pobreza e fragilizam a coesão social.

Para mudar, é necessário articular políticas sociais eficazes com estratégias produtivas que estimulem o emprego formal, os investimentos em segmentos econômicos sustentáveis e, sobretudo, a educação de qualidade, pois o conhecimento é o ouro do século XXI. Logo, o futuro do Brasil em plena Quarta Revolução Industrial dependerá da capacidade do Estado e da sociedade civil em reduzir a desigualdade social, combater à fome e à miséria e promover um desenvolvimento sustentável que alcance todos os brasileiros.

Concluindo, para que o secular e emergente Brasil alcance o status de país desenvolvido e continental, a exemplo do Canadá e da Austrália, é essencial investir também de forma integrada em saúde de qualidade, produtividade econômica com baixos tributos sobre a produção e o consumo e ampliação das exportações de produtos industrializados e de alta tecnologia.

(*) Economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba e apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência na capital paraibana. WhatsApp para entrevistas: +55 (83) 98122-7221.

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