08/11/2025 às 07h49min - Atualizada em 08/11/2025 às 09h32min

Wilson Cano: Um Seguidor de Celso Furtado e Autor Predileto de Walquíria Cybelle

Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior (*)

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Paulo Galvão Júnior - jornalnorthnews.com
Fonte: Patrícia Larrothiere.

1. Considerações Iniciais

O presente artigo tem por objetivo prestar uma singela e póstuma homenagem à economista paraibana Walquíria Cybelle Fernandes dos Santos (1982-2025). Seu falecimento aos 42 anos na capital paraibana, no dia 20 de outubro, provocou profundo pesar na comunidade acadêmica, entre os economistas e em todos os que tiveram o privilégio de conhecê-la, conviver com sua inteligência, sensibilidade e com o seu compromisso com a economia como instrumento de transformação social.

Tive a honra de conhecê-la durante a Primeira Feira de Livros de Economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), evento que marcou uma geração de estudantes, professores e economistas pela troca de ideias e pelo entusiasmo em torno do pensamento econômico nacional e internacional.

Naquele evento, atuei como primeiro assessor da presidência do Conselho Regional de Economia da Paraíba (CORECON-PB). Além de conhecer Walquíria como estudante de Economia da UFPB, tive também o prazer de dialogar com sua grande amiga da universidade, hoje, gerente geral do Banco do Brasil, Carla Braga, bem como de reencontrar a professora Lúcia Maria Góes Moutinho, doutora em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Tecnologia e Empresas (NETE) do Programa de Pós-Graduação de Economia (PPGE) da UFPB, grande referência de dedicação ao ensino e à reflexão crítica da economia brasileira.

No evento, com total divulgação e apoio do CORECON-PB, a estudante Walquíria Cybelle recebeu a doação de um exemplar da obra intitulada “Abordagem multidisciplinar da empresa” (Editora Universitária da UFPB, 2005, 205 p.), organizada pela saudosa professora Lúcia Moutinho.

Infelizmente, a economista Walquíria Cybelle e a professora Lúcia Moutinho faleceram em 2025, o mesmo ano em que perdi a minha querida mãe, Maria Verônica Paiva Galvão, aos 79 anos. Foi, é e certamente será um ano inesquecível e doloroso em minha vida.

A economista Walquíria Cybelle era fiscal do CORECON-PB desde junho de 2013 e tinha gosto refinado pela leitura. Ela mencionava frequentemente a sua admiração pela obra de Wilson Cano (1937-2020), a quem considerava um dos principais intérpretes da questão regional e urbana do Brasil.

Walquíria obteve o título de Graduação em Economia pela UFPB, com a monografia intitulada “A Crítica de Keynes ao Modelo de Desemprego com rigidez salarial de Pigou (2007, 47 p.), orientada pelo professor doutor Paulo Fernando de Moura Bezerra Cavalcanti Filho.

Cybelle apreciava a leitura de autores que se dedicavam ao estudo do pensamento econômico de John Maynard Keynes (1883-1946), o mais influente economista do século XX. Entre seus preferidos estavam Milo Keynes, o sobrinho de Lord Keynes em Tilton, no Reino Unido, que explorava aspectos biográficos e teóricos do economista inglês e pai da Macroeconomia, e Edward J. Amadeo, conhecido por suas interpretações sobre o impacto das ideias keynesianas nas políticas econômicas contemporâneas, após a publicação da revolucionária obra A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, no ano de 1936.

Walquíria obteve o título de Mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a dissertação intitulada “Políticas de financiamento da atividade turística no Nordeste e as estratégias de investimento público em cada estado da região para captação de investimentos privados para o setor (2011, 84 p.), orientada pela professora doutora Márcia Maria de Oliveira Bezerra.

Este gosto intelectual de Keynes e Cano revela muito sobre sua trajetória, um sério compromisso com o pensamento crítico, com a compreensão das desigualdades regionais que marcam as cinco regiões do Brasil, em especial, o Nordeste. Na cidade de Natal, a capital do RN, a economista Walquíria Cybelle conheceu pessoalmente e conversou muito com o economista Wilson Cano, no ano de 2010.

2. Vida e Obra de Wilson Cano

Com certeza, Wilson Cano foi um dos mais destacados economistas brasileiros do século XX. Nascido em 11 de dezembro de 1937, em São Paulo, capital do estado de São Paulo, graduou-se em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1962.

Construiu grande parte de sua carreira acadêmica na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde ingressou em 1968, foi professor titular no Instituto de Economia (IE) e formou gerações de economistas e pesquisadores dedicados ao desenvolvimento nacional até o seu falecimento em 03 de abril de 2020.

Wilson Cano foi um dos criadores do IE da UNICAMP. O Professor Wilson Cano publicou mais de 10 obras, como Raízes da concentração industrial em São Paulo (1977), que se tornou um clássico para o estudo da industrialização paulista, Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil 1930-1970 (1985), Introdução à Economia: uma abordagem crítica (1988), Reflexões sobre o Brasil e a nova (des)ordem internacional (1993) e Soberania e política econômica na América Latina (2000).

Na obra Ensaios sobre a formação econômica regional do Brasil (2002) Cano reuniu cinco artigos escritos entre 1977 e 1985 que permitem compreender a formação econômica regional brasileira e a integração do mercado nacional.

De acordo com Cano (2002, p. 17) refletindo sobre a economia do ouro em Minas Gerais no século XVIII, “Concordo com Furtado quando, ao fazer o confronto desta economia com a açucareira do Nordeste, aponta o fato de que a última empregava muitos equipamentos, o que implicava um alta relação capital-produto”.

Posteriormente, Wilson Cano (2002, p. 128) destacou o papel de Celso Furtado, o maior economista brasileiro de todos os tempos, na construção do Brasil: “Com o aumento das pressões e dos conflitos sociais no Nordeste, JK chamou algumas pessoas (entre as quais Furtado) para discutir a questão, e, diante da exposição feita por este, determina o lançamento da Operação Nordeste em janeiro de 1959”.

Com certeza, Wilson Cano é um legítimo e relevante seguidor do economista paraibano Celso Monteiro Furtado (1920-2004): “Em suma, e ao contrário do que afirmavam muitos de seus críticos, Furtado tentava criar aquilo que o Nordeste nunca tivera de forma mais avançada: relações capitalistas de produção no campo, numa economia mais eficiente e internamente integrada. Seu projeto de reforma agrária (Zona da Mata) e de colonização (vales úmidos e Maranhão) era social e economicamente correto: expandir a oferta de alimentos para apoio à industrialização, incorporar ao mercado o homem rural e desconcentrar a renda rural, além de enfrentar a questão ecológica do semi-árido” (CANO, 2002, p. 134).

Outro título importante é Desconcentração produtiva regional do Brasil 1970-2005 (2008), sequência de sua linha de pesquisa. Cano dedicou-se especialmente ao estudo das desigualdades regionais, da industrialização, da urbanização e do subdesenvolvimento no Brasil, aliados a uma perspectiva crítica e inspirada no estruturalismo latino-americano, que tem raízes na obra de Raúl Prebisch, de Celso Furtado e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Para Cano (2008, p. 77) durante a década perdida, “A análise deste período abrange os anos de 1980 a 1989, (...), o PIB total do Brasil cresceu à taxa média anual de 2,2%, pouco restando para aumento da renda média por habitante, dado que a população, no período, cresceu 1,9%”.

Em seguida, o doutor em Economia pela UNICAMP, Wilson Cano (2008, p. 113) ressaltou que: “O Nordeste sofreu os percalços da crise, quando o investimento privado caiu, mesmo com o sistema de incentivos regionais, que, aliás, iniciava um processo de deterioração. Além da crise do investimento, também foi afetado pela demanda de insumos industriais que, a partir de meados da década anterior, lhe fazia São Paulo. Na região, os estados mais afetados foram Pernambuco e Bahia. (...)”.

O economista paulista Wilson Cano sempre refletia sobre a pobreza e a miséria nas cinco regiões do Brasil: “Contudo, nem mesmo nos marcos dessa segunda trajetória combateremos os desequilíbrios regionais sociais – a pobreza e a miséria regional – apenas com políticas regionalizadas de gastos de infraestrutura e de indução/persuasão do investimento privado. Há que ter claro que, a despeito da concentração econômica em São Paulo e áreas próximas, a pujança de suas elevadas taxas históricas de crescimento não foi capaz de redimir a miséria local. Pelo contrário” (CANO, 2008, p. 233).

Outro bom exemplo, é a obra denominada Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil 1930-1970, de 1985, onde Cano argumenta que o período 1930-1970 deve ser dividido em duas fases: 1930-1955 (“industrialização restringida”) e 1956-1970 (“industrialização pesada”), e que a dinâmica de integração do mercado nacional esteve marcada tanto pela manutenção de uma estrutura primário-exportadora quanto pela dominação do capital paulista no centro dinâmico da economia brasileira.

Segundo Cano (2007, p. 15) no Prefácio, “Nos últimos trinta anos – primeiro na Cepal e depois na Unicamp – tenho-me dedicado, não com exclusividade, a estudar os problemas regionais e urbanos deste país. Já decorrem muitos anos desde a publicação da minha tese doutoral (Raízes..., em 1977), na qual tratei do período 1850-1929, e de minha tese de livre-docência (Desequilíbrio..., em 1985), em que analiso o período de 1930-1970. Nesse longo transcurso tive a oportunidade de desenvolver grande diálogo político e acadêmico, bem como orientar e coordenar, na Unicamp, apreciável número de teses e trabalhos que examinaram quase todas as regiões e estados brasileiros”.

Posteriormente, de acordo com o intelectual Wilson Cano (2007, p. 42), “Não foi por falta de planos que a questão regional não foi corretamente tratada. Proliferam planos nos últimos vinte anos no país: não só pelo governo federal mas principalmente pelos governos estaduais e órgãos regionais de desenvolvimento”.

Analisando as exportações brasileiras entre 1900 e 1930, Cano refletiu criticamente sobre a região de nove estados brasileiros na atualidade: “O Nordeste, com sua crítica situação exportadora, tinha como compensação o mercado cafeeiro para seu açúcar e a nascente industrial têxtil para seu algodão. É lícito concluir que seu capital agrário-mercantil, dada a débil dinâmica dessa economia, teria deixado de alimentar a acumulação de capital dos principais segmentos industriais do Nordeste, salvo, talvez, para sua insuficiente manutenção, com o que pagaria alto preço, mais tarde, quando essa indústria não mais tivesse condições de sobreviver” (CANO, 2007, p. 69).

3. Wilson Cano: A Construção do Brasil entre 1948 e 1980

Após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Brasil realizou oito planos econômicos, no período de 1948 a 1980, o Plano SALTE (1948), Plano de Metas (1956), Plano Trienal (1962), PAEG (1964), PED (1968), I PND (1971), II PND (1974) e III PND (1980).

Wilson Cano via o crescimento econômico brasileiro entre 1948 e 1980 como um período em que envolvia forte industrialização, integração regional, papel ativo do Estado e a redução de assimetrias federativas.

Cano acompanhou esse período como pesquisador e professor da UNICAMP, analisando o processo de crescimento econômico e os desafios enfrentados pelo país à época, quando o Brasil alcançou a posição de oitava maior economia do mundo e se consolidou como uma das principais economias entre os países do então chamado Terceiro Mundo.

Sua análise destaca que, nesse período, o Brasil atingiu taxas médias elevadas de crescimento e melhoria do nível produtivo, mas também afirmou que isso não eliminou os enormes desequilíbrios regionais que persistiram nem tão pouco as elevadas desigualdades sociais.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi de 7,5% ao ano no período de 1948 e 1980, ou seja, 32 anos consecutivos de crescimento econômico.

Em seu artigo “Novas determinações sobre as questões regional e urbana após 1980”, o Cano analisa como a intensificação da urbanização, a crescente inserção externa da economia brasileira e a chamada “guerra fiscal” entre os estados tornaram-se fatores determinantes dos processos regionais, redefinindo o papel do território na dinâmica econômica nacional.

Para Wilson Cano (2011, p. 31): “A taxa média anual do PIB entre 1970-1980 foi de 8,7% para o Brasil (8,2% para São Paulo). A agropecuária cresceu a 3,8%, alta, se confrontada com a demográfica, que foi de 2,5%. Os serviços, impulsionados pela industrialização, cresceram a 8% e a indústria de transformação a 9% (8,1% em São Paulo e 10,2% no agregado Brasil-São Paulo)”. O Professor Cano realizou várias contribuições à pesquisa nas áreas de economia regional e urbana no Brasil.

4. Wilson Cano: A Desconstrução do Brasil entre 1980 e 2020

Wilson Cano alertava que, a partir da década de 1980, conhecida como a década perdida, o Brasil ingressou em um novo ciclo histórico, marcado pelo baixo crescimento econômico, pela abertura comercial e financeira, pela adoção de políticas de orientação neoliberal e pelo enfraquecimento das políticas públicas de desenvolvimento regional, além de implantação de planos econômicos.

Entre 1980 e 2020, o Brasil adotou sete planos econômicos, o Plano Cruzado (1986), Plano Cruzado II (1986), Plano Bresser (1987), Plano Verão (1989), Plano Collor (1990), Plano Collor II (1991) e Plano Real (1994).

Em Desconcentração produtiva regional do Brasil: 1970-2005, Cano demonstra que, embora nas décadas de 1970 e 1980 tenha havido um deslocamento relativamente positivo dos investimentos produtivos, o que ele denomina desconcentração virtuosa, a partir dos anos 1990 esse movimento passou a apresentar caráter “espúrio”, ou seja, uma desconcentração sem base estrutural consistente e sem redução efetiva das desigualdades regionais.

Para o economista Wilson Cano, o país passou de uma fase de construção, marcada pela industrialização, pelo fortalecimento do Estado e pela busca de um projeto nacional de desenvolvimento, para uma fase de desconstrução, caracterizada pela marginalização das políticas regionais e pelo aprofundamento das assimetrias federativas.

O enfraquecimento do planejamento público e a predominância das forças de mercado contribuíram para consolidar um modelo concentrador e excludente na República Federativa do Brasil.

Cano identifica o período de 1970 a 1980 como uma etapa de desconcentração produtiva virtuosa, quando políticas industriais e regionais ainda possuíam capacidade de indução territorial. Entretanto, nas décadas seguintes, no período de 1980 e 2020, o quadro se inverteu. O país experimentou um crescimento econômico medíocre, por causa da desindustrialização, da elevada dívida externa, da hiperinflação e da alta desigualdade de renda.

De acordo com os dados do IBGE, a taxa média de crescimento do PIB brasileiro entre 1980 e 2020 foi de apenas 2,2% ao ano, evidenciando quatro décadas de crescimento econômico pífio, processo que o economista paulista Wilson Cano presenciou, analisou e criticou com profundidade em seus artigos e livros, até a sua morte aos 82 anos, em Campinas, sempre em defesa de um Projeto Nacional de Desenvolvimento.

5. Os Sonhos da Economista Walquíria Cybelle

Hoje, ao recordar a economista Walquíria Cybelle, é impossível dissociar sua trajetória da tradição de profissionais que fizeram da economia uma ciência social voltada ao desenvolvimento humano e regional. Sua presença nas discussões acadêmicas e profissionais era marcada por sensatez, empatia, inteligência e espírito crítico, qualidades raramente reunidas em uma só pessoa, e por uma determinação inabalável de não desistir de seus sonhos.

No dia 10 de agosto de 2016, realizou-se uma sessão solene na Câmara Municipal de João Pessoa em comemoração ao Dia do Economista (13 de agosto), data que celebra a regulamentação da profissão no Brasil, ocorrida em 1951, durante o governo do presidente Getúlio Vargas. Na ocasião, a economista Walquíria Cybelle Fernandes dos Santos apresentou o projeto “O Economista na Prefeitura” em uma sessão de grande relevância, dedicada aos economistas registrados no CORECON-PB, aos professores de Economia e aos estudantes do Curso de Graduação em Ciências Econômicas da UFPB, reforçando a importância da atuação do economista na gestão pública municipal.

O maior sonho dela era ver a aprovação de seu projeto no âmbito estadual, de modo que o economista pudesse atuar de forma mais ampla e aplicar seus relevantes conhecimentos nos 223 municípios paraibanos, especialmente nas áreas relacionadas ao Orçamento Público. Tratava-se de um projeto de alcance estadual, mas concebido com visão e potencial de expansão nacional, refletindo seu compromisso com o fortalecimento da profissão e com a contribuição técnica dos economistas para a gestão pública e o desenvolvimento regional.

No dia 11 de maio de 2019, no Hotel Carlton, em Brasília, a economista Walquíria Cybelle leu uma carta direcionada ao Sistema COFECON/CORECONs. Segundo Walquíria, a principal demanda trata da unificação da fiscalização no Sistema COFECON/CORECONs. “Percebemos que as demandas são muito parecidas, ainda que os CORECONs tenham realidades muito diferentes. Apesar das diferenças, os pontos comuns podem ser discutidos nas plenárias regionais. Além disso, a carta pode ser um método para outros encontros, em que cada CORECON tenha a chance de apresentar dificuldades e juntos possamos nos unir para tornamos o Sistema mais forte” (CORECON-DF, 2019), disse a então fiscal do CORECON-PB, durante a gestão da presidência do Conselho Federal de Economia (COFECON), o economista paraibano Wellington Leonardo da Silva.

Walquíria Fernandes foi à primeira mulher economista a ser entrevistada no programa Economia em Alta, transmitido pela rádio web Alta Potência, sediada no bairro da Torre, em João Pessoa, na PB. A entrevista foi ao ar no dia 30 de janeiro de 2024, numa terça-feira, às 19h, e teve como tema “O Papel do Economista na Prefeitura”. A entrevista já alcançou mais de 340 visualizações no YouTube até o presente momento, destacando a relevância do debate e o interesse do público pelo papel estratégico do economista na gestão pública municipal. Até hoje, encontra-se entre as dez mais visualizadas do programa Economia em Alta, após 97 episódios desde a sua estréia em 28 de novembro de 2023.

A UFPB, o CORECON-PB, o COFECON, a UFRN e, sobretudo, a sociedade paraibana perderam uma economista mulher, inteligente e guerreira, mãe de um filho único, filha querida, irmã amada, amiga leal e fiscal comprometida na valorização da profissão. No entanto, sua memória permanecerá viva nas lembranças de familiares, colegas de profissão, professores e amigos, e nas conversas que ainda ecoam entre aqueles que sonham no Brasil como um país capaz de integrar o seleto grupo de nações desenvolvidas e continentais, a exemplo do Canadá, dos Estados Unidos da América (EUA) e da Austrália.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para o Canadá, país vizinho dos EUA, registraram um aumento de 22,8% no mês de outubro (CNN BRASIL, 2025). O Brasil mantém relações comerciais estáveis com o Canadá, sem qualquer tipo de conflito tarifário ou disputa comercial.

Em contraste, as relações comerciais entre Brasil e EUA apresentaram uma queda expressiva de 37,9% nas exportações brasileiras no mesmo mês, reflexo das tarifas protecionistas impostas pelo governo norte-americano. Desde 6 de agosto, diversos produtos brasileiros passaram a enfrentar uma alíquota de importação de 50% sobre suas exportações destinadas ao mercado norte-americano, o que tem impactado negativamente a competitividade das empresas brasileiras e reduzido o fluxo comercial entre os dois países membros do Grupo dos Vinte (G20).

Voltemos à Cybelle, que gostava muito de conversar sobre Wilson Cano, um economista, um humanista, um seguidor de Celso Furtado, o seu autor predileto, além de vencedor do Prêmio Jabuti no ano de 2007 e do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional em 2014, além de outros relevantes prêmios.

5. Considerações Finais

Finalizando, que possamos seguir a reflexão crítica, o engajamento social e o rigor teórico que Wilson Cano legou e Walquíria Cybelle incorporou. O Professor Emérito da UNICAMP foi por 50 anos um professor apaixonado pela Economia, por Celso Furtado, pelos seus 31 orientados em teses de doutorado e 26 orientados em dissertações de mestrado.

A admiração de Cybelle por Cano durante o mestrado na UFRN simbolizava o que ela própria representava, uma economista com consciência histórica, amor ao saber e esperança no poder das ideias para construir um mundo melhor. E que a sua relevante caminhada inspire novas gerações de economistas, especialmente as mulheres.

Descanse em paz, Walquíria Cybelle Fernandes dos Santos. Hoje, deixo registrada a saudade da amiga e colega de profissão, incansável até o último suspiro na luta pela justiça social no Brasil e pela conquista da sede própria do CORECON-PB, após 45 anos de fundação, ou 540 meses consecutivos, de pagamento de aluguel, em seis moedas diferentes (cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro real e real), uma situação que sempre representou uma verdadeira contradição à racionalidade econômica na terra de Celso Furtado.

Referências bibliográficas

CANO, Wilson. Ensaios sobre a formação econômica regional do Brasil. Campinas: Editora da UNICAMP, 2002.

CANO, Wilson. Desconcentração produtiva regional do Brasil 1970-2005. 3ª ed. São Paulo: Editora da UNESP, 2008.

CANO, Wilson. Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil: 1930-1970. 3ª ed. São Paulo: Editora da UNESP, 2007.

CANO, Wilson. “Novas determinações sobre as questões regional e urbana após 1980”. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, v. 13, n. 2, 2011. Disponível em: https://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/393/369. Acesso em: 07 nov. 2025.

CORECON-DF. Encontro de funcionários do Sistema COFECON/CORECONs reuniu profissionais de todo o país. Disponível em: https://corecondf.org.br/encontro-de-funcionarios-do-sistema-cofecon-corecons-reuniu-profissionais-de-todo-o-pais/?doing_wp_cron=1762541338.5061318874359130859375. Acesso em: 07 nov. 2025.

CNN BRASIL. Com tarifaço, exportações do Brasil aos EUA caem 38% em outubro. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/com-tarifaco-exportacoes-do-brasil-aos-eua-caem-38-em-outubro/. Acesso em: 07 nov. 2025.

PROGRAMA ECONOMIA EM ALTA. O Papel do Economista na Prefeitura. Disponível em: www.youtube.com/watch?v=xbKNsykg98U. Acesso em: 07 nov. 2025.

(*) Economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor-secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba e apresentador do programa Economia em Alta na rádio web na Alta Potência na capital paraibana. WhatsApp para entrevistas e palestras: +55 (83) 98122-7221.

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