22/11/2025 às 04h14min - Atualizada em 22/11/2025 às 06h08min

Quase 80% das famílias estão endividadas no Brasil

Por Paulo Galvão Júnior (*)

  • Ir para GoogleNews
Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Paulo Galvão Júnior - jornalnorthnews.com

Considerações iniciais

Estimados leitores lusófonos do Portal North News, o Brasil é uma nação continental, populosa, emergente, tropical e profundamente desigual, todavia, enfrenta atualmente mais um grave desafio econômico. Todos os dias as famílias brasileiras pensam como pagar suas dívidas, elas tentam novos ajustes nos seus orçamentos familiares.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o nível de endividamento das famílias atingiu 79,5% em outubro de 2025, um dos maiores patamares da série histórica iniciada em janeiro de 2010.

A comparação histórica revela a dimensão do problema no maior e mais populoso país da América do Sul, quando em janeiro de 2015, o endividamento era de 57,5%, o que representa um salto de 22 pontos percentuais em mais de dez anos. O avanço é expressivo e preocupante, refletindo-se de forma intensa em todas as cinco regiões brasileiras.

Em outras palavras, a proporção de consumidores endividados passou de 6 em cada 10, em janeiro de 2015, para 8 em cada 10, em outubro de 2025, segundo dados da PEIC, da CNC.

Diversos fatores explicam esse aumento, como as taxas de juros elevadas, desemprego, custo de vida alto e crescente, restrição ao crédito, insuficiência de Educação Financeira, carga tributária pesada, renda estagnada e baixa capacidade das famílias de quitar dívidas contraídas. O resultado é um ambiente financeiro hostil para milhões de lares brasileiros.

Panorama atual do endividamento das famílias

O percentual de famílias com dívidas a vencer, como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado, financiamento de carro e casa, permanece em nível elevado nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal (DF).

Os cinco estados brasileiros mais endividados em outubro de 2025 são o Paraná (91,1%), Minas Gerais (90,6%), Roraima (90,5%), Espírito Santo (89,8%), e Rio Grande do Norte (89,2%). Já os cinco estados menos endividados no país no mês de outubro deste ano são o estado de Alagoas (61,3%), Bahia (62,8%), Mato Grosso do Sul (63,3%), Pará (64,3%), e Goiás (67,3%).

Embora existam diferenças regionais, o quadro é nacional e evidencia um nível de endividamento persistentemente elevado. O avanço contínuo do comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas intensifica o risco de deterioração das suas condições financeiras.

O elevado endividamento no Brasil

O endividamento elevado gera impactos que vão além da esfera individual. Quando grande parte das famílias tem dificuldades para arcar com seus compromissos financeiros mensais, o crédito se torna mais restrito, as taxas de juros tendem a permanecer altas, e as atividades econômicas desaceleram, reduzindo o consumo de bens e serviços.

Atualmente, a taxa Selic está em 15,00% ao ano, mantendo o Brasil entre os países com as quatro maiores taxas de juros nominais do mundo, atrás apenas de Turquia (39,50%), Argentina (29,00%) e Rússia (16,50%), segundo dados da MoneYou.

No ranking de juros reais, o Brasil ocupa a segunda posição, com 9,74% ao ano, ficando atrás apenas da Turquia (17,80%). Em um ambiente como esse, o custo do crédito torna-se proibitivo, agravando o endividamento existente e dificultando a recuperação financeira das famílias brasileiras.

As famílias de baixa renda são as mais vulneráveis a esse cenário preocupante, pois possuem menor acesso ao crédito formal, maiores dificuldades para renegociar dívidas e menor capacidade de reorganizar o orçamento doméstico, o que perpetua o ciclo da pobreza e do descontrole financeiro.

Desafios e soluções para reduzir o alto endividamento do consumidor

Diante desse cenário desafiador, algumas medidas se tornam essenciais pelos consumidores, como a organização financeira. A elaboração de uma planilha orçamentária, registrando mensalmente receitas e despesas, é fundamental para identificar desperdícios, ajustar padrões de consumo e priorizar o pagamento de dívidas mais baratas até chegar as mais caras.

Outra medida é a Educação Financeira. Ela é indispensável. O incentivo ao consumo consciente, ao planejamento, a organização financeira, a priorização dos gastos e ao uso responsável do crédito, reduzem a exposição das famílias ao endividamento elevado.

Relevante medida é a renegociação e reestruturação de dívidas. É essencial incentivar a redução de juros do crédito rotativo e de financeiras, a ampliação de prazos, os descontos para quitação antecipada, e os programas de refinanciamento acessíveis. Essas três ações fortalecem a reintegração financeira de milhões de brasileiros em todas as 27 unidades da federação.

Considerações finais

Quase 80% das famílias do Brasil estão endividadas, um recorde da série histórica e um desafio urgente para os consumidores que declaram possuir dívidas, especialmente em modalidades como cartão de crédito, empréstimo pessoal e crédito pessoal consignado e demandam informação de qualidade e orientação de especialistas, como o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, e a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.

As famílias brasileiras tendem a permanecer submetidas a um elevado nível de endividamento, agravado pelas altas taxas de juros, pela pesada carga tributária e pelos baixos salários que reduzem sua capacidade de pagamento de dívidas.

Infelizmente, quando você gasta mais do que ganha, o endividamento se torna inevitável. Mas, acredite, é possível retomar a sua independência financeira! Por isso, desejo muita saúde financeira para você e para sua família! Muita saúde!

Referências

CNC. Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC): Outubro de 2025. Disponível em: https://portal-bucket.azureedge.net/wp-content/2025/11/Analise_Peic_out25-2.pdf. Acesso em: 21 nov. 2025.

MONEYOU. Ranking Mundial de Juros Reais. 5 nov. 2025. Disponível em: Disponível em: https://static.poder360.com.br/2025/11/ranking-juros-reais-moneyou-5nov2025.pdf. Acesso em: 15 nov. 2025.

(*) Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro.

WhatsApp: +55 (83) 98122-7221.

Instagram: @paulogalvaojunior

  • Ir para GoogleNews
Leia Também »