O desempenho das exportações de bens constitui um importante indicador da capacidade produtiva, da competitividade internacional e do grau de inserção de uma economia nas cadeias globais de valor. No Brasil, as assimetrias regionais históricas também se manifestam de forma clara no comércio exterior, especialmente quando se observa o comportamento dos nove estados nordestinos: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Em 2025, a região Nordeste (NE) apresentou um volume expressivo de exportações, porém fortemente concentrado em poucos estados e sustentado por uma pauta dominada por commodities agrícolas, minerais e energéticas. Nesse contexto, chama atenção o desempenho da Paraíba, que ocupa a última posição no ranking nordestino de exportações, com participação pequena no total do NE, conforme apresentado no Quadro 1:
QUADRO 1: Ranking nordestino dos maiores estados exportadores em 2025 | ||||
|---|---|---|---|---|
| Ranking NE | Ranking BR | Estado | Exportações (US$ bilhões FOB) | Participação no Nordeste |
| 1º | 10º | Bahia | 11,52 | 46,28% |
| 2º | 13º | Maranhão | 5,49 | 22,06% |
| 3º | 16º | Pernambuco | 2,36 | 9,48% |
| 4º | 17º | Ceará | 2,30 | 9,24% |
| 5º | 18º | Rio Grande do Norte | 1,14 | 4,58% |
| 6º | 19º | Piauí | 0,85 | 3,41% |
| 7º | 21º | Alagoas | 0,58 | 2,33% |
| 8º | 22º | Sergipe | 0,51 | 2,05% |
| 9º | 25º | Paraíba | 0,14 | 0,57% |
| NORDESTE | 24,89 | 100% | ||
| Fonte: SECEX/MDIC. | ||||
O Nordeste exportou US$ 24,9 bilhões FOB em 2025, resultado que evidencia tanto o avanço da região em determinados segmentos econômicos quanto à persistência de profundas desigualdades internas. No mesmo período, o Brasil exportou US$ 348,7 bilhões FOB, de modo que o Nordeste respondeu por apenas 7,14% do total das exportações brasileiras.
A liderança regional permanece com a Bahia (US$ 11,52 bilhões FOB), seguida pelo Maranhão (US$ 5,49 bilhões FOB), enquanto Pernambuco (US$ 2,36 bilhões FOB) e Ceará (US$ 2,30 bilhões FOB) ocupam posições intermediárias. Em contraste, estados como Sergipe (US$ 580 milhões FOB) e, sobretudo, a Paraíba apresentam baixo grau de inserção no comércio exterior, refletindo limitações estruturais de sua base produtiva, logística e industrial.
A Paraíba ocupa a nona e última posição no ranking nordestino de exportações em 2025, com apenas US$ 140 milhões FOB exportados, o equivalente a 0,57% de tudo o que o Nordeste vendeu de mercadorias ao exterior no período, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Esse desempenho evidencia a baixa integração da economia paraibana ao comércio internacional, mesmo quando comparada a outros estados nordestinos de menor porte econômico. A pauta exportadora estadual é restrita e pouco diversificada, concentrando-se em produtos como calçados (US$ 55 milhões FOB), açúcares e melaço (US$ 52 milhões FOB) e suco de frutas (US$ 38 milhões FOB), bens caracterizados por baixo valor agregado, elevada concorrência internacional e reduzida sofisticação tecnológica.
Além disso, a ausência de cadeias industriais mais complexas, os gargalos logísticos e a limitada atração de investimentos privados nacionais e estrangeiros voltados à exportação contribuem para a manutenção da Paraíba na lanterna do Nordeste e na 25ª colocação no ranking nacional, à frente de estados como Amapá (US$ 100,0 milhões FOB) e do Acre (US$ 98,0 milhões FOB) em 2025.
A análise consolidada da pauta exportadora dos estados nordestinos em 2025 evidencia a concentração regional em três produtos líderes de exportação: soja, petróleo bruto e celulose. Esses produtos configuram-se como os principais vetores do desempenho externo da região, refletindo tanto a especialização produtiva quanto a inserção do Nordeste nas cadeias globais de commodities.
Soja, com forte peso na Bahia (US$ 2,3 bilhões FOB), Maranhão (US$ 2,0 bilhões FOB), e Piauí (US$ 993 milhões FOB), consolidando o Nordeste como importante fronteira do agronegócio brasileiro exportador. Petróleo bruto, com destaque para Rio Grande do Norte (US$ 595 milhões FOB) e Sergipe (US$ 278 milhões FOB), refletindo a importância do setor energético. Celulose, sobretudo na Bahia (US$ 1,3 bilhão FOB) e no Maranhão (US$ 709 milhões FOB).
Esses três produtos reforçam o caráter primário da pauta exportadora regional, com baixa participação de bens de maior conteúdo tecnológico, como veículos e bens de capital, a exemplo dos lingotes de aço, que serão utilizados na produção de automóveis.
A China foi o principal destino das exportações nordestinas em 2025, com US$ 6,22 bilhões FOB, seguida pelos Estados Unidos da América (EUA), com US$ 2,89 bilhões FOB, e pelo Canadá, com US$ 2,72 bilhões FOB. Observa-se claramente que o Canadá quase ultrapassou o vizinho, os EUA, como segundo principal destino das exportações nordestinas no ano de 2025, ficando atrás por apenas US$ 170 milhões FOB.
Esse movimento comercial está associado, em grande medida, às tarifas protecionistas impostas pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros, especialmente a partir de 1º de agosto de 2025, que afetaram setores relevantes das exportações nacionais. Destacam-se as tarifas de 50% aplicadas sobre produtos brasileiros como aço, pescados, suco de frutas, castanha-de-caju, calçados, mel de abelha e pás eólicas, entre outros bens.
Essas medidas protecionistas reduziram a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, contribuindo para a perda relativa de participação dos EUA como destino das exportações nordestinas. As medidas permaneceram em vigor até 13 de novembro de 2025, quando houve redução significativa ou, em alguns casos, eliminação das sobretaxas aplicadas a determinados produtos brasileiros, em decorrência de ajustes na política comercial norte-americana.
Nesse cenário de tensões comerciais internacionais, a Paraíba destaca-se negativamente, ao permanecer na última colocação entre os estados do Nordeste, com participação insignificante no total exportado da região. Tal resultado evidencia a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à diversificação produtiva, fortalecimento industrial, melhoria da infraestrutura logística e estímulo à internacionalização das empresas paraibanas, com foco na exportação de granéis sólidos (como açúcar e granito), granéis líquidos (como etanol e suco de abacaxi), produtos agropecuários (como queijo de cabra, algodão colorido e polpa pura de mangaba, congelada, sem aditivos) e bens industrializados (como calçados, produtos têxteis, produtos cerâmicos, plásticos e máquinas agrícolas).
É fundamental ressaltar que entre os dez principais parceiros comerciais da Paraíba encontram-se o Canadá. Observa-se que as dez províncias canadenses e os três territórios do segundo maior país do mundo apresentam potencial significativo para ampliar a importação de produtos paraibanos no triênio 2026-2027-2028, especialmente no cenário de eventual celebração de um acordo de livre comércio entre o Canadá e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), o que tenderia a reduzir barreiras tarifárias e a estimular o intercâmbio bilateral entre a Paraíba e a Nova Scotia, por exemplo.
Sem mudanças estruturais, a tendência é de perpetuação das assimetrias regionais, mantendo a Paraíba à margem dos fluxos mais dinâmicos do comércio internacional e limitando seu potencial de crescimento econômico, mesmo dispondo do Porto de Cabedelo, o porto brasileiro mais próximo da África e da Europa, inaugurado em 23 de janeiro de 1935, durante o governo de Getúlio Vargas.
O Porto de Cabedelo é o porto mais oriental das Américas e atualmente administrado pela Companhia Docas da Paraíba (Docas-PB) desde 4 de fevereiro de 1998, vinculada à Secretaria de Infraestrutura e dos Recursos Hídricos do Governo do Estado da Paraíba. Portanto, o Porto de Cabedelo situado no estuário do Rio Paraíba, no município de Cabedelo, Litoral Norte do estado da Paraíba, necessita tornar-se mais moderno, mais eficiente e mais estratégico, consolidando-se como peça-chave para o desenvolvimento sustentável da Paraíba, capaz de gerar emprego formal e renda, impulsionar negócios internacionais, conectar mercados em cinco continentes e dinamizar a economia paraibana com a intensidade necessária para a geração de riquezas em plena Quarta Revolução Industrial.
Por fim, é hora de mudar os rumos da Paraíba. Não é aceitável que o estado siga, de forma passiva, acumulando déficits comerciais recorrentes na balança comercial desde 2019 e suas exportações anuais permanecem abaixo de US$ 300 milhões FOB nos últimos seis anos.
Tal desempenho no comércio exterior é claramente incompatível com o potencial econômico, logístico e produtivo da Paraíba e revela uma fragilidade estrutural da pauta exportadora estadual. Permanecer no ano de 2025, na última posição entre os estados nordestinos em valor exportado não é apenas constrangedor, é um sinal inequívoco de falhas persistentes na estratégia de inserção internacional.
Alcançar sucessivos superávits comerciais no triênio 2026-2027-2028 exigem mudança de mentalidade, planejamento de longo prazo, políticas públicas orientadas à diversificação produtiva, ao adensamento industrial, à agregação de valor às exportações paraibanas, e sobretudo, o estudo diário de novos mercados. A Paraíba não pode mais aceitar a condição de coadjuvante no comércio exterior nordestino.
Vamos Paraíba exportar mais bens pelo Porto de Cabedelo, por exemplo, para o Porto de Halifax! A Paraíba pode mais!
(*) Economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, membro do Instituto de Inteligência Econômica em São Paulo e apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência na capital paraibana. WhatsApp para entrevistas e palestras: +55 (83) 98122-7221.