02/03/2026 às 05h20min - Atualizada em 02/03/2026 às 06h42min

Tributo às Ideias Verdes de Mikhail Gorbachev

Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior (*)

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Paulo Galvão Júnior

Paulo Galvão Júnior

Economista paraibano, autor de 18 e-Books de Economia, conselheiro do CORECON-PB e diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da PB.

Paulo Galvão Júnior - jornalnorthnews.com
Fonte: Green Cross International.

Tributo às Ideias Verdes de Mikhail Gorbachev

Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior (*)

1. Considerações Iniciais

Estimados leitores lusófonos do Portal North News, infelizmente, a Guerra na Ucrânia já ultrapassou quatro anos de destruição, mortes, feridos, presos e exilados, configurando um dos mais graves conflitos armados do século XXI.

Milhões de ucranianos foram forçados ao exílio. Muitos escolheram o Canadá para morar, estudar, trabalhar e reconstruir suas vidas. O Canadá é o segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia, e abriga uma das mais expressivas comunidades de descendentes ucranianos fora da Europa Oriental.

Para compreender o presente artigo, é indispensável revisitar o passado. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), extinta em 26 de dezembro de 1991, era composta por 15 Repúblicas Socialistas Soviéticas: Rússia, Ucrânia, Belarus, Uzbequistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Geórgia, Lituânia, Letônia, Estônia, Armênia, e Moldávia. A maior e mais influente era a Rússia, que herdou o assento internacional no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o arsenal nuclear após a dissolução da antiga União Soviética, a então segunda maior economia do mundo.

A Ucrânia foi uma dessas repúblicas socialistas soviéticas até 24 de agosto de 1991 e seus cidadãos falam russo e conhecem termos que marcaram o fim da era soviética, como glasnost (transparência) e perestroika (reestruturação). Essas duas palavras russas foram apresentadas pela primeira vez em 25 de fevereiro de 1986, em Moscou, e sintetizam o esforço reformista conduzido pelo último líder da URSS, Mikhail Gorbachev, que renunciou o seu cargo de presidente da União Soviética em 25 de dezembro de 1991.

Eu não falo russo, mas já escrevi vários artigos em português no site do Pravda.Ru antes da Guerra na Ucrânia e reconheço a dimensão histórica de Mikhail Gorbachev. Sua liderança foi decisiva para a abertura política e econômica que culminaria na dissolução da URSS e no fim da Guerra Fria.

Chama atenção para mim, que a bandeira da Ucrânia, com suas cores azul e amarelo, que representam o céu e os campos de trigo, coincide com duas das quatro cores da bandeira brasileira, restando apenas o verde e o branco.

É nesse contexto histórico e geopolítico que pretendo abordar o pensamento verde de Mikhail Gorbachev, uma vertente menos explorada de sua trajetória, mas extremamente atual. Ao revisitarmos essa dimensão ambiental e humanista de seu legado, poderemos compreender como suas ideias verdes dialogam com os desafios contemporâneos da sustentabilidade, da cooperação internacional e da paz entre as nações.

2. As Ideias Verdes de Mikhail Gorbachev

Este artigo presta uma justa homenagem às ideias ambientais de Mikhail Gorbachev, destacando sua relevância para o conceito contemporâneo de Transição Justa. O estudo tem como objetivo analisar o legado ecológico do último secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), especialmente por meio da Green Cross International (Cruz Verde Internacional), organização fundada por Gorbachev em 1993.

A justificativa baseia-se na urgência das crises ambientais atuais e na necessidade de soluções integradas. A metodologia adotada é qualitativa, com análise documental de discursos, escritos e ações institucionais de Gorbachev. Os resultados evidenciam sua visão pioneira sobre segurança ambiental como parte da segurança global, além de sua proposta de cooperação internacional para enfrentar desafios ecológicos.

Conclui-se que suas ideias verdes permanecem atuais e oferecem fundamentos éticos e estratégicos para políticas sustentáveis e inclusivas. Este relevante trabalho contribui para o resgate histórico do pensamento verde de Gorbachev que pode orientar ações concretas rumo a um futuro mais próspero, justo e sustentável para a humanidade.

3. Os 95 anos de Mikhail Gorbachev

A memória constitui uma ponte entre o ontem e o amanhã, espaço no qual ideias verdes continuam a iluminar caminhos e a orientar gerações. Entre as vozes que transcendem o tempo, destaca-se Mikhail Gorbachev (1931-2022), líder soviético que, aos 54 anos, iniciou uma atuação política e intelectual de grande envergadura. Seu protagonismo contribuiu decisivamente para o fim da Guerra Fria e para a redefinição da ordem internacional, ao mesmo tempo em que impulsionou uma nova consciência global acerca dos desafios ambientais e da necessidade de cooperação global para a sustentabilidade do planeta.

Mikhail Gorbachev nasceu em 2 de março de 1931, na vila de Privolnoye, na União Soviética, e faleceu em 30 de agosto de 2022, aos 91 anos, em Moscou, a capital da Federação Russa. Gorbachev escreveu o livro Perestroika: New Thinking for Our Country and the World (Perestroika: Novas Ideias para o Meu País e o Mundo), em 1987, e ele presenciou o colapso da URSS em 1991.

Portanto, hoje, comemoram-se os 95 anos de nascimento de Mikhail Sergeyevich Gorbachev. Seus avós maternos eram ucranianos. Ele casou com a bela e inteligente Raíssa Maksimova Titarenko Gorbachev e o casal teve uma única filha, Irina Virganskaya Gorbachev, e uma linda neta, Anastasia Virganskaya Gorbachev.

Recentemente, ocorreram nevascas no Canadá, depressões em Portugal e tempestades no Brasil. Diante das mudanças climáticas, as ideias verdes de Gorbachev ganham ainda mais relevância. Ao estudar seus escritos e discursos, especialmente sobre a Green Cross International (GCI), compreendi a profundidade de seu compromisso com a sustentabilidade e a paz. Fundada por Gorbachev e com sede na Suíça, a organização está presente em mais de 30 países e atua na segurança ecológica, cooperação internacional e resolução de crises ambientais.

A História da humanidade é marcada por líderes que, ao transcenderem os limites da política convencional, deixaram legados que ecoam por gerações. Gorbachev, último dirigente da URSS, é amplamente reconhecido por seu papel decisivo no encerramento da Guerra Fria e na reestruturação interna de seu país. No entanto, sua atuação extrapolou os campos da diplomacia e da economia, alcançando dimensões ambientais que permanecem relevantes diante dos desafios contemporâneos.

Em tempos de crise climática, colapso ecológico e desigualdades sociais, emerge com força o conceito de Transição Justa, uma proposta que busca conciliar a urgência da descarbonização com a proteção dos direitos sociais e trabalhistas. Nesse contexto, revisitar o pensamento verde de Gorbachev é mais do que um exercício histórico, é uma oportunidade de resgatar princípios que podem orientar políticas públicas e ações globais em direção a um futuro próspero, justo e sustentável.

Este artigo tem como objetivo prestar um tributo às ideias verdes de Mikhail Gorbachev, com ênfase em sua atuação na fundação e condução da organização, a GCI. A partir da análise de seus discursos, escritos, pensamentos e iniciativas, busca-se evidenciar como sua visão antecipou elementos centrais da Transição Justa, propondo uma ética ecológica global baseada na cooperação, na responsabilidade compartilhada e na paz.

A relevância deste estudo reside na necessidade de integrar perspectivas históricas ao debate ambiental atual, reconhecendo que soluções duradouras exigem não apenas inovação tecnológica, mas também consciência política e compromisso ético. Ao iluminar o legado ambiental de Gorbachev, pretende-se contribuir para o fortalecimento de uma cultura de sustentabilidade que valorize a justiça social e a preservação do planeta.

4. Entre a Política e o Meio Ambiente

4.1 Breve Biografia

Mikhail Sergeyevich Gorbachev nasceu em 2 de março de 1931, na vila de Privolnoye, na província de Stavropol Krai, no sul da Rússia, então integrante da União Soviética. Filho de camponeses, cresceu em meio à realidade rural, sob o governo de Josef Stalin, o que lhe proporcionou uma conexão profunda com a terra e os ciclos naturais, elementos que mais tarde influenciariam sua visão ecológica.

Gorbachev nasceu 13 anos depois da Revolução Russa de 1917, liderada por Vladimir Lenin. Formou-se em Direito pela Universidade Estatal de Moscou, em 1955, e se especialiazou em Produção Agrícola no Instituto Agrícola de Stavropol, em 1967. Ele ingressou no PCUS, na qual ascendeu rapidamente, destacando-se por sua inteligência, habilidade política, capacidade de diálogo com o povo e, sobretudo, pelo comprometimento e seriedade com que desempenhava as funções que lhe eram confiadas.

4.2 Papel na URSS no Fim da Guerra Fria

Gorbachev tornou-se secretário-geral do PCUS em março de 1985, em substituição do ex-líder soviético Yuri Andropov, em um momento de estagnação econômica e tensão geopolítica com os Estados Unidos da América (EUA). Foi o principal arquiteto das reformas perestroika (reestruturação econômica) e glasnost (abertura política), que visavam modernizar o país e democratizar o acesso à informação. Sua liderança foi decisiva para o fim da Guerra Fria, promovendo o desarmamento nuclear, o diálogo com o Ocidente e a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão.

O Muro de Berlim foi derrubado em 9 de novembro de 1989. A reação do líder soviético Gorbachev foi de não intervenção militar na então Alemanha Oriental. Em 10 de dezembro de 1990, na cidade sueca de Estocolmo, recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços em reduzir tensões globais, promover a cooperação internacional e a não-proliferação de armas atômicas. Apesar de sua popularidade no exterior, enfrentou forte resistência interna, culminando na dissolução da URSS em 1991. Após deixar o poder, Gorbachev dedicou-se a causas humanitárias e ambientais, revelando uma faceta menos conhecida, porém profundamente relevante para a humanidade.

4.3 Transição de Líder Político para Ativista Ambiental

Após sua saída do cenário político no Kremlin, Gorbachev fundou a GCI, com sede na Suíça. A organização internacional nasceu com o propósito de enfrentar os desafios ambientais globais por meio da cooperação mundial, da educação ecológica e da promoção da paz. A GCI atua em mais de 30 países e tem como pilares a segurança ecológica, a prevenção de conflitos ambientais e a reconstrução de comunidades afetadas por desastres naturais e tecnológicos.

Essa transição de estadista para ativista ambiental revela a coerência de sua trajetória, pois Gorbachev sempre enxergou a paz como um conceito multidimensional, que inclui o equilíbrio entre humanidade e natureza. Sua atuação ambiental não foi um desvio, mas uma extensão de sua visão política e ética.

4.4 Citações Marcantes que Revelam sua Visão Ecológica

As ideias verdes de Mikhail Gorbachev revelam um pensamento profundo e antecipatório sobre os riscos ambientais e a necessidade de ação coletiva. 

A destruição do meio ambiente é uma bomba-relógio que ameaça não apenas a natureza, mas também a humanidade. Não podemos negociar com o planeta”, destacava Gorbachev. Essa frase sintetiza sua percepção de que os limites ecológicos não podem ser ignorados por interesses políticos ou econômicos.

A segurança ambiental deve ser considerada parte integrante da segurança global”, afirmava Gorbachev. Com certeza, ele propõe uma redefinição do conceito de segurança, ampliando-o para incluir a estabilidade ecológica como condição para a paz mundial duradoura.

Precisamos de uma nova ética global, baseada na responsabilidade compartilhada pela Terra”, ressaltava Gorbachev. Essa ideia dialoga diretamente com os princípios da Transição Justa, que busca integrar justiça social e sustentabilidade em uma mesma agenda.

5. Green Cross International é uma Organização Verde Global

5.1 Fundação e Objetivos da GCI

A GCI foi fundada por Mikhail Gorbachev em 1993, como resposta direta aos apelos feitos durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, no ano de 1992, e a GCI foi formalmente lançada em 18 de abril de 1993, em Kyoto, no Japão.

Inspirado pela proposta de criar uma Cruz Verde que atuasse como a Cruz Vermelha, mas voltada para emergências ecológicas, Gorbachev idealizou uma organização internacional capaz de enfrentar os desafios ambientais com a mesma urgência e solidariedade aplicadas às crises humanitárias.

Com sede em Genebra, Suíça, a missão da GCI é “responder aos desafios combinados da segurança, pobreza e degradação ambiental para garantir um futuro sustentável e seguro”. Seus objetivos incluem: i) Promover normas legais, éticas e comportamentais voltadas à sustentabilidade; ii) Prevenir e resolver conflitos decorrentes da degradação ambiental; iii) Oferecer assistência a populações afetadas por guerras, desastres e calamidades ambientais; e iv) Estimular a cooperação entre governos, empresas e sociedade civil

5.2 Atuação Global e Projetos Relevantes

A GCI está presente em mais de 30 países, por meio de organizações nacionais que desenvolvem projetos adaptados às realidades locais. Entre suas iniciativas mais relevantes estão: i) Water for Life and Peace: resolução de conflitos relacionados à escassez de água; ii) Environmental Education: programas educativos voltados à ética ecológica; iii) Energy and Resources: incentivo ao uso responsável de recursos naturais; iv) Earth Charter: promoção de princípios éticos globais para a sustentabilidade; e v) Coping with the Consequences of Wars and Disasters: apoio a comunidades afetadas por conflitos e desastres ambientais.

Esses cinco projetos refletem uma abordagem holística, que reconhece a interdependência entre meio ambiente, paz e justiça social.

6. Relação da GCI com os Princípios da Transição Justa

A atuação da GCI dialoga diretamente com os pilares da Transição Justa, conceito que busca garantir que a transição para uma economia de baixo carbono ocorra de forma equitativa, sem deixar comunidades vulneráveis para trás.

Conceito de Transição Justa como um direito humano transversal para sustentar políticas públicas, compromissos jurídicos e institucionais voltados à justiça social, ambiental e econômica em tempos de transformações disruptivas.

Esse artigo aborda o papel da GCI na promoção de novos paradigmas regulatórios e políticas públicas que assegurem justiça social e inclusão durante processos de transformação produtiva e tecnológica.

Os pontos de convergência incluem: i) Inclusão social: a GCI promove a participação de comunidades afetadas nas decisões ambientais; ii) Educação e capacitação: seus programas educacionais fortalecem a consciência ecológica e o empoderamento local; iii) Cooperação internacional: a GCI atua como ponte entre países, promovendo soluções compartilhadas; e iv) Justiça intergeracional: ao focar na sustentabilidade, a organização defende o direito das futuras gerações a um planeta saudável.

É preciso ressaltar que Mikhail Gorbachev antecipou, com sua visão, princípios, ideias verdes, que hoje fundamentam políticas de Transição Justa, propondo uma ética ecológica global que integra paz, desenvolvimento e responsabilidade ambiental:

Quadro 1: Países Membros e Áreas de Atuação da GCI

País

Área de Atuação Principal

Suíça

Sede internacional e coordenação global

Japão

Educação ambiental e gestão de recursos hídricos

Rússia

Reabilitação pós-Chernobyl e educação ecológica

EUA

Advocacy ambiental e políticas públicas

Brasil

Projetos de água e reflorestamento

Alemanha

Energia renovável e cooperação internacional

França

Ética ambiental e Carta da Terra

Senegal

Combate à desertificação e segurança hídrica

Ucrânia

Apoio a comunidades afetadas por conflitos

Bolívia

Preservação da biodiversidade e educação rural

Fonte: GCI.

 

Os eventos climáticos mostram que a degradação ambiental não é apenas uma questão ecológica, mas também humanitária. Além de outras questões, como a crise hídrica global. A escassez de água potável em diversas regiões do mundo tem gerado conflitos, migrações e insegurança alimentar, temas que Gorbachev já apontava como centrais para a paz mundial.

7. Segurança Ambiental como Pilar de Segurança Global

7.1 Conceito de Segurança Ambiental, segundo Gorbachev

Mikhail Gorbachev foi um dos primeiros líderes mundiais a propor que a segurança ambiental deveria ser considerada parte integrante da segurança global. Para ele, a estabilidade política, social e econômica de uma nação não poderia ser dissociada da preservação dos recursos naturais e da proteção dos ecossistemas.

Em seus discursos, Gorbachev afirmava que a degradação ambiental representava uma ameaça tão grave quanto os conflitos armados, pois colocava em risco a saúde, a subsistência e a paz entre os povos. Sua abordagem era holística, pois via o meio ambiente como um bem comum da humanidade, cuja destruição poderia gerar instabilidade geopolítica, migrações forçadas e disputas por recursos.

A segurança ambiental deve ser considerada parte integrante da segurança global”, afirmava Gorbachev. Essa visão antecipou debates que hoje são centrais em fóruns internacionais, como os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e os acordos climáticos multilaterais.

7.2 Comparação com Abordagens Contemporâneas

Atualmente, o conceito de segurança ambiental é amplamente reconhecido, mas ainda enfrenta desafios na sua implementação prática. Enquanto Gorbachev propunha uma ética ecológica global, muitos governos tratam o meio ambiente como uma questão setorial, subordinada a interesses econômicos imediatos:

Quadro 2: A Visão de Mikhail Gorbachev sobre a GCI

Aspecto

Visão de Gorbachev

Abordagem Contemporânea

Escopo

Global e interdependente

Nacional e fragmentado

Ênfase

Ética, cooperação e paz

Economia verde e mitigação técnica

Participação

Multilateral, com envolvimento da sociedade

Predominância de governos e grandes corporações

Soluções propostas

Educação ambiental, diálogo e responsabilidade moral

Regulação, inovação tecnológica e mercado de carbono

Fonte: GCI.

Apesar dos avanços, como o Protocolo de Kyoto (1997), o Acordo de Paris (2015) e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (2015), ainda há uma lacuna entre o discurso e a prática. Gorbachev defendia que sem uma mudança de valores, não haveria solução duradoura para a crise ambiental.

7.3. Exemplos de Crises Ambientais

A História oferece exemplos contundentes que ilustram a urgência da segurança ambiental:

Em janeiro de 2022, ocorreu uma tragédia na cidade americana de Los Angeles, que afetou mais de 100 mil pessoas, evidenciando como eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes e destrutivos. A falta de planejamento urbano e políticas de prevenção resultaram em 30 mortes, agravandos os impactos sociais e econômicos nos EUA.

Citamos também mudanças climáticas recentes que aconteceram quatro anos depois do falecimento de Mikhail Gorbachev, que lutava pela preservação da natureza, e alertava que o planeta Terra caminha para sua própria destruição.

Entre 1 de janeiro e 23 de fevereiro de 2026, fortes massas de ar ártico provocaram nevascas intensas nas dez províncias do Canadá, com acúmulo excepcional de neve e temperaturas extremamente baixas. Aeroportos registraram cancelamentos em larga escala, rodovias foram interditadas e milhares de residências ficaram sem energia elétrica. Serviços de emergência atuaram para resgatar motoristas isolados e garantir abrigo à população vulnerável. As escolas, o comércio e as cadeias logísticas sofreram interrupções significativas nas cidades de Toronto, Montreal, Calgary e Halifax.

Entre 27 de janeiro e 2 de março de 2026, sucessivas depressões atmosféricas atingiram Portugal, trazendo chuvas persistentes, ventos fortes e episódios de inundações urbanas e rurais. As depressões Kristin, Leonardo, Marta e Regina já provocaram 18 mortes, rios transbordaram em diferentes bacias hidrográficas, afetando áreas residenciais e agrícolas. Autoridades emitiram alertas meteorológicos e acionaram planos municipais de emergência. Houve danos em estradas, escolas e lojas, além de desalojamento temporário de famílias.

Entre 23 e 24 de fevereiro de 2026, tempestades severas em diversas cidades brasileiras, em especial, Juiz de Fora (65 mortes) e Ubá (7 mortes), com destaque para episódios de chuvas torrenciais, enchentes e vendavais. Essas duas cidades mineiras registraram alagamentos, deslizamentos de terras, de encostas e interrupções no fornecimento de energia elétrica. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros atuaram em resgates e assistência humanitária às populações atingidas que perderam parentes, casas, bens e animais domésticos. Hospitais e escolas foram tomados pela lama, carros, bicicletas e motos foram arrastados e setores como agricultura, comércio e transporte sofreram prejuízos econômicos relevantes. Os eventos climáticos extremos reforçaram a necessidade de políticas públicas de prevenção e mitigação das mudanças climáticas.

8. Transição Justa: Conceito, Desafios e Conexões com Gorbachev

8.1 Definição e Origem do Termo

A humanidade vem sofrendo com eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, como nevascas, secas, chuvas intensas, ondas de calor e de frio, incêndios florestais, além de furacões, tufões, ciclones, tornados, inundações costeiras, elevação do nível do mar, e desertificação.

A Transição Justa é um conceito que surgiu nos círculos sindicais e ambientais nas décadas de 1980 e 1990, especialmente nos EUA e na Europa, como resposta à necessidade de conciliar políticas de descarbonização com a proteção dos trabalhadores e comunidades vulneráveis.

A ideia central é garantir que a transição para uma economia de baixo carbono ocorra de forma inclusiva, equitativa e sustentável, sem deixar para trás aqueles que dependem de setores intensivos em carbono. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) incorporaram o termo em suas diretrizes, reconhecendo que a justiça social deve ser um pilar das políticas ambientais.

8.2 Relação com Justiça Social e Sustentabilidade

A Transição Justa propõe uma abordagem integrada, que conecta: i) Justiça social: proteção dos direitos trabalhistas, redistribuição de oportunidades, capacitação profissional; ii) Sustentabilidade ambiental: redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), preservação dos ecossistemas; e iii) Inclusão democrática: participação ativa de comunidades, sindicatos e organizações civis nas decisões.

Essa abordagem reconhece que os impactos da transição ecológica não são uniformes. Regiões dependentes de mineração, petróleo ou agricultura intensiva enfrentam desafios específicos, e políticas públicas devem ser desenhadas para mitigar esses efeitos das emissões de GEE.

8.3 Como as Ideias Verdes de Gorbachev Antecipam o Conceito de Transição Justa

Mikhail Gorbachev, ao fundar a GCI e propor uma nova ética ecológica global, antecipou diversos elementos da Transição Justa: i) Responsabilidade compartilhada: Gorbachev defendia que governos, empresas e cidadãos deveriam atuar juntos na proteção ambiental; ii) Segurança ecológica como direito humano: ele via a degradação ambiental como ameaça à dignidade e à paz; iii) Educação e capacitação: seus projetos priorizavam a formação de uma consciência ecológica crítica; e iv) Cooperação internacional: Gorbachev acreditava que os desafios ambientais exigiam soluções multilaterais e solidárias.

Sua visão integrava justiça social, paz e sustentabilidade, os mesmos pilares que hoje sustentam a Transição Justa. Embora o termo não estivesse em uso na época, sua proposta de uma “nova ética global” ecoa fortemente nas diretrizes atuais da ONU e da OIT.

8.4. Políticas Ambientais Pós-URSS

Em abril de 1986, o desastre na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, então parte da URSS, foi um dos maiores acidentes nucleares da História da humanidade. Gorbachev enfrentou diretamente suas consequências, o que reforçou sua convicção sobre os riscos da tecnologia nuclear sem responsabilidade ecológica.

Após a dissolução da URSS em 1991, os países que emergiram do bloco soviético enfrentaram enormes desafios ambientais. A transição de economia socialista para economia de mercado trouxe impactos significativos, tais como: i) Desregulamentação ambiental: muitos países priorizaram o crescimento econômico, negligenciando normas ecológicas; ii) Contaminação industrial: áreas como Donbass e Norilsk sofreram com poluição acumulada; e iii) Falta de infraestrutura verde: a ausência de políticas públicas robustas dificultou a implementação de práticas sustentáveis.

No entanto, iniciativas como a reabilitação de áreas afetadas por Chernobyl, projetos de reflorestamento e acordos bilaterais com a União Europeia (UE) demonstram esforços pontuais de reconstrução ecológica. A atuação da GCI foi fundamental nesse processo, oferecendo apoio técnico, educação ambiental e mediação internacional.

Esses casos ilustram a importância de uma Transição Justa, logo, sem planejamento inclusivo, a transição ecológica pode aprofundar desigualdades sociais e gerar novos conflitos. Gorbachev, ao propor uma abordagem ética e cooperativa, antecipou a necessidade de políticas que conciliem crescimento econômico e equidade social.

9. Educação Ambiental e Consciência Global

9.1 Gorbachev como Educador e Influenciador Ambiental

Gorbachev não participou diretamente do Clube de Roma, em 1972, com a publicação do relatório The Limits to Growth (Os Limites do Crescimento), nem tão pouco esteve presente na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que ocorreu de 5 a 16 de junho de 1972, em Estocolmo, a capital da Suécia.

Mas, Gorbachev via a GCI, na Suíça, como uma ponte entre nações, um espaço de diálogo e ação para promover práticas sustentáveis e mitigar os efeitos de desastres ambientais, como o acidente nuclear de Chernobyl, enfrentado durante seu governo.

Sua infância na zona rural da URSS, marcada pelo respeito à terra e aos ciclos naturais, moldou sua compreensão de que os recursos do planeta são finitos. Para ele, o desenvolvimento sustentável era uma responsabilidade moral, não apenas técnica.

Mikhail Gorbachev não foi apenas um líder político e ativista ambiental, ele também se destacou como um educador global, promovendo uma nova consciência ecológica por meio de discursos, livros, artigos, conferências e iniciativas institucionais. Sua atuação na GCI evidenciou o papel da educação ambiental como ferramenta de transformação social, capaz de formar cidadãos conscientes, críticos e comprometidos com o futuro do planeta.

Gorbachev acreditava que a mudança de valores era tão essencial quanto a mudança de políticas. Para ele, a educação deveria cultivar uma ética ecológica que transcendesse fronteiras nacionais, ideológicas e econômicas.

Precisamos de uma nova ética global, baseada na responsabilidade compartilhada pela Terra”, enfatizava Gorbachev. Essa visão verde o posiciona como um influenciador de gerações, antecipando debates que hoje são centrais na educação ambiental contemporânea.

9.2 Propostas para Inclusão da Ética Ecológica nas Políticas Públicas

Mikhail Gorbachev foi o principal responsável pela reorientação das relações internacionais da União Soviética com os EUA, contribuindo decisivamente para a redução das tensões da Guerra Fria e para a construção de uma agenda baseada no diálogo e no desarmamento nuclear.

Após deixar o Kremlin, localizado ao lado da Praça Vermelha, em Moscou, passou a dedicar-se intensamente à causa ambiental, atuando na promoção do desenvolvimento sustentável, da cooperação internacional e da responsabilidade ecológica global. Seu engajamento refletia a convicção de que os desafios ambientais constituem ameaças sistêmicas à própria sobrevivência da humanidade.

O então líder comunista Gorbachev contribuiu decisivamente para a redução das tensões da Guerra Fria, ao priorizar o diálogo diplomático, a distensão estratégica e os acordos de controle de armas nucleares. Suas iniciativas políticas e sua abertura às negociações com o Ocidente foram fundamentais para diminuir o risco de um confronto militar de grandes proporções entre as duas superpotências, a URSS e os EUA. Ao substituir a lógica da confrontação do Pacto de Varsóvia com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pela cooperação, ajudou a afastar a possibilidade de uma escalada que poderia culminar em um conflito global, uma Terceira Guerra Mundial.

Mikhail Gorbachev faleceu em meio à Guerra na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma invasão em larga escala do território ucraniano, mobilizando tropas terrestres, blindados e apoio aéreo. A Ucrânia é o segundo maior país da Europa em extensão territorial, com 603.700 km², ficando atrás apenas da Rússia. A Federação Russa, por sua vez, possui cerca de 17,1 milhões de km² de área total, dos quais 3,9 milhões de km² (23%) situam-se na porção europeia e de 13,2 milhões de km² (77%) na parte asiática.

Mikhail Gorbachev propôs diversas medidas para incorporar a ética ecológica nas estruturas de poder e governança: i) Currículos escolares com enfoque ambiental: inclusão da sustentabilidade como eixo transversal na educação básica; ii) Formação de lideranças ecológicas: capacitação de gestores públicos e comunitários para atuar com responsabilidade ambiental; iii) Participação cidadã: incentivo à criação de conselhos ambientais e fóruns de diálogo entre sociedade civil e governo; iv) Legislação orientada por princípios éticos: defesa de marcos legais que reconheçam o meio ambiente como sujeito de direitos; e v) Diplomacia verde: promoção de acordos internacionais baseados na cooperação ecológica e na justiça climática.

Essas cinco propostas refletem uma abordagem sistêmica, que reconhece a interdependência entre educação, política e sustentabilidade, pois Gorbachev foi fundamental para encerrar a Guerra Fria, como também, para defender a segurança ambiental:

Quadro 3: Princípios da GCI e da Transição Justa

Princípios

GCI

Transição Justa

Ética ecológica

Responsabilidade compartilhada pela Terra

Justiça climática e equidade intergeracional

Cooperação internacional

Diálogo entre nações para enfrentar crises ambientais

Inclusão de países em desenvolvimento nas decisões globais

Segurança ambiental

Parte integrante da segurança global

Proteção dos meios de subsistência e dos direitos sociais

Educação e conscientização

Formação de cidadãos ecológicos e líderes ambientais

Capacitação profissional para empregos verdes

Participação social

Envolvimento de comunidades em projetos sustentáveis

Diálogo entre governos, sindicatos e sociedade civil

Resiliência e reconstrução pós-crise

Apoio a populações afetadas por desastres e conflitos ambientais

Mitigação dos impactos sociais da transição energética

Justiça e paz

Paz como resultado do equilíbrio entre humanidade e natureza

Redução das desigualdades e promoção de justiça social

Fontes: GCI; WRI Brasil; Plataforma CIPÓ.

Gostaria de enfatizar essa linda frase da Cruz Verde Internacional ao seu célebre fundador: “Nós lhe agradecemos, Mikhail Sergeyevich Gorbachev, por tudo o que fez pelo nosso mundo”.

10. Legado e Atualidade das Ideias Verdes de Mikhail Gorbachev

10.1 Impacto Duradouro de Suas Propostas

O legado ambiental de Mikhail Gorbachev transcende sua atuação como líder político. Ao fundar a GGI e propor uma nova ética ecológica global, ele estabeleceu as bases para uma abordagem integrada entre paz, sustentabilidade e justiça social.

Suas propostas influenciaram o desenvolvimento de políticas multilaterais, como a Carta da Terra, de 29 de junho de 2000, em Haia, nos Países Baixos, da qual foi um dos principais defensores, e inspiraram organizações que atuam na reconstrução de comunidades afetadas por desastres ambientais. Mesmo após sua morte, em 2022, suas ideias verdes continuam a reverberar em fóruns internacionais, sendo citadas por líderes mundiais como exemplo salutar.

10.2 Relevância em Tempos de Crise Climática

A intensificação das mudanças climáticas, a perda acelerada da biodiversidade e o aumento de eventos extremos, como as nevascas no Canadá, as depressões em Portugal e tempestades no Brasil, tornam as ideias verdes de Gorbachev mais urgentes do que nunca no planeta Terra.

Gorbachev alertava que o modelo de crescimento baseado no consumo desenfreado era insustentável e que a segurança ambiental deveria ser tratada como prioridade global. Sua proposta de uma “perestroika ambiental”, uma reforma profunda nos valores e práticas econômicas, antecipa os debates atuais sobre economia circular, justiça climática e transição energética. “O modelo de crescimento das economias não é sustentável. Precisamos de uma nova perestroika, mas uma perestroika sustentável”, ressaltava Gorbachev.

10.3 Reflexões sobre Cooperação Internacional e Ética Ambiental

Gorbachev acreditava que os desafios ambientais não poderiam ser resolvidos isoladamente. Defendia uma cooperação internacional baseada na transparência, no diálogo e na solidariedade, valores que hoje são pilares dos acordos climáticos multilaterais.

Sua proposta de criar um tribunal ambiental internacional para julgar crimes ecológicos mostra sua visão de que a degradação ambiental é também uma questão de justiça e direitos humanos. Ao propor uma ética ecológica global, Gorbachev antecipou a necessidade de uma nova cultura política, onde o meio ambiente não seja apenas um recurso, mas um valor compartilhado. “Não estamos falando em idealismos. Sabemos que existem batalhas reais entre grupos de interesse. Mas chegou o momento de agir”, enfatizava Gorbachev.

11. Considerações Finais

Concluindo, ao longo deste histórico artigo, foi possível revisitar o legado ambiental de Mikhail Gorbachev, destacando sua atuação como líder que transcendeu os limites da política tradicional. Desde sua proposta de segurança ambiental como parte da segurança global até a fundação da GCI, Gorbachev demonstrou um compromisso profundo com a sustentabilidade, a paz e a justiça social.

Exploramos como suas ideias verdes anteciparam os princípios da Transição Justa, propondo uma ética ecológica global baseada na cooperação internacional, na responsabilidade compartilhada e na inclusão democrática. As crises ambientais, como os incêndios em Los Angeles, nos EUA, especialmente, diante da mudanças climáticas no Canadá, Portugal e Brasil e da crescente desigualdade social no mundo, elas reforçam a atualidade de suas preocupações, evidenciando que os desafios que ele apontava se intensificaram nas últimas décadas.

A educação ambiental, defendida por Gorbachev como ferramenta de transformação, também se mostrou essencial para a construção de uma consciência coletiva capaz de enfrentar os dilemas ecológicos contemporâneos.

Revisitar o pensamento verde de Gorbachev é mais do que um exercício histórico, é um convite à ação ambiental. Governos devem incorporar a ética ecológica em suas políticas públicas; empresas precisam adotar modelos sustentáveis e transparentes; cidadãos devem exercer seu papel como agentes de mudança, cultivando práticas conscientes e exigindo responsabilidade dos líderes.

Não podemos negociar com o planeta”, defendia Mikhail Gorbachev. Que essa frase ecoe como um chamado à coragem coletiva. A construção de um futuro próspero, justo e sustentável depende da capacidade de aprender com o passado, agir no presente e imaginar, juntos, um amanhã em equilíbrio ambiental com a Terra.

Reconhecido mundialmente como arquiteto das reformas perestroika e glasnost, Gorbachev também deixou um legado ambiental significativo para as atuais e futuras gerações. Ao fundar a GCl, ele propôs uma nova ética global baseada na responsabilidade ecológica. Seus textos revelam uma preocupação profunda com o impacto humano sobre a natureza. Para ele, a segurança ambiental era inseparável da segurança global.

A destruição do meio ambiente é uma bomba-relógio que ameaça não apenas a natureza, mas também a humanidade”, afirmava Gorbachev. Essa frase sintetiza sua visão, pois não há estabilidade social sem equilíbrio ecológico. Ele propunha uma abordagem integrada, envolvendo governos, empresas e cidadãos num esforço coletivo.

Em tempos de mudanças climáticas aceleradas, perda de biodiversidade e crises hídricas, as ideias de Gorbachev ressoam com urgência. Revisitar seus escritos é reencontrar não apenas um líder político, mas um pensador comprometido com o futuro da humanidade, que agia sem preconceitos, sem rótulos, reconhecendo a qualidade de cada ser humano.

Por fim, Mikhail Gorbachev acreditava na capacidade humana de aprender com os erros e construir um mundo mais próspero, justo e sustentável. Que este tributo às suas ideias verdes sirva como um chamado à ação ambiental. A visão de um planeta sem armas atômicas, sem crises ambientais, é possível, desde que estejamos dispostos a trabalhar juntos, como ele sempre acreditou, morando, estudando, vivendo e trabalhando na sua amada Rússia.

Referências

COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1988.

GORBACHEV, Mikhail. Discurso no Fórum Global sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento para a Sobrevivência da Humanidade. Moscou, URSS, 15-19 jan. 1990.

GORBACHEV, Mikhail. Manifesto para a Terra: A Cruz Verde e o Futuro do Planeta. São Paulo: Editora Senac, 2000.

GREEN CROSS INTERNATIONAL. Who We Are. Disponível em: https://www.gcint.org/?utm_source=chatgpt.com. Acesso em: 15 set. 2025.

MACKAY, Brendan. Gorbachev was also an environmentalist. Earth Charter, 07 set. 2022. Disponível em: https://earthcharter.org/gorbachev-was-also-an-environmentalist. Acesso em: 15 set. 2025.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nova York: ONU, 2015.

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PLATAFORMA CIPÓ. Transição Justa: Uma Agenda para o Brasil. São Paulo: Plataforma CIPÓ, 2023. Disponível em: https://plataformacipo.org. Acesso em: 15 set. 2025.

WRI BRASIL. O que é uma Transição Justa e como está o progresso dos países. World Resources Institute Brasil, 2023. Disponível em: https://www.wribrasil.org.br. Acesso em: 15 set. 2025.

(*) Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior é economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba em João Pessoa, membro do Instituto de Inteligência Econômica (IIE) em São Paulo, apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência em João Pessoa, escritor, palestrante e colunista do Portal North News em Toronto. WhatsApp para entrevistas e palestras: +55 (83) 98122-7221.

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