12/03/2026 às 16h19min - Atualizada em 12/03/2026 às 16h19min

O que aconteceu com seus sonhos?

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Andy The Social Girl

Andy The Social Girl

Andrea Auerbach Vieira é influenciadora digital brasileira no Canadá há + de 20 anos, focada em bem-estar. Siga no Instagram @andythesocialgirl

Fotos: Arquivo de Família

A cinco meses de completar 50 anos, fui convocada para jogar vôlei na seleção oficial do Canadá, “Team Canada Masters 48/55”.

Sempre fui uma criança gordinha. Lembro-me de ter visitado uns 10 médicos diferentes durante minha infância, enquanto meus pais buscavam uma resposta. Fiz dezenas de exames de sangue e nada foi detectado.

Cresci e me interessei por voleibol. Jogava na praia e era aquele momento no Brasil em que o time masculino estava despontando; era paixão nacional! Entrei na escolinha de vôlei do Clube Atlético Paulistano e joguei por uns bons anos. Participamos de torneios, joguei também na escola e até fomos prata na Copa Dan-up.

Meu corpo era lento e eu ganhava peso com muita facilidade. Foi nessa época que as clínicas de emagrecimento estouraram e eles receitavam fórmulas mágicas, recheadas de anfetaminas, que te emagreciam em semanas. Durante anos, fui escrava das fórmulas; vivia um eterno efeito sanfona. Quando parava de usá-las, rapidamente engordava.

E assim continuava jogando voleibol, até que um dia eu cansei das fórmulas. Eu me lembro de deitar à noite para dormir e sentir meu coração batendo acelerado; eu tinha 15, talvez 16 anos… Resolvi parar e logo abandonei o esporte que eu tanto gostava. Naquela época, reeducação alimentar não existia; o que existia era dieta de restrição. Nunca mais joguei voleibol. Me tornei uma adulta obesa mórbida e cheguei a pesar 143,8 quilos.

Fiz uma cirurgia bariátrica em 2003, emagreci 70 quilos e, durante o processo, entendi a necessidade de mudar meu estilo de vida e hábitos alimentares. Passei a me exercitar pelo menos cinco dias por semana e a cuidar com mais atenção da minha alimentação. Mas nunca voltei a jogar voleibol…

Até que, três verões atrás, minha filha me falou que gostaria de jogar voleibol e me pediu para que eu a treinasse antes dos testes para os clubes. Minha primeira reação foi oferecer para contratar uma treinadora profissional para ela, e expliquei que eu não jogava vôlei há mais de 30 anos. Ela insistiu e eu aceitei o desafio.

Era junho e passamos o verão jogando voleibol na praia. Foi maravilhoso! Água pelo joelho, sol e muito vôlei! Ela fez teste para alguns clubes e recebeu uma oferta. Desde então, sempre "batemos uma bolinha". Em casa, na praia, quando ela chega mais cedo nos treinos, de vez em quando alugamos uma quadra para brincar…

E assim, ela foi selecionada para o projeto do Team Canada chamado Futures, que quer identificar talentos para possivelmente formar a seleção futura. Me tornei o que eles chamam aqui no Canadá de Volleyball Mom! Hoje ela está na sua terceira temporada e viajamos com o time; nossos finais de semana, durante a temporada, são sempre em torno do voleibol.

Quando estávamos fazendo o processo de qualificação para o Futures, eu vi que existe a Seleção Master Feminina de 48 a 55 anos e enviei um e-mail. Eu e minha "cara de pau"! Vou te falar que não sei se é coragem ou cara de pau, mas esse meu jeito destemido abriu todas as portas no Canadá.

Recebi de volta um e-mail do técnico da Seleção Master solicitando um vídeo meu jogando. Peguei um dos vídeos em que eu treinava com minha filha e enviei. Passaram-se alguns meses e eu segui minha vida.

Acompanhei recentemente os Jogos Olímpicos de Inverno e confesso que a coragem das atletas mais velhas, acima dos 40 anos, me chamou a atenção. Fiz até alguns posts nas minhas plataformas de mídias sociais. Tantos desafios e recomeços! Domingo, dia 08 de fevereiro, acordei às 5h para acompanhar a atleta americana Lindsey Vonn no esqui. Em 13 segundos o mundo desabou, quando ela bateu o braço na bandeira e perdeu o controle. Mas ela tentou! Contra tudo e contra as possibilidades, ela esteve lá e tentou.

Quantas vezes deixamos de fazer alguma coisa porque fomos paralisados pelo medo? O que te paralisa de correr atrás dos seus sonhos?

Segunda-feira acordei e passei meu café, abri minha caixa de e-mails e ali estava: “Andrea, gostaria de te convidar para integrar a Seleção Master Feminina do Canadá 48/55, jogando no próximo torneio em Orlando, na Flórida, em maio.”

Era o e-mail do técnico da seleção me convocando!

Em cinco meses completarei 50 anos e estarei jogando na Seleção de Masters do Canadá. Aquela menina que escutou que não era alta o suficiente para o voleibol e que era gorda demais para o esporte; que parou de sonhar porque a realidade é o dia a dia, contas para pagar, coisas para fazer; que se deixou de lado e achou que simplesmente isso não era para ela... Essa menina hoje está se olhando no espelho e honrando aquela criança que não sabia o seu potencial.

Não existem limites para o que podemos alcançar na vida e nunca é muito tarde.

Se olhe no espelho e se pergunte: você ainda sonha?

 

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