12/03/2026 às 16h37min - Atualizada em 12/03/2026 às 16h37min

BAFTA 2026 traz surpresas, favoritos e polêmicas no mundo do cinema

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Luana Saturnino

Luana Saturnino

Coluna 'Sob a lente da crítica', com Luana Saturnino: Photographer | Journalist | Visual artist -- siga no Instagram @saturnino.ph

O diretor Paul Thomas Anderson e o elenco de One Battle After Another (Fotos: Reuters)

O BAFTA (British Academy Film and Television Awards) ocorreu no dia 22 de fevereiro, no Royal Festival Hall, em Londres, Inglaterra. A cerimônia britânica está em sua 79ª edição e foi marcada por um misto de vitórias surpreendentes, favoritos e algumas polêmicas.

“Uma Batalha Após a Outra” (One Battle After Another), do diretor Paul Thomas Anderson e estrelado por Leonardo DiCaprio, foi o grande vencedor da noite. O longa-metragem levou seis estatuetas, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Paul Thomas Anderson), Melhor Ator Coadjuvante (Sean Penn), Melhor Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição.

Ao ser questionado na conferência de imprensa sobre a situação política neste momento da história global, o diretor se esquivou declarando: “Eu não sou um político, eu sou um cineasta”. No entanto, essa declaração se tornou um pouco desconexa em relação ao seu próprio filme, que retrata Leonardo DiCaprio como um ativista político envolto em uma rede de conspiração e paranoia. Nos Estados Unidos, a extrema direita no poder passou a rivalizar com o contexto do filme, que retrata os agentes militarizados de imigração do ICE em confronto com civis. O questionamento não foi infundado, mas a resposta parece ter sido. Em sua defesa, Paul Thomas Anderson esclareceu que prefere se expressar através de seus filmes.

A noite seguiu tendo mais polêmicas e pouca habilidade de relações públicas por parte da BBC, emissora britânica que gravou, editou e transmitiu o evento. Em seu discurso de aceitação pela estreia de “A Sombra de Meu Pai” (My Father’s Shadow), o diretor e produtor Akinola Davies Jr. dedicou um momento em solidariedade à guerra na Palestina. “Para aqueles sob ocupação, ditadura, perseguição e aqueles experienciando genocídio”, pontuou Akinola, terminando com o desejo de uma “Palestina livre”. Quem assistiu pela BBC não pôde ver esse trecho do discurso, pois a emissora o cortou. Há quem questione se houve censura.

Logo após o ocorrido, um momento desagradável vitimou de injúria racial os atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo. Enquanto apresentavam os indicados em uma categoria, os atores negros e a audiência ouviram uma injúria racial que partiu de um dos convidados presentes. E é aí que a discussão fica mais complexa, já que o grito partiu de John Davidson, ativista que vive com a síndrome de Tourette.

O problema é que um dos principais sintomas do transtorno são gritos, obscenidades e xingamentos involuntários, mas terrivelmente ofensivos, sem que a pessoa afetada tenha o controle neurológico sobre as falas. O sintoma se chama coprolalia e afeta de 10% a 30% das pessoas com Tourette. O ocorrido acendeu um debate entre racismo e capacitismo — o limite entre um e outro. Mas a pergunta mais justa para esse caso é a seguinte: se a BBC editou e censurou um discurso de caráter politizado, por que não o fez com uma injúria racial?

Em uma nota feliz, uma das maiores reviravoltas da história do BAFTA: o britânico Robert Aramayo venceu o prêmio de Melhor Ator por sua performance em "I Swear”. Ele desbancou apostas como Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet, além de também levar o prêmio de “Estrela em Ascensão”, votado pelo público.

O filme Marty Supreme, que liderava em várias indicações técnicas, acabou sendo o "esnobado" da noite, não levando nenhuma estatueta apesar das 11 indicações. O fato torna-se peculiar se olharmos em retrospecto a campanha agressiva do filme, com várias inverdades sobre dados de bilheteria e estatísticas na tentativa de garantir um reconhecimento maior do que, de fato, o filme teve.

Na categoria de Melhor Atriz, Jessie Buckley confirmou o favoritismo em premiações e venceu por seu papel em Hamnet, que também foi eleito Melhor Filme Britânico. Wunmi Mosaku venceu como Melhor Atriz Coadjuvante pelo sucesso “Pecadores” (Sinners), filme que também se destacou nas categorias técnicas e de trilha sonora. Ela foi a primeira atriz negra britânica a vencer a categoria no BAFTA em 2017, mas com um trabalho para televisão. Este é seu segundo prêmio, mas o primeiro para o cinema.

O ator Alan Cumming foi o anfitrião e trouxe um tom leve e ácido, chegando a distribuir lanches para algumas celebridades durante a transmissão. A Princesa de Gales, Kate Middleton, fez seu retorno oficial ao tapete vermelho após três anos de ausência para o tratamento contra um câncer, acompanhando o Príncipe William. Nem sempre o BAFTA pode ser considerado um termômetro para outras premiações de cinema da temporada. É preciso lembrar o caráter intrinsecamente britânico da produção, o que não se reflete a rigor em outros eventos e públicos. Fica o lembrete de que não se compara BAFTA com Cannes ou Oscar. Faça suas apostas.

 

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