28/03/2026 às 17h49min - Atualizada em 28/03/2026 às 17h49min

Oscar 2026: uma edição morna que ao menos entregou algumas conquistas históricas

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Luana Saturnino

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Coluna 'Sob a lente da crítica', com Luana Saturnino: Photographer | Journalist | Visual artist -- siga no Instagram @saturnino.ph

Jessie Buckley aceita o prêmio de Melhor Atriz por “Hamnet” na 98ª edição do Oscar, em 15 de março de 2026, em Hollywood, Califórnia (Foto: Kevin Winter/Getty Images)

A 98ª edição do Oscar, realizada em março de 2026 no Dolby Theatre de Los Angeles, marcou momentos inéditos de representatividade enquanto deixou outros passarem. Sob o comando do experiente apresentador Conan O'Brien, a cerimônia trouxe aquele tradicionalismo norte-americano de Hollywood com algumas vitórias históricas. Uma estatueta após a outra

O prêmio de Melhor Filme foi entregue a “Uma Batalha Após a Outra” (One Battle After Another), contrariando muitas previsões para uma categoria com tantos outros favoritos que impactaram a cultura do cinema entre 2025 e 2026. Em uma categoria com concorrentes tão fortes e cultuados em várias premiações mundiais como “Pecadores” (Sinners), “Hamnet” e até “O Agente Secreto” (The Secret Agent), a escolha de vencedor surpreende.

O longa dirigido por Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da noite, levando 6 estatuetas. Além de Melhor Filme, o longa levou Melhor Direção. A primeira vitória de Anderson na categoria após quatro indicações em sua carreira. O filme também levou Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante para Sean Penn. Aliás, o ator não compareceu à cerimônia, algo típico de sua parte, e quem recebeu a estatueta em seu lugar foi Kieran Culkin após apresentar a categoria. Um dos favoritos para a categoria era Delroy Lindo, que após décadas de carreira, entregou uma performance terna e emocionante em “Pecadores”.

Entre sangue e Blues: o mérito de Pecadores

Apesar de não ter levado o troféu nas categorias principais, o épico de terror e ação Pecadores de Ryan Coogler garantiu momentos inesquecíveis. Michael B. Jordan venceu seu primeiro Oscar de Melhor Ator pelo protagonismo duplo como os gêmeos Smoke e Stack. Ele superou nomes como Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet, que não ganhou nada além de uma campanha problemática.

Autumn Durald Arkapaw tornou-se a primeira mulher a vencer o Oscar de Melhor Fotografia em quase um século de premiação. Na área da fotografia Arkapaw desenvolveu equipamentos e luz que privilegiam tons de peles escuras, algo normalmente ignorado no mundo do audiovisual. A escolha técnica de Arkapaw é pioneira ao unir Imax, câmeras Ultra Panavision e filmes analógicos Kodak Ektachrome, dando um campo de visão amplo, dramático e único para a cinematografia ao longa. Pecadores também venceu Melhor Roteiro Original para Ryan Coogler e Melhor Trilha Sonora com a maestria de Ludwig Goransson em sua homenagem ao Blues.

 

Presenca brazuca

O cinema brasileiro teve uma presença notável, embora não tenha levado prêmios. O aplaudido Wagner Moura subiu ao palco como apresentador da categoria mais nova de Melhor Direção de Elenco. Além de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, ter sido indicado a quatro categorias, algo inédito ao Brasil, a fotografia do brasileiro Adolpho Veloso por Sonhos de Trem (Train Dreams) representou o país. No entanto, o prêmio de Melhor Filme Internacional ficou com o norueguês Valor Sentimental (Sentimental Value), mais um país que nunca havia vencido na premiação.

 

Favoritos nas telas

Jessie Buckley se consolidou não só como a favorita da noite, mas a favorita do ano. Ela venceu Melhor Atriz por Hamnet, desbancando a antiga vencedora Emma Stone e dedicando o prêmio ao "caos do coração de uma mãe". Vale lembrar que Jessie Buckley tem passado pela temporada como principal escolha na categoria e muito merecidamente por sua performance belíssima, de fazer qualquer um chorar copiosamente no drama.

A categoria de Melhor Curta-Metragem em Live-Action registrou uma raridade na cerimônia com um empate técnico entre The Singers e Two People Exchanging Saliva. Frankenstein, de Guillermo del Toro, dominou as categorias técnicas e visuais, levando Melhor Design de Produção, Maquiagem e Penteado e o consagrado Figurino, o prêmio mais observado pelos profissionais de moda.

O ator espanhol Javier Bardem e outros premiados utilizaram o microfone para pedir o fim de conflitos globais, com menções diretas à situação em Gaza. Bardem declarou “Não à guerra, Palestina Livre” no palco enquanto usava uma aplicação em seu terno inscrito "No a la guerra”, mesmo item que ele usou no tapete vermelho de 2003. Dessa vez, o ato não foi censurado pela transmissão.

O segmento In Memoriam foi marcado por uma performance emocionante de Barbra Streisand, se despedindo de Robert Redford, Catherine O’Hara e Rob Reiner. Mas atores recentemente falecidos ficaram de fora como Eric Dane e James Van der Beek.

No entanto, a conclusão é de que a cerimônia do Oscar tem se tornado menos impactante no cenário cultural e precisa se reinventar de alguma forma. A audiência da transmissão decresce com o passar dos anos e um evento truncado com mais de três horas não segura o público.

Salvo conquistas históricas, foi uma cerimônia morna sem muita euforia, roteiro datado e um humor sem muito tempero.

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