Considerações Iniciais
Estimados leitores lusófonos do Portal North News, as projeções econômicas divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), por meio do relatório World Economic Outlook de abril de 2026, apontam para um cenário de crescimento econômico global marcado por contrastes de desempenho entre economias avançadas e emergentes.
Enquanto diversos países emergentes continuam impulsionando a expansão da atividade econômica mundial, parte das economias desenvolvidas enfrenta desafios estruturais que limitam seu potencial de crescimento econômico, incluindo o envelhecimento populacional, o baixo avanço da produtividade do trabalho e os efeitos persistentes de políticas monetárias mais restritivas adotadas nos últimos anos.
As projeções para a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real em 2026 evidenciam diferenças relevantes entre os países integrantes do Grupo dos Sete (G7), do BRICS (Brasil, Russia, India, China, and South Africa) e do Grupo dos Vinte (G20). Os dados do FMI reforçam a crescente importância das economias emergentes, especialmente da Ásia, como motores da expansão econômica mundial.
Este artigo analisa as projeções da taxa de crescimento do PIB real para 2026 divulgadas pelo FMI para três importantes agrupamentos econômicos internacionais: os sete países desenvolvidos que compõem o G7, as dez nações emergentes e integrantes do BRICS e os dezenove países-membros do G20.
G7: crescimento baixo entre as economias desenvolvidas
O G7 reúne as sete principais economias avançadas do planeta: Estados Unidos da América (EUA), Alemanha, Japão, Reino Unido (RU), França, Itália e Canadá. Desde a primeira cúpula em 1975, o grupo exerce influência significativa sobre a governança econômica global, sendo referência em inovação tecnológica, desenvolvimento humano e estabilidade financeira.
As projeções do FMI indicam que os EUA deverão liderar o crescimento econômico entre os integrantes do G7 para 2026, com expansão estimada de 2,3% do PIB real. Em seguida aparecem Canadá (1,5%), França (0,9%), Alemanha (0,8%), RU (0,8%), Japão (0,7%) e Itália (0,5%).
| Quadro 1: Projeções da taxa de crescimento do PIB real do G7 para 2026 | ||
| Ranking | País | Taxa de crescimento do PIB real para 2026 |
| 1º | EUA | 2,3% |
| 2º | Canadá | 1,5% |
| 3º | França | 0,9% |
| 4º | Alemanha | 0,8% |
| 5º | RU | 0,8% |
| 6º | Japão | 0,7% |
| 7º | Itália | 0,5% |
| Fonte: FMI (Abril/2026). | ||
A taxa média de crescimento projetada para o G7 é de apenas 1,1% para 2026, refletindo os desafios enfrentados pelas economias avançadas, como envelhecimento populacional, menor crescimento da produtividade do trabalho e os efeitos das elevadas taxas de juros adotadas para combater a inflação nos últimos anos, além dos sérios impactos causados pelas mudanças climáticas.
Embora os EUA mantenham desempenho relativamente superior ao de seus pares desenvolvidos do G7, o crescimento agregado do grupo econômico permanece modesto quando comparado ao dinamismo observado em diversas economias emergentes do BRICS.
BRICS: protagonismo crescente das economias emergentes
O BRICS consolidou-se como o principal agrupamento econômico do Sul Global. Inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) desde a primeira cúpula em 2009, o grupo passou a incluir a África do Sul em 2011 e foi ampliado recentemente com a entrada de Egito, Emirados Árabes Unidos (EAU), Etiópia e Irã no ano de 2023 e, posteriormente da Indonésia, em 2025.
Vale destacar que a Argentina e a Arábia Saudita foram convidadas oficialmente a integrar o BRICS durante o processo de ampliação do grupo anunciado em 2023. No entanto, a Argentina optou por não aderir ao maior grupo econômico do Sul Global após a mudança de governo ocorrida em 2024, enquanto a Arábia Saudita ainda não formalizou sua adesão, mantendo uma posição de cautela estratégica diante das implicações geopolíticas e econômicas de sua eventual participação no grupo BRICS.
| Quadro 2: Projeções da taxa de crescimento do PIB real do BRICS para 2026 | ||
| Ranking | País | Taxa de crescimento do PIB real para 2026 |
| 1º | Etiópia | 9,2% |
| 2º | Índia | 6,5% |
| 3º | Indonésia | 5,0% |
| 4º | China | 4,4% |
| 5º | Egito | 4,2% |
| 6º | EAU | 3,1% |
| 7º | Brasil | 1,9% |
| 8º | Rússia | 1,1% |
| 9º | África do Sul | 1,0% |
| 10º | Irã | -6,1% |
| Fonte: FMI (Abril/2026). | ||
As projeções para 2026 revelam um cenário significativamente mais dinâmico do que o observado no G7. A Etiópia deverá registrar a maior taxa de crescimento econômico do grupo, alcançando expressivos 9,2%. Na sequência aparecem Índia (6,5%), Indonésia (5,0%), China (4,4%), Egito (4,2%), EAU (3,1%), Brasil (1,9%), Rússia (1,1%) e África do Sul (1,0%).
O destaque negativo fica por conta do Irã, cuja economia deverá apresentar retração de 6,1%, refletindo impactos geopolíticos e dificuldades econômicas associadas os conflitos militares no Oriente Médio.
A média de crescimento do PIB projetada para o BRICS alcança 3,0% para 2026, quase três vezes superior à média observada no G7 (1,1%). O resultado reforça o papel crescente dos países emergentes na expansão da economia mundial.
G20: Índia lidera as projeções do FMI entre as maiores economias do mundo
Criado em 1999, o G20 reúne 19 das maiores economias do mundo, além da União Europeia (UE) e, mais recentemente, em 2023, da União Africana (UA). Entre seus membros estão nove economias desenvolvidas, os EUA, Alemanha, Japão, RU, França, Itália, Canadá, Coreia do Sul e Austrália, e dez grandes economias emergentes, a China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, México, Turquia, Arábia Saudita, Argentina e África do Sul.
Em conjunto, os 19 países-membros do G20 respondem por aproximadamente 85% do PIB mundial, cerca de 75% do comércio internacional e aproximadamente 63% da população global, consolidando o G20 como o principal fórum de cooperação econômica e financeira internacional.
| Quadro 3: Projeções da taxa de crescimento do PIB real do G20 para 2026 | ||
| Ranking | País | Taxa de crescimento do PIB real para 2026 |
| 1º | Índia | 6,5% |
| 2º | Indonésia | 5,0% |
| 3º | China | 4,4% |
| 4º | Argentina | 3,5% |
| 5º | Turquia | 3,4% |
| 6º | Arábia Saudita | 3,1% |
| 7º | EUA | 2,3% |
| 8º | Austrália | 2,0% |
| 9º | Coreia do Sul | 1,9% |
| 10º | Brasil | 1,9% |
| 11º | México | 1,6% |
| 12º | Canadá | 1,5% |
| 13º | Rússia | 1,1% |
| 14º | África do Sul | 1,0% |
| 15º | França | 0,9% |
| 16º | Alemanha | 0,8% |
| 17º | RU | 0,8% |
| 18º | Japão | 0,7% |
| 19º | Itália | 0,5% |
| Fonte: FMI (Abril/2026). | ||
Segundo as projeções do FMI, a Índia deverá liderar o crescimento econômico entre os países do G20 para 2026, com expansão estimada de 6,5%, consolidando sua posição como uma das principais locomotivas da economia mundial. Na sequência aparecem Indonésia (5,0%), China (4,4%), Argentina (3,5%), Turquia (3,4%), Arábia Saudita (3,1%), EUA (2,3%), Austrália (2,0%), Coreia do Sul (1,9%) e Brasil (1,9%).
Na parte inferior do ranking encontram-se França (0,9%), Alemanha (0,8%), RU (0,8%), Japão (0,7%) e Itália (0,5%), evidenciando as dificuldades enfrentadas por várias economias avançadas para acelerar seu ritmo de crescimento econômico. A média projetada para o conjunto do G20 é de 2,2% para 2026, impulsionada principalmente pelas economias emergentes da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina.
Brasil manterá crescimento econômico baixo
Segundo o FMI, o Brasil com 213,4 milhões de habitantes deverá registrar crescimento econômico de 1,9% para 2026, ocupando a sétima posição entre os integrantes do BRICS e empatado com a Coreia do Sul na disputa pela nona ou décima colocação no ranking do G20.
Embora o desempenho brasileiro permaneça superior à média projetada para o G7 (1,1%), o país sul-americano ainda apresenta ritmo de crescimento inferior ao observado em economias emergentes de maior dinamismo, como Índia (6,5%), Indonésia (5,0%) e China (4,4%).
Além disso, a taxa projetada para o Brasil também se situa abaixo da prevista para alguns países do G20 que não pertencem nem ao G7 nem ao BRICS, casos de Argentina (3,5%), Turquia (3,4%), Arábia Saudita (3,1%) e Austrália (2,0%). Em contrapartida, o crescimento brasileiro deverá igualar-se ao da Coreia do Sul (1,9%) e superar o do México (1,6%), ambos também não são membros do G7 nem do BRICS, assim posicionando o país latino-americano em uma faixa intermediária de desempenho entre as dezenove principais economias do planeta.
O fortalecimento do crescimento econômico brasileiro no longo prazo dependerá da ampliação dos investimentos produtivos, da modernização da infraestrutura logística, do aumento da produtividade do trabalho, da difusão da inovação tecnológica e da melhoria do ambiente de negócios, além de adotar medidas de prevenção frente aos impactos das mudanças climáticas.
A ascensão das economias emergentes na economia mundial
As projeções econômicas do FMI reforçam uma tendência observada ao longo das últimas décadas, o deslocamento gradual do centro de gravidade da economia mundial em direção aos países emergentes. Fatores como crescimento populacional, expansão dos mercados consumidores, urbanização acelerada e investimentos em infraestrutura logística têm favorecido economias como Índia, Indonésia, China e Etiópia.
Por outro lado, diversas economias desenvolvidas enfrentam desafios relacionados ao envelhecimento demográfico e elevados níveis de endividamento público, fatores que limitam seu potencial de expansão econômica.
Cabe destacar que a próxima Cúpula do G7 começará amanhã na cidade francesa de Évian-les-Bains, reunindo os líderes das sete maiores economias industrializadas do mundo. A 52ª Cúpula do G7 na França que ocorrerá entre os dias 15 e 17 de junho de 2026, em um contexto internacional por elevadas tensões geopolíticas, decorrentes da continuidade da Guerra na Ucrânia, da Guerra no Oriente Médio, da guerra comercial iniciada pelos EUA e dos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Nesse cenário desafiador, a Cúpula do G7 liderada pelo presidente francês Emmanuel Macron deverá concentrar seus debates em temas relacionados à segurança internacional, estabilidade econômica, transição energética, comércio internacional e cooperação para o enfrentamento dos impactos das mudanças do clima cada vez mais severos.
Considerações Finais
Finalizando, as projeções do FMI para 2026 reforçam o crescente protagonismo das economias emergentes na dinâmica de expansão da economia mundial em plena Guerra na Ucrânia, em plena Guerra no Oriente Médio e em plena guerra comercial iniciada pelos EUA.
Entre os 23 países analisados, a Etiópia deverá apresentar a maior taxa de crescimento econômico, com expansão estimada de 9,2% para 2026, enquanto a Itália registrará um dos menores desempenhos, com crescimento projetado de apenas 0,5%. A Índia, por sua vez, deverá consolidar sua posição entre os principais motores do crescimento global, liderando o ranking das 19 economias do G20.
Os resultados evidenciam a forte contribuição de países emergentes da Ásia e África para o crescimento da atividade econômica internacional. Fatores como expansão demográfica, urbanização, investimentos em infraestrutura e ampliação dos mercados consumidores continuam favorecendo essas economias.
No caso brasileiro, a projeção de crescimento de 1,9% para 2026 indica uma trajetória de expansão econômica baixa. O desafio consiste em criar condições para elevar o potencial de crescimento de longo prazo por meio do aumento da produtividade do trabalho, da inovação tecnológica, da competitividade internacional e dos investimentos em capital humano.
Em um ambiente internacional cada vez mais competitivo e multipolar, a capacidade de adaptação às transformações tecnológicas, econômicas e geopolíticas, além das mudanças climáticas, será determinante para o desempenho das nações na economia mundial nas próximas décadas.
Referência
IMF. World Economic Outlook: Global Economy in the Shadow of War, April/2026. Disponível em: https://www.imf.org/-/media/files/publications/weo/2026/april/english/text.pdf. Acesso em: 13 jun. 2026.
(*) Paulo Galvão Júnior é economista brasileiro (CORECON-PB 1392), conselheiro efetivo do Conselho Regional de Economia da Paraíba (CORECON-PB), secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba (FCF-PB), membro do Instituto de Inteligência Econômica (IIE), integrante do Grupo de Reforma Tributária da Paraíba (GRT-PB) e apresentador do programa Economia em Alta, da rádio web Alta Potência. WhatsApp para palestras e entrevistas: +55 (83) 92000-4420.