Há momentos na vida de um pai que se eternizam no coração. O verão europeu de 2026 proporcionou-me um desses momentos inesquecíveis. Pela primeira vez, vi minha querida filha, Pamella Noemi Rodrigues Galvão, bacharela em Relações Internacionais (RI) pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestre em Ciência Política pela Université de Montréal e, atualmente, professora de Língua Inglesa, Língua Francesa, Língua Portuguesa e de RI, no Canadá, realizar um dos seus maiores sonhos, viajar para o Reino Unido (RU).
Ao lado do seu jovem esposo, Humberto Escorel Neto, Pamella percorre as ruas históricas de Londres, cidade que influenciou profundamente a cultura, a política, a literatura, a ciência, o esporte, a economia e a música mundial. Cada fotografia enviada representa muito mais do que uma viagem turística; simboliza a recompensa de anos de dedicação aos estudos, às línguas estrangeiras e ao conhecimento.
Ao contemplar o majestoso Big Ben, observar a histórica Elizabeth Tower, caminhar às margens do rio Tâmisa, admirar a imponência da London Eye, visitar o extraordinário British Museum, encantar-se com as obras-primas da National Gallery e conhecer a imponente estátua do Duke of York Column, minha filha caçula percorre também um caminho afetivo que une gerações.
É impossível falar de Londres, capital do RU, formado por quatro países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, sem lembrar daquela que, para milhões de pessoas, continua sendo a maior banda de rock de todos os tempos: The Beatles.
Quatro jovens da cidade de Liverpool transformaram definitivamente a história da música mundial. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr não apenas venderam centenas de milhões de discos; mudaram comportamentos, influenciaram culturas, inspiraram artistas e ensinaram ao mundo que a música pode atravessar fronteiras, idiomas e gerações.
Hoje, 3 de julho de 2026, Paul McCartney continua encantando plateias aos 84 anos, demonstrando uma vitalidade admirável nos cinco continentes. Seu inseparável companheiro de banda, Ringo Starr segue igualmente ativo, aos 86 anos, espalhando alegria por onde passa.
Infelizmente, dois dos quatro Beatles partiram cedo demais. John Lennon foi assassinado, em 1980, aos 40 anos, em Nova York, quando ainda tinha muito a oferecer à música e à humanidade. Vinte e um anos depois, em 2001, George Harrison faleceu aos 58 anos, em Los Angeles, deixando um legado musical e espiritual que permanece vivo em cada nova geração de fã da banda inglesa, The Beatles.
Existe uma coincidência histórica que sempre me emociona profundamente.
O ano de 1970, quando nasci no Brasil, foi também um dos mais marcantes da história do futebol e da música mundial. Naquele ano, a Seleção Brasileira conquistou, no México, o inesquecível tricampeonato mundial de futebol, encantando o planeta com Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivellino, Carlos Alberto Torres e tantos outros gênios do futebol. Foi também o ano em que chegava ao fim a trajetória artística dos Beatles, encerrando uma das mais extraordinárias páginas da história da música mundial. Embora a banda inglesa tenha se separado, sua extraordinária obra jamais terminou.
Tenho certeza de que 1,5 bilhão de estudantes, em diferentes países, em diferentes décadas, tiveram seu inesquecível contato com a Língua Inglesa por meio de uma canção dos Beatles, como “Here, There and Everywhere” e "Hello, Goodbye". Quantos professores de inglês utilizaram suas músicas para ensinar vocabulário, pronúncia, interpretação de texto? Quantas professoras de inglês despertaram em seus alunos o amor pela língua inglesa com as lindas canções dos Beatles?
Quem nunca se emocionou ouvindo "And I Love Her"? Quem nunca cantou "Yesterday", “Help”, “Yellow Submarine”, "Love Me Do", "All You Need Is Love", "Let It Be", "Hey Jude", "Something", “All My Loving”, “Don't Let Me Down”, “Penny Lane”, ou "Here Comes the Sun"? Quem nunca dançou "She Loves You", “Please Please Me”, “Can't Buy My Love”, “I Want To Hold Your Hand”, “A Hard Day’s Night” ou "Twist and Shout"?
Cada uma dessas canções é uma pequena obra-prima. Algumas falam de amor; outras, de esperança, amizade, paz e superação. Todas permanecem extraordinariamente atuais, mesmo após mais de seis décadas de sua criação no RU.
Talvez esse seja o verdadeiro segredo da imortalidade dos Beatles, pois escreveram canções para o coração humano, e o coração nunca envelhece.
Enquanto Pamella percorre as ruas londrinas ao lado do jovem esposo, Humberto, imagino quantas vezes ouviu essas músicas durante sua formação como estudante e, posteriormente, como professora de inglês. Hoje, ela caminha pelos mesmos cenários que inspiraram a maior revolução musical do século XX.
Como pai, sinto um orgulho imenso ao vê-la transformar conhecimento em experiências, idiomas em pontes culturais e sonhos em realidade. Na atualidade, ela já conheceu dez países, desde que, aos 16 anos, realizou sua primeira viagem internacional sozinha, tendo Paris como destino de férias. Desde então, a França e mais nove países (Bélgica, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Canadá, República Dominicana, Panamá, País de Gales e Inglaterra) passaram a fazer parte de sua formação acadêmica, profissional e humana.
Pamella é fluente em inglês e francês, com noções básicas de espanhol e italiano. Lembro-me de que fui eu quem lhe presenteou, ainda criança, com um pequeno livro infantil e ilustrado. Em suas páginas coloridas apareciam as 26 letras do alfabeto da Língua Inglesa, divididas em 5 vogais (A, E, I, O, U) e 21 consoantes (B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z), sendo na letra A, uma figura de uma “Apple”; na letra Z, uma figura de uma “Zebra”. Foi um presente barato, mas inesquecível, que plantou as primeiras sementes de uma paixão que hoje floresce em sua brilhante trajetória profissional e acadêmica.
Filhos e filhas crescem, constroem suas famílias, seguem seus próprios caminhos e, muitas vezes, vivem em outros países ou em diferentes regiões do Brasil. Entretanto, levam consigo os valores aprendidos em casa: o amor pela família, pelos estudos, pela cultura, pela educação e pela permanente curiosidade de conhecer o mundo.
Ao contemplar as imagens de Londres enviadas pelo Instagram e pelo WhatsApp por Pamella e Humberto, como a linda e histórica Tower Bridge, lembro-me imediatamente dos versos de uma das mais belas canções, “And I Love Her”, escrita principalmente por Paul McCartney e creditada à parceria Lennon e McCartney. É a quinta faixa do terceiro álbum da banda inglesa, A Hard Day’s Night, que foi lançada em 20 de julho de 1964, de modo que a música completará 62 anos de extraordinário sucesso.
Sim, uma linda filha em Londres: "And I Love Her".
Que Londres continue encantando vocês, Pamella e Humberto. Que o rio Tâmisa leve consigo lembranças inesquecíveis deste jovem casal. Que o famoso relógio do Big Ben marque, para sempre, esse capítulo tão especial da vida de vocês.
Que as obras-primas de mestres universais como Leonardo da Vinci, Pablo Picasso, Vincent van Gogh, Claude Monet, Rembrandt, e tantos outros, expostas na famosa National Gallery, continuem encantando vocês com a beleza da arte e da criatividade humana.
E que as lindas canções dos quatro eternos garotos de Liverpool continuem embalando as atuais e futuras gerações, lembrando-nos de que a verdadeira arte jamais morre. Sua saudosa avó paterna cantou muito as lindas canções dos Beatles na década de 1960. Seu avô paterno e poliglota conheceu a terra de William Shakespeare na década de 1970, viu de perto a saudosa Rainha Elizabeth II e andou no famoso ônibus vermelho de dois andares. Os Beatles ensinaram ao mundo, o amor continua sendo a maior força capaz de unir pessoas, culturas e gerações: "All You Need Is Love".
E, para um pai, o amor por uma filha é, verdadeiramente, infinito. Não importa onde você esteja neste planeta, seja em João Pessoa, Cabedelo, Recife, Garanhuns, Canhotinho, Tibau do Sul, Baía Formosa, Boqueirão, Cabaceiras, São Paulo, Campos do Jordão, Ribeirão Pires, Aparecida, Lisboa, Paris, Bruxelas, Valência, Madri, Porto, Braga, Toronto, Montreal, Nova York, Ottawa, Quebec City, Niagara Falls, Miami, Orlando ou, sobretudo hoje, em Londres: I Love You, Pamella! Kisses! Santé! Saudade!
E, se ainda houver um pequeno espaço na bagagem, não esqueça do presente que lhe pedi pelo WhatsApp: um exemplar de The Wealth of Nations, do filósofo e economista escocês Adam Smith (1723-1790), publicado pela primeira vez em Londres, em 1776. Em 2026, essa obra-prima da Economia completou 250 anos de publicação e continua sendo um dos livros mais influentes da história do pensamento econômico, razão pela qual Adam Smith é reconhecido mundialmente como o pai da Economia moderna. Don't forget, daughter, please!
(*) Economista brasileiro, escritor, casado com Núbia, pai de Priscilla e de Pamella, avô de Pedro, sogro de Gabriel e de Humberto, fã da banda inglesa The Beatles e colunista do Portal North News, em Toronto.