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28/02/2022 às 11h00min - Atualizada em 28/02/2022 às 23h45min

Chernobyl: o que explica o interesse da Rússia no local do maior desastre nuclear da história

A Zona de Exclusão de Chernobyl está no meio da rota mais direta da fronteira de Belarus, onde foi lançado um dos principais ataques da Rússia para Kiev.

Co - autora: Isabela Peixer
CNN
Tropas russas assumiram o controle da usina de Chernobyl, local onde ocorreu o pior desastre nuclear da história décadas atrás, durante o primeiro dia de sua invasão ao território ucraniano.

A tomada da região no norte da Ucrânia ocorreu logo na quinta-feira (24), no primeiro da invasão russa ao território ucraniano.

Os combates continuaram nos dias seguintes, em diferentes partes do país, incluindo Kiev, a capital, a região de Donbass e o sul da península da Crimeia, tomada pela Rússia em 2014. É um ataque ao longo das fronteiras da Ucrânia com a Rússia e a Bielorrússia.

Mas por que a Rússia decidiu assumir o controle da usina nuclear, agora desativada, e da cidade de Chernobyl, uma área abandonada desde 1986 e ainda parcialmente contaminada pela radiação, tão cedo na guerra?

Após o desastre, foi criada uma Zona de Exclusão, de 30 quilômetros ao redor da usina de Chernobyl. Isso inclui as cidades de Pripyat, próximas à usina nuclear, e Chernobyl, a cerca de 15 quilômetros de distância, que se tornaram cidades fantasmas.

A invasão russa em Chernobyl
A usina de Chernobyl está localizada a cerca de 15 quilômetros da fronteira entre a Ucrânia e Belarus, de onde vem um dos muitos avanços sobre a Ucrânia pelas tropas russas. Também fica a cerca de 100 quilômetros ao norte de Kiev, capital da Ucrânia.

Soldados russos chegaram à fábrica no primeiro dia da invasão, disse à CNN um porta-voz da Agência Estatal Ucraniana para a Gestão de Zonas de Exclusão, Yevgeniya Kuznetsov.

Alyona Shevtsova, conselheira do comandante das Forças Terrestres Ucranianas, disse pelo Facebook que as forças russas assumiram o controle da usina e que funcionários foram feitos “reféns”.

Mykhailo Podolyak, um conselheiro presidencial ucraniano, explicou que o controle da zona de Chernobyl foi perdido após uma “batalha feroz”. Ele acrescentou que o status das instalações de armazenamento de resíduos nucleares da antiga usina de Chernobyl é desconhecido.

Por outro lado, o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, disse à agência estatal russa Tass que os paraquedistas que apreenderam a usina “chegaram a um acordo com o pessoal ucraniano para proteger o reator nuclear e o sarcófago que o protege”.

A agência nuclear da Ucrânia e o Ministério do Interior disseram na sexta-feira (25) que estavam registrando níveis crescentes de radiação no local depois que ele foi apreendido pela Rússia, informou a Reuters.

O Kremlin negou essas alegações, dizendo que os níveis eram normais.

Por que a Rússia decidiu capturar Chernobyl?
A Zona de Exclusão de Chernobyl está no meio da rota mais direta da fronteira de Belarus, onde foi lançado um dos principais ataques da Rússia para Kiev. 

Essa localização geográfica já havia levado o governo ucraniano a enviar tropas para o local no início de fevereiro, esperando um ataque.

Uma fonte de segurança russa citada pela Reuters disse que os soldados russos se concentraram na Zona de Exclusão, que cobre parte do território bielorrusso, antes de cruzar para a Ucrânia na quinta-feira no início da invasão.

Essa fonte disse que a Rússia está tentando controlar a usina de Chernobyl para sinalizar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — a aliança defensiva liderada pelos EUA no centro do conflito sobre as tentativas da Ucrânia de se juntar ao grupo — que não interfira militarmente no conflito.

Konashenkov disse que a captura da usina de Chernobyl era “uma garantia de que grupos nacionalistas e outras organizações terroristas não poderão usar a situação atual do país para realizar uma provocação nuclear”, ecoando as acusações infundadas de Putin. contra o governo ucraniano.

O que aconteceu em Chernobyl em 1986?

Uma explosão destruiu o reator nº 4 na fábrica Vladimir Lenin, em Chernobyl, então controlada pela União Soviética, em 26 de abril de 1986, durante um teste de segurança que falhou.

Nuvens de material radioativo se espalharam pela Europa no que se tornou o pior desastre nuclear da história.

Mais de 30 pessoas morreram imediatamente após a explosão e, nos anos que se seguiram, muitas outras morreram por sintomas de radiação, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governo ucraniano evacuou cerca de 135 mil pessoas da área e criou a zona de exclusão de 30 quilômetros ao redor da usina, para que permaneça inabitável por décadas. 

Ainda assim, algumas pessoas continuam morando em Chernobyl e equipes de manutenção continuaram trabalhando no reator.

Nos meses após o acidente, um sarcófago foi construído para cobrir o reator nº 4 e conter o material radioativo. No entanto, desde então se deteriorou, levando a vazamentos de radiação.

Em 2016, uma estrutura conhecida como Novo Confinamento Seguro foi colocada sobre o sarcófago. O enorme design em forma de arco visa evitar a liberação de material contaminado, bem como proteger o sarcófago de impactos externos, como tornados ou tempestades elétricas extremas.

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