O número de mortos nos protestos no Irã atingiu 2.571, informou o grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, nesta quarta-feira.
Enquanto os líderes clericais da República Islâmica tentam esmagar a maior onda de dissidência em anos, surgem ameaças de uma intervenção norte-americana.
Um novo confronto entre Washington e Teerã, após uma campanha de bombardeios de Israel e dos EUA contra o programa nuclear iraniano no ano passado, desestabilizaria ainda mais o Oriente Médio — região já castigada por dois anos de guerra em Gaza.
O presidente dos EUA, Donald Trump, instou os iranianos na terça-feira a continuarem protestando, prometendo que "a ajuda está a caminho".
Autoridades iranianas, no entanto, acusaram os EUA e Israel de alimentarem a violência no país e culparam "agentes terroristas" sob orientação estrangeira pelas mortes e pela instigação dos atos.
O HRANA afirmou que, até o momento, verificou a morte de 2.403 manifestantes, 147 indivíduos ligados ao governo, 12 menores de 18 anos e nove civis que não participavam dos protestos.
Uma autoridade iraniana declarou na terça-feira que cerca de 2.000 pessoas foram mortas, marcando a primeira vez que o governo fornece um balanço total de mortes após mais de duas semanas de agitação nacional.
"Ajuda a caminho"
Questionado sobre o que quis dizer com "a ajuda está a caminho", Trump disse aos repórteres que eles teriam que "descobrir por conta própria". O presidente afirmou que a ação militar está entre as opções que avalia para punir o Irã pela repressão aos manifestantes.
Trump já anunciou tarifas de importação de 25% sobre produtos de qualquer país que faça negócios com o Irã — um grande exportador de petróleo. A China, que compra grande parte das exportações iranianas, criticou prontamente a medida.
Em uma chamada telefônica no sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiram a possibilidade de uma intervenção norte-americana no Irã, de acordo com uma fonte israelense presente na conversa. O Irã prometeu retaliar qualquer ataque visando Israel e bases ou navios dos EUA.
A agitação, desencadeada por condições econômicas precárias, representa o maior desafio interno aos governantes do Irã em pelo menos três anos, ocorrendo em um momento de intensificação da pressão internacional sobre os programas nuclear e de mísseis balísticos do país.
Trump declarou ter cancelado todas as reuniões com autoridades iranianas até que a "matança sem sentido" de manifestantes pare. Em um comentário posterior, disse aos iranianos para "guardarem os nomes dos assassinos e agressores... porque eles pagarão um preço muito alto".
Esforços diplomáticos do Irã
Autoridades iranianas intensificaram contatos diplomáticos na região nos últimos dias, realizando chamadas com representantes do Catar, Turquia e Iraque.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, conversou com seu homólogo nos Emirados Árabes Unidos (EAU) nesta quarta-feira. O país do Golfo é um grande parceiro comercial de Teerã, mas também um aliado próximo dos EUA e de Israel.
Araqchi disse ao xeique Abdullah bin Zayed al-Nahyan que "a calma prevaleceu (no Irã) graças à vigilância do povo e das forças de segurança" e que os iranianos estão determinados a defender sua soberania nacional contra qualquer interferência estrangeira.
Na terça-feira, Araqchi também conversou com o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, pedindo que condenasse a "intervenção estrangeira nos assuntos internos" do Irã. A França, por sua vez, convocou o embaixador iraniano devido à repressão "insuportável e desumana" das autoridades para conter os protestos.
As manifestações começaram em 28 de dezembro devido à desvalorização da moeda iraniana, o rial, e cresceram para protestos mais amplos que pedem a queda do regime clerical.
Até agora, não há sinais de fratura na elite de segurança que pudesse derrubar o sistema no poder desde a Revolução Islâmica de 1979. As autoridades de Teerã adotaram uma abordagem dupla: repressão severa, ao mesmo tempo em que classificam os protestos por problemas econômicos como legítimos.
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