Até aqui em 2025, o Brasil registra dois surtos de “superfungo”, como é conhecido o fungo resistente Candida auris.
Os casos estão concentrados em dois estados: São Paulo e Pernambuco e geram preocupação quanto ao risco de que o micro-organismo se dissemine em serviços de saúde, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O fungo representa uma “grave ameaça” à saúde global, de acordo com a agência. O micro-organismo pode causar infecções invasivas, que são associadas à alta mortalidade e aumento dos custos de internações.
A Anvisa alerta que surtos de “superfungo” em serviços de saúde são difíceis de conter, por conta da dificuldade de eliminar o fungo do ambiente, e ainda demanda métodos especializados para identificação, que “muitos laboratórios do país não possuem”.
Em Pernambuco, o Hospital Otávio de Freitas identificou quatro pacientes com Candida auris neste ano — dois pacientes do sexo feminino e dois do sexo masculino, vindos da Unidade de Terapia Intensiva Clínica (UTI). Esse serviço de saúde segue com surto ativo e tem os casos monitorados.
No final de 2021, Pernambuco registrou seu primeiro caso de Candida auris. Desde então, o estado contabiliza dez surtos, com 76 casos confirmados.
Em São Paulo, o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), localizado na capital paulista, identificou ao menos 15 pessoas que tiveram contato com Candida auris.
A investigação ocorreu após um caso de infecção de “superfungo” identificado no dia 2 de janeiro deste ano. O infectado, um homem de 73 anos, evoluiu para óbito. O hospital esclarece que a morte foi causada por complicações cirúrgicas e não em razão da infecção do fungo.
Durante as coletas diárias, notificadas para as autoridades sanitárias, o hospital identificou a presença do micro-organismo em outros 14 pacientes. De acordo com o hospital, nenhum evoluiu para a infecção, ou seja, sem causar doença, durante a internação e tratamento dos pacientes.
Até o momento, já ocorreram surtos em serviços de saúde na Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O número de casos identificados desde 2020, quando ocorreu o primeiro surto, foi de 114, de acordo com a Anisa.
“Superfungo”
Candida auris é um fungo que representa uma séria ameaça à saúde pública devido à capacidade do microrganismo de resistir aos principais medicamentos antifúngicos. Estudos apontam que até 90% dos isolados de C. auris são resistentes a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.
O fungo é um agente causador de doença oportunista, relatado pela primeira vez no Japão em 2009, em um caso de otomicose. Desde então, foi relatado em todos os continentes, com exceção da Antártica.
O primeiro caso de C. auris no Brasil foi identificado em novembro de 2020, em um paciente de 59 anos, internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) em Salvador, na Bahia. O fungo foi detectado após análise técnica pelo Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz (Lacen/BA) e pelo Laboratório do Hospital das Clínicas de São Paulo.
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