2025 foi o 3º ano mais quente da história

No Canadá, incêndios, degelo e alta no preço do café mostram o impacto real da crise climática. Entenda o cenário.

Por Júnior Mendonça, da Redação North News-
5 Min

2025 foi o 3º ano mais quente da história
Foto: acilo. E+. Getty Images via The Weather Network

O ano que passou foi o terceiro mais quente da história e esteve prestes a ultrapassar um importante limite climático global, de acordo com novos dados da agência climática europeia.

Os dados do Copernicus indicam que 2025 foi cerca de 1,47 grau mais quente que os níveis pré-industriais, logo após o recorde de 1,6 grau estabelecido no ano anterior. Quando 2023 entra na conta, este é o primeiro período de três anos registrado a exceder a marca de 1,5 grau.

No ritmo atual, o limite de aquecimento global de longo prazo de 1,5 grau estabelecido pelo Acordo de Paris de 2015 poderá ser atingido até o final desta década — cerca de dez anos antes do previsto quando o pacto climático foi assinado.

 

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O Canadá está aquecendo ainda mais rápido que a média global. A perda de neve e de gelo marinho — que funcionam como escudos reflexivos contra o sol — deixa mais expostas as vastas terras e mares do norte do país, o que, por sua vez, eleva as temperaturas.

Aqui estão outros cinco números que ajudam a ilustrar como as mudanças climáticas, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis, estão moldando a vida no Canadá.

 

Florestas devastadas

O Canadá enfrentou sua segunda pior temporada de incêndios florestais registrada em 2025, perdendo apenas para a temporada de 2023. Resultados preliminares sugerem que o fogo consumiu uma área equivalente ao território de Portugal (89.221 quilômetros quadrados).

O país passou grande parte desta temporada de incêndios em seu nível de alerta máximo. Milhares de pessoas tiveram que abandonar suas casas e bombeiros internacionais foram trazidos para ajudar. A área queimada na última década é três vezes maior do que na década de 1970.

 

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Prejuízos catastróficos

Além dos incêndios, o calor está alimentando tempestades mais potentes e imprevisíveis. Isso custa caro aos canadenses: carros danificados por granizo, casas inundadas e redes elétricas derrubadas.

O Institute for Catastrophic Loss Reduction estima que o Canadá sofre agora uma média de US$ 9,2 bilhões em perdas anuais por catástrofes. Ajustadas pela inflação, as perdas cresceram cerca de 9,3% ao ano desde o início da década de 80, superando o crescimento da população e do PIB. Como consequência, os prêmios de seguro residencial em áreas atingidas da Colúmbia Britânica subiram quase 68% entre 2021 e 2025.

 

Mortes por ondas de calor

Com o aumento das temperaturas, cresce o número de dias em que os canadenses são expostos ao calor extremo. A Dra. Samantha Green, médica de família em Toronto, alerta que isso é perigoso para idosos isolados e trabalhadores braçais.

Em Montreal, o departamento de saúde pública recebeu três relatos de mortes possivelmente relacionadas ao calor durante uma onda de calor em agosto passado. Em Toronto, foram emitidos seis alertas de calor entre junho e agosto, resultando em 74 visitas a salas de emergência.

 

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Gelo marinho no verão

Foi um ano recorde para o declínio do gelo marinho em ambos os polos. No Ártico, a extensão mensal de gelo foi a menor já registrada em janeiro, fevereiro, março e dezembro.

O governo canadense afirma que a cobertura de gelo no verão nas águas do norte do país diminuiu cerca de 7% a cada década desde o final dos anos 60. Estudos sugerem que o Oceano Ártico poderá ficar praticamente sem gelo até meados do século.

 

Aumento no preço do café

Para o economista Mike von Massow, os preços do café são o "canário na mina de carvão" das mudanças climáticas. A cultura enfrenta sérias ameaças de temperaturas crescentes e chuvas imprevisíveis.

Os preços do café em novembro de 2025 estavam 27,8% mais altos do que no ano anterior. Embora as tarifas de importação dos EUA também tenham influenciado, o aumento de longo prazo deve-se à variabilidade climática. O mesmo fenômeno afeta o preço da alface e da carne bovina, à medida que produtores lutam contra a seca.


FONTE: Júnior Mendonça, da Redação North News com informações The Associated Press

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